Evidências Covid 19

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Quais os pontos principais observados no manejo do tratamento hospitalar dos casos com pneumonia por COVID-19 ?

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Tratamento hospitalar de pneumonia da COVID-19: uma abordagem prática na perspectiva hospitalista

MARRA, Flavio Maciel

CUTLER, T.S.; EISENBERG, N.; EVANS, A.T. Inpatient Management of COVID-19 Pneumonia: a Practical Approach from the Hospitalist Perspective. J Gen Intern Med., p.1-4, Jun. 2020 [Epub antes da impressão]. Doi: 10.1007/s11606-020-05927-7. Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32500328

A pandemia da COVID-19 gerou um aumento de admissões de pacientes por pneumonia, ameaçando a possibilidade de sobrecarga na capacidade hospitalar mundial. Os autores do artigo manejaram mais de 2.400 pacientes com pneumonia por COVID-19 em uma única instituição americana. Foi feita uma revisão narrativa do trabalho, que objetivou a demonstração da prática acerca do manejo dos pacientes que não necessitam de intubação.

O artigo inicia com a apresentação do caso clínico de um homem de 70 anos que apresenta comorbidades, admitido na emergência hospitalar, com dispneia e febre, num quadro iniciado havia 10 dias. No exame clínico, o paciente apresenta taquipneia, taquicardia e saturação de oxigênio a 84%, que melhorou para 92% com oxigênio nasal, 6 litros. Detectada a presença do SARS-Cov-2, em esfregaço nasofaríngeo por RT-PCR, a radiologia do tórax demonstrou um infiltrado bilateral difuso. O artigo deu destaque a cinco tópicos:

QUADRO CLÍNICO MAIS FREQUENTE: início com febre, fadiga, tosse improdutiva, e que em torno de 7 a 10 dias evolui para dispneia, principal causa da admissão pela emergência. Podem ocorrer manifestações gastrintestinais. A maioria desses pacientes apresenta comorbidades.

GESTÃO DA ADMISSÃO: Evitar a disseminação do vírus na instituição, com as seguintes medidas: isolamento de gotículas emitidas pelo paciente; reduzir a exposição dos profissionais envolvidos na assistência (incluir a comunicação por mídias digitais, paramentação e desparamentação, otimização da frequência de investigação laboratorial e por imagem); manter a monitoração contínua de oxigênio e a prevenção de trombose em todos os pacientes.

GESTÃO DOS SINTOMAS: Medicações sintomáticas devem ser usadas, mediante os sinais e sintomas, como febre, cefaleia, diarreia, entre outros. Deve-se evitar AINEs (anti-inflamatórios não-esteroidais), para impedir a produção de lesão renal. Hidratação venosa com eletrólitos para casos com desidratação e uso de broncodilatadores e corticoides aspirativos para DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). A pronação não diminui a necessidade de intubação e nem reduz o tempo de hospitalização.

TERAPIA: Não há tratamento comprovado para a COVID-19, podendo-se usar antibióticos nos casos de infecção bacteriana concomitante.

ESCALA DE CUIDADOS / INTUBAÇÃO: As indicações de intubação são: redução progressiva da saturação de oxigênio com taquipneia e desorientação. Deve-se evitar o uso de cânula nasal de alto fluxo ou ventilação não-invasiva com pressão positiva, fora de ambientes com pressão negativa, pelo risco de aerolização.

PLANEJAMENTO DE ALTA: Os critérios para a alta são: redução da dispneia e da necessidade de oxigênio. Deve-se estabelecer as necessidades de oxigenoterapia domiciliar monitorada, tratamento sintomático, fisioterapia respiratória e motora para reabilitação e orientação para retorno, em caso de recrudescimento da dispneia.

FOLLOW-UP DO CASO: A conduta adotada no paciente descrito inicialmente obedeceu a esses critérios. No oitavo dia, estando eupneico e deambulando, teve seu plano de isolamento residencial revisado e recebeu alta. 

O artigo conclui apontando para a importância da sistematização do cuidado dos pacientes de COVID-19 e da racionalização dos recursos hospitalares durante a pandemia.

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Como têm sido cuidados os pacientes com doenças intestinais inflamatórias?

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O impacto diário da COVID-19 na gastroenterologia

FABER, Vanila

MAGRO, Fernando; ABREU, Candida;  RAHIER, Jean-François. The daily impact of COVID-19 in gastroenterology. United European Gastroenterology Journal, v. 8, n. 5, p. 520–527, Mar 2020. DOI: 10.1177/2050640620920157 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7268943/pdf/10.1177_2050640620920157.pdf

Pessoas com doenças inflamatórias intestinais (Inflammatory Bowel Diseases – IBD) muitas vezes necessitam utilizar fármacos que são imunossupressores para controlar as manifestações clínicas da sua enfermidade. Com isso, esses pacientes foram cogitados como sendo um possível grupo de risco para infecções pelo Coronavírus 2019.

O novo Coronavírus, intitulado SARS-CoV-2, possui a maior taxa de transmissão entre os Coronavírus, sendo sua via principal de contaminação o contato com gotículas respiratórias diretas (pessoa-pessoa), ou depositadas em objetos e/ou superfícies. Neste contexto, os procedimentos médicos, como as endoscopias, precisaram ter seus protocolos de realização, e de desinfecção, reavaliados. Passou-se a indicar as endoscopias para pacientes com IBD somente em casos extremamente necessários, com a finalidade de reduzir o risco de contaminação, não só para os pacientes, mas também para os profissionais envolvidos no procedimento endoscópico. Para isso, foi criada uma estratégia de perguntas e respostas, que por fim define o nível biológico de biossegurança a ser utilizado nos procedimentos endoscópicos.

Apesar de muitos pacientes com IBD utilizarem tratamento com fármacos imunossupressores, estes não se mostraram mais propensos a infecções graves pelo Coronavírus 2019. Entretanto, foi desenhada uma recomendação aos pacientes com IBD em uso de imunomoduladores, visando reduzir sua exposição à pandemia. Os atendimentos remotos (online) foram indicados a todos os pacientes, para que fosse feita uma triagem, bem como o acompanhamento desses pacientes por via remota, ficando indicada sua ida presencial ao médico somente se realmente necessário. Já as endoscopias foram indicadas somente quando estritamente necessárias, e ainda sim sob o cuidado da classificação de risco do paciente para o Coronavírus 2019.

Mesmo com todos os protocolos de recomendações feitas aos pacientes com IBD, principalmente para aqueles em uso de imunossupressores, fica claro que, do ponto de vista da saúde pública, a prioridade é reduzir a mortalidade da infecção pelo SARS-CoV-2. Para isto, faz-se necessário o desenvolvimento de diferentes abordagens de intervenção médica. Estas compreendem as terapias antivirais, as quais incluem fármacos com ação antiviral direta para o Coronavírus 2019, e também soro de pacientes que já tiveram a infecção pelo Coronavírus 2019 e se recuperaram, funcionando desta forma como uma imunidade passiva ao vírus. E compreendem também o desenvolvimento de vacinas capazes de evitar o aumento dos casos positivos e novas epidemias, protegendo desta maneira a população de forma geral contra o aumento e a incidência de novas infecções pelo Coronavírus 2019.

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Como deve ser o cuidado com a nutrição de pacientes idosos com câncer, que são acometidos pela COVID-19?

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Abordagem da Nutrição em Pacientes com Câncer no Contexto da Pandemia da Doença do Coronavirus 2019 (COVID-19): Perspectivas

COHEN, Larissa

GARÓFOLO, A.; QIAO, L.; MAIA-LEMOS, P.D.S. Approach to Nutrition in Cancer Patients in the Context of the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pandemic: Perspectives. Nutr Cancer. n.22, p.1-9, jul. 2020. DOI: 10.1080/01635581.2020.1797126. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32696665/

Grande parte dos óbitos relacionados à Síndrome Respiratória Aguda Grave por coronavírus (SARS-CoV-2) ocorrem em indivíduos idosos, dos quais, a maioria apresenta comorbidades (imunossupressão e obesidade). Pacientes em tratamento de câncer seguem em imunossupressão e estão suscetíveis a grande risco de infecção por COVID-19.

A imunossupressão predispõe os pacientes à infecção, hiper-inflamação secundária à infecção, o que contribui para morbidade e mortalidade. Nos pacientes com câncer, o suporte nutricional melhora a função imune e combate a inflamação, logo, reduz a gravidade de doenças inflamatórias.

O objetivo deste artigo de revisão é apresentar conhecimento atual sobre a abordagem nutricional em relação ao câncer no cenário da COVID-19.

Pacientes com câncer desenvolvem distúrbios metabólicos devido à resposta inflamatória secundária a tumor, infecção ou complicações do tratamento anticâncer. Alguns cursam com caquexia e outros com obesidade de acordo com o tipo de câncer, e ambas as situações ativam mediadores pró-inflamatórios. A COVID-19 também desencadeia resposta inflamatória. Nesse sentido, a enzima conversora de angiotensina 2  localiza-se como receptor funcional para SARS-CoV-2 e é expressa no epitélio pulmonar. Ademais, a morte de macrófagos alveolares aumenta a inflamação e o numero de linfócitos está reduzido nos pacientes com COVID-19. Controlar a inflamação é uma estratégia efetiva para reduzir a gravidade da COVID-19.

Uma busca sistemática da literatura na Medline, na base de dados PubMed, foi realizada entre 22 de março de 2020 e 6 de maio de 2020, usando as palavras-chave “COVID-19”, “coronavírus”, “câncer”, “inflamação ”, “Probióticos”, “vitamina D” e “prevenção nutricional”. Considerando a urgência do tema e a necessidade de aumentar a sensibilidade da pesquisa, uma revisão da literatura mais ampla foi realizada usando as mesmas palavras-chave no Google Scholar, para capturar as publicações mais recentes.

Essa revisão apontou que a incidência de câncer aumenta com a idade, e que idosos constituem o grupo mais afetado pela COVID-19, possivelmente devido ao processo de “Inflammaging” (inflamação com o envelhecimento) que predispõe idosos a piores desfechos da COVID-19.

Quanto aos aspectos nutricionais relacionados ao câncer e à COVID-19, dietas anti-inflamatórias, como a Mediterrânea, ricas em antioxidantes, fibras e ácidos graxos poli-insaturados ômega 3, aumentam a resistência e a recuperação da infecção por SARS-CoV-2. Probióticos utilizados no câncer reduzem taxas de infecção e complicações, bem como auxiliam na profilaxia da COVID-19. Outro fator nutricional que promove ação de defensinas e a baixa replicação viral é a vitamina D; por isso, sugere-se sua suplementação durante a pandemia da COVID-19, principalmente em pessoas com comorbidades, como câncer.

A revisão discutiu a intervenção nutricional que se deve considerar na abordagem para o tratamento da COVID-19. Práticas alimentares saudáveis, incluindo alimentos anti-inflamatórios (ricos em ômega-3), pré e probióticos, suplementação de vitamina D, bem como modificações dietéticas para reduzir a obesidade, são condutas preventivas eficazes no controle da hiper-inflamação, que melhoram a função do sistema imunológico.

Da mesma forma, faz-se necessária essa visão nutricional nos pacientes com câncer, a fim de reduzir danos fisiológicos de estados pró-inflamatórios e o fardo das doenças crônicas e, secundariamente, para prevenir e minimizar a gravidade da COVID-19.

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Quais medidas devem ser adotadas para pacientes que necessitam cuidados médicos para saúde dos olhos?

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Diretrizes Clínicas Preliminares para Práticas Oftalmológicas

BISOL, Tiago

GHAREBAGHI, Reza; et al. COVID-19: Preliminary Clinical Guidelines for Ophthalmology Practices. Med Hypothesis Discov Innov Ophthalmol., v. 9, n. 2, p. 149-158, Summer 2020. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7141793/pdf/mehdiophth-9-149.pdf

Os autores, radicados no Irã e nos Estados Unidos, descrevem diretrizes para o atendimento oftalmológico durante o período de pandemia.

A pequena distância entre profissional da saúde ocular e paciente, necessária ao exame dos olhos e que chega a 20 cm, juntamente com o tempo de contato próximo maior que 5 minutos, são fatores de risco para o contágio pelo SARS-CoV-2.

Apesar de relatos de conjuntivite relacionada ao vírus, sua frequência é bastante baixa, e os estudos que pesquisaram através de RT-PCR a presença de nucleotídeos virais na lágrima de pacientes contaminados mostraram uma frequência muito pequena de positividade. Desta forma, o potencial maior de transmissão e contaminação no ambiente de atendimento oftalmológico parece ser através da via respiratória/oral.

O risco de exposição e contágio do paciente, ao ser atendido na clínica oftalmológica, deve sempre ser contrabalanceado com o risco de morbidade pelo adiamento do diagnóstico e tratamento da doença em questão.

Telemedicina: apesar de limitado seu uso no exame ocular, deve ser priorizada se não comprometer a segurança do diagnóstico e tratamento.

Triagem: Sugere-se um protocolo de triagem dos pacientes por ocasião do agendamento telefônico do atendimento, questionando sobre sinais e sintomas da COVID-19, possível contato com doentes e viagem recente para áreas de risco. Além disso, aferição de temperatura na admissão ao estabelecimento é recomendada. Caso haja sinais de risco para a doença e o atendimento seja urgente, o paciente deve ser direcionado para área de isolamento na instituição, para que seu atendimento seja realizado com cuidado adicional de proteção e desinfecção de superfícies.

Proteção individual: Sugere-se uso de máscara N95 ou superior, luvas descartáveis e proteção ocular, tocando somente a pele e os olhos do paciente com bastonetes de algodão, evitando contato direto.

Fluxo de trabalho: Aumento do intervalo entre atendimentos (em torno de 1 hora) para não haver aglomeração de pacientes na área de espera e uso de máscara de proteção por todos, mesmo que não cirúrgicas, bem como distanciamento a partir de 2 metros entre indivíduos, espaçando os assentos disponíveis. O agendamento deve ser priorizado para pacientes com olho único, tumores oculares e emergências.

Equipamentos e instrumental: Instalação de barreiras de proteção plásticas entre paciente e médico nas lâmpadas de fenda é altamente recomendada, e preferência pelo uso de tonômetros de contato com ponteiras descartáveis ou tonômetros de não contato. Desinfecção com álcool 70% de todas as superfícies que entrem em contato com paciente e profissional deve ser realizada entre atendimentos, incluindo teclados, mouses e telefones. Como o vírus pode persistir por dias nas superfícies, desinfecção frequente de chão e móveis do ambiente deve ser realizada. Para fluxo de pagamento e faturamento, dar preferência para métodos eletrônicos e evitar manuseio de dinheiro, bem como não fornecer recibos físicos aos pacientes.

O ambiente deve estar com adequada ventilação e deve ser desestimulada a conversa tanto no ambiente de espera quanto durante o atendimento, falando-se somente o indispensável.

Cirurgias: Procedimentos eletivos que não apresentem algum tipo de urgência devem ser postergados, e nos casos não adiáveis a coleta de teste para COVID-19, bem como a aplicação de termo de consentimento informado, deve ser realizada. Anestesia geral deve ser evitada sempre que possível.

Outros: Atividades de ensino presenciais devem, se possível, ser substituídas por atividades on-line e atenção deve ser dada ao estado psicológico de todos os profissionais envolvidos nos atendimentos.

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Qual é o impacto da COVID-19 em pacientes com câncer?

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Oncologia intervencional na época da pandemia de COVID-19: Problemas e soluções

ZAMBONI, Mauro

DENYS, A.; et al. Interventional oncology at the time of COVID-19 pandemic: Problems and solutions. A. Denys, B. Guiu, P Chevalier, A Digklia, E. de Kerviler, T. de Baere. Diagnostic and Interventional Imaging, v. 101, n. 6, p. 347-353, Jun. 2020. DOI: 10.1016/j.diii.2020.04.005, Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32360351/

A epidemia da COVID-19 impactou profundamente as organizações de saúde em todo o mundo. As diferentes instituições e centros oncológicos tiveram que reorientar suas atividades clínicas para acomodar grande número de pacientes com câncer e com síndrome respiratória aguda secundária à pneumonia pela COVID-19.

Diferentes países adotaram diferentes protocolos para o manejo dos pacientes com câncer infectados pela COVID-19. Com a persistência da pandemia, a abordagem dos pacientes com câncer é particularmente complexa e deve ter seu risco cuidadosamente avaliado, principalmente no atraso no diagnóstico bem como no tratamento desses pacientes.

Os autores, nesta publicação, apoiados na sua experiência e na revisão das  diretrizes das sociedades europeias e americanas de oncologia, resumem as recomendações para a abordagem dos pacientes com câncer durante a pandemia da COVID-19.

Liang relatou em sua publicação que 1% de 1590 pacientes hospitalizados pela pneumonia da COVID-19 eram portadores de neoplasias com idade mediana de 63 anos. Outras publicações demonstraram que os pacientes com câncer apresentam as formas mais severas da COVID-19, quando comparados com aqueles sem neoplasia.

Pacientes com história de neoplasia tratados com cirurgia ou radioterapia meses antes da infecção pela COVID-19 apresentam risco maior de desenvolver as formas graves da infecção. Os pacientes acima dos 60 anos têm maior incidência da infecção. Os pacientes com câncer têm uma probabilidade de se infectar pela COVID -19 que é 3 vezes maior do que os que não têm alguma neoplasia, sendo que o risco de infecção viral severa aumenta 5 vezes e o de óbito 8 vezes.

O impacto da COVID-19 nos pacientes oncológicos nos diferentes centros de câncer já é bem conhecido. Também são conhecidas as dificuldades dos centros oncológicos em todo o mundo em se adaptarem a esta nova realidade.  Os autores fazem uma revisão da literatura e das diretrizes das sociedades especializadas numa tentativa de se estabelecer um guia de recomendações a serem seguidas na abordagem dos pacientes oncológicos na era da COVID-19, desde o diagnóstico até as mais diferentes formas de abordagem terapêutica, envolvendo a organização dos diversos serviços oncológicos, a segurança dos pacientes e a melhor forma de tratamento a ser oferecido a estes pacientes.

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Como manejar pacientes com transtornos da tireóide durante a pandemia?

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Endocrinologia na época da COVID-19: Manejo do hipertireoidismo e do hipotireoidismo

PESSANHA, Katia Maria de Oliveira Gonçalves

BOELAERT, K.; et al. Endocrinology in the time of COVID-19: Management of hyperthyroidism and hypothyroidism. Eur J Endocrinol., v. 183, n.1, p. G33-G39, Jul. 2020. DOI: 10.1530/EJE-20-0445. Disponível em : https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32438340/

Desde a declaração da pandemia de Covid-10 houve uma readaptação de serviços resultando em dificuldades para revisões clínicas, diagnósticos e procedimentos terapêuticos. As doenças funcionais da tireoide são situações crônicas dependentes de avaliação ambulatorial e principalmente exames bioquímicos, de imagem e de Medicina Nuclear. Este manuscrito tem como objetivo fornecer aconselhamento consensual para o manejo seguro destes pacientes neste momento de afastamento, não se baseia em uma revisão sistemática ou meta-análise, mas em um rápido consenso de especialistas, nos trazendo observações científicas e orientações sobre condutas.

Os autores abordam a autoimunidade tireoidiana como a possível relação com Covid-19. Algumas infecções virais foram citadas como gatilhos ambientais, porém não houve evidência desta associação com a Covid-19, ou com desenvolvimento de formas graves. Ressalta-se que pacientes com oftalmopatia em tratamento imunossupressor poderiam desenvolver a forma grave de doença. Naqueles em uso de antitireoidianos (DATs) não está confirmada a relação com desenvolvimento ou agravamento da Covid-19, entretanto, os sintomas desta doença são indistinguíveis daqueles da neutropenia induzida por DAT, recomendando-se a retirada e investigação. É possível que este raro efeito colateral possa favorecer a progressão da Covid-19, possivelmente por meio de uma imunossupressão generalizada e de aumento do risco de infecções bacterianas coexistentes.

O hipotireoidismo não é uma preocupação durante esta pandemia, a menos que haja instabilidade clínica ou ganho ponderal, quando devem ser realizados exames. A triagem neonatal não deve ser interrompida. As pacientes hipotireoideas tratadas, que engravidam, devem aumentar a dosagem do medicamento no primeiro trimestre, mesmo sem exames. Em relação ao hipertireoidismo seria importante a análise laboratorial para que a menor dosagem de DAT fosse mantida. Outro ponto abordado foi a relação com a síndrome do T3 baixo associada a infecções graves respiratórias, sendo necessário avaliar o comprometimento hipofisário do Sars-CoV-2 com possível evolução para hipotireoidismo central posterior.

Alterações no controle tireoidiano não parecem aumentar o risco de contrair doenças virais, mas pode ser um fator de agravamento dessas doenças como no caso da tireotoxicose. Os autores avaliaram ainda que pacientes com cirurgias tireoidianas anteriores ou tratamento com I-131 não apresentam maior risco para Covid-19. Sobre os pacientes com hipertireoidismo, concluíram que o diagnóstico deve ser baseado em suspeita clínica e resultados bioquímicos, mas os métodos de imagem foram adiados à exceção da suspeita de câncer de alto risco. Pacientes com hipertireoidismo já tratados devem continuar sendo reavaliados, especialmente se houver alterações clínicas ou oculares. As cirurgias eletivas devem ser suspensas, excetuando-se as urgências para os hipertireoidismos não compensados, os que apresentaram efeitos adversos com DATs ou os casos de câncer confirmado. À exceção para os portadores de doença de Graves e necessidade de I-131 com urgência, o I-131 fica suspenso.

Este manuscrito orienta que as consultas sejam realizadas por telefone e vídeo, sendo presencias somente nos casos de pacientes com doença ocular de início recente ou com agravamento, aqueles com aumento do bócio causando sintomas de obstrução, e pacientes que não estão respondendo às medidas de tratamento instituídas. Em conclusão, os pacientes com hipotireoidismo ou hipertireoidismo graves devem ser priorizados no atendimento. A investigação etiológica do hipertireoidismo fica adiada, assim como os tratamentos específicos para os nódulos tóxicos. Priorizar o atendimento remoto pode ser uma prática mantida inclusive pós pandemia. Informações adicionais em sites de conselhos ou sociedades podem ainda auxiliar neste momento.

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Como prevenir e reduzir a propagação da COVID-19 em centros de hemodiálise?

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Recomendações para a prevenção, mitigação e contenção da emergente pandemia pelo SARS-CoV-2 (COVID-19) em centros de hemodiálise

MOURÃO, Talita

BASILE, C.; et al. Recommendations for the prevention, mitigation and containment of the emerging SARS-CoV-2 (COVID-19) pandemic in haemodialysis centres. Nephrol Dial Transplant. v. 35, n. 5, p. 737-741, May 2020. DOI: 10.1093/ndt/gfaa069. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32196116/

O presente artigo – uma revisão do Grupo de Trabalho Europeu de Diálise (EUDIAL) – fornece as recomendações para prevenção, mitigação e contenção da COVID-19 em centros de hemodiálise, essenciais para minimizar o risco de transmissão da doença  para demais pacientes, equipe de saúde e familiares dos infectados.

A COVID-19 tem morbidade especificamente alta em idosos e em populações com comorbidades – como a doença renal crônica. Pacientes em diálise combinam fragilidade intrínseca e outras diversas condições mórbidas, sendo mais propensos a desenvolver doenças infecciosas graves. Estão ainda em maior risco de contaminação, pois o tratamento geralmente requer três sessões dialíticas semanais.

As recomendações para a equipe de saúde incluem atualização dos conhecimentos clínicos sobre a COVID-19, além da utilização adequada das ferramentas de prevenção, com instruções de como usar os diferentes tipos de equipamentos de proteção individuais (EPIs), descartar itens contaminados e realizar a higiene das mãos. Membros da equipe devem monitorar seus sintomas e, se doentes, devem permanecer em suas casas – sem contato com pacientes ou outros membros da equipe. Enfermeiros devem ser treinados para realizar swabs de nasofaringe para rastreio do SARS-CoV-2.

O paciente deve permanecer em casa enquanto fora da diálise, evitar transporte público, abster-se de eventos (privados ou públicos) com aglomeração de pessoas bem como de viagens. As instalações de diálise devem fornecer instruções sobre cuidados de higiene necessários e soluções hidroalcoólicas devem ser acessíveis nas salas de espera, com recomendação para ficarem separados por pelo menos 2 metros, sendo aconselhável a mesma distância entre as estações de diálise. As áreas de tratamento e espera devem ter ar condicionado e boa ventilação.

Deve-se medir a temperatura corporal dos doentes antes do início e no final da sessão de diálise. Reconhecimento precoce e isolamento dos indivíduos com infecção respiratória são obrigatórios. Idealmente, os sintomáticos devem ser dialisados ​​em uma sala de isolamento, com atmosfera de pressão negativa. Caso contrário, devem esperar em uma sala de isolamento e receber diálise no último turno do dia até que a infecção seja excluída, usando máscara adequada.

Os pacientes com infecção confirmada por COVID-19 não devem receber diálise em unidade ambulatorial. Todo o pessoal envolvido no cuidado direto deve assumir proteção total com uso de EPIs adequados até a transferência. Após a identificação de um caso, a desinfecção deve ser realizada imediatamente e o lixo hospitalar deve ser descartado de acordo com as normas. A descontinuação das precauções de isolamento de pacientes deve ser determinada caso a caso, em conjunto com as autoridades de saúde.

Os membros da família que vivem com pacientes em diálise devem seguir as precauções dadas aos pacientes. Se um membro da família ou cuidador for sujeito à quarentena (isolamento de precaução por 14 dias), o paciente em diálise pode seguir o tratamento como de costume. Se convertido em caso confirmado, o paciente deve ser tratado de acordo com as condições acima mencionadas.

De forma geral, o artigo traz as recomendações para manejo dos pacientes em diálise afetados pela COVID-19. Medidas de prevenção, proteção, triagem, isolamento e distribuição têm se mostrado eficientes em ambientes semelhantes, sendo essenciais na mitigação e na contenção da COVID-19 nos centros de hemodiálise.

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Telessaúde ajuda durante a pandemia aos serviços de lentes de contato?

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A telessaúde pode ajudar oftalmologistas a adaptar serviços de lentes de contato durante a pandemia de COVID-19?

BISOL, Thiago

NAGRA, Manbir; VIANYA-ESTOPA, Marta; WOLFFSOHN, James S. Could telehealth help eye care practitioners adapt contact lens services during the COVID-19 pandemic? Contact Lens & Anterior Eye, v. 43, n. 3, p. 204-207, Jun. 2020. DOI: 10.1016/j.clae.2020.04.002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32336578/

Devido ao possível risco de contágio através da lágrima e às restrições de contato social pela pandemia, os atendimentos pelos profissionais de saúde da área ocular têm se limitado às urgências e emergências, ficando proscrito o exame clínico presencial para os usuários de lentes de contato. Nesta especialidade, o exame é imprescindível para tomada de decisão, havendo poucos estudos sobre o uso da telemedicina. Os autores avaliam os aspectos relativos à adaptação de lentes de contato, ao acompanhamento dos usuários e o uso de teleatendimentos no contexto da pandemia.

O uso de questionários validados e entrevistas quanto a sintomas oculares pode auxiliar na triagem da necessidade ou não de um exame presencial na vigência de intercorrências com o usuário.

Alguns comportamentos que se relacionam com risco de complicações nos usuários de lentes de contato são afetados diretamente pela pandemia, porém nem todos de modo negativo. Por exemplo, o maior cuidado com a higiene é positivo; entretanto, o prazo de descarte das lentes pode ser prejudicado pela dificuldade na aquisição das mesmas.

Quanto à telemedicina, a avaliação da acuidade visual pelo próprio paciente com recursos de computador ou celular já pode ser realizada de forma confiável; entretanto, a refratometria (medição do grau) ainda não é fidedigna quando realizada remotamente. A captura de imagens oculares e sua transmissão em teleatendimentos vem se desenvolvendo consideravelmente com a evolução da qualidade das câmeras fotográficas dos smartphones e computadores, porém ainda são necessários recursos adicionais, como lentes de magnificação ou iluminação em fenda, para a análise adequada de detalhes. Somente alterações mais grosseiras (como presença ou ausência de pterígio ou de transplante de córnea, por exemplo) são evidenciáveis sem estes recursos, o que limita bastante o exame do paciente na identificação de ceratites, edema corneano, infiltrados inflamatórios, qualidade do filme lacrimal, etc.

Em especial no que se refere ao controle do usuário de lentes de contato, apesar de haver diversos aplicativos para controle do prazo de descarte e troca das mesmas, a avaliação da adaptação da lente no olho (posição e movimento) fica bastante prejudicada sem recursos acessórios no contexto do teleatendimento. Mesmo havendo correlação dos sintomas relacionados às lentes de contato com os achados objetivos, ainda assim é arriscada a análise da sua adaptação baseada em teleatendimento valendo-se de imagens que não ofereçam a qualidade necessária a um bom exame objetivo.

Em suma, apesar de alguns recursos tecnológicos estarem disponíveis para monitoramento remoto e telemedicina no exame ocular, a adaptação de lentes de contato e o exame dos seus usuários se encontra ainda comprometido em termos de segurança durante a vigência das medidas sanitárias devido à pandemia da COVID-19.

Os autores discutem de modo responsável os recursos de Telemedicina disponíveis para uso na adaptação e acompanhamento dos usuários de lentes de contato durante a pandemia, concluindo que os mesmos não se mostram suficientes para uma prática segura de atendimento remoto nesta área de atuação do profissional de saúde ocular.

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