Evidências Covid 19

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Como é a evolução clínica dos recém-nascidos infectados pelo SARS-CoV-2 ?

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Características e resultados da infecção neonatal por SARS-CoV-2 no Reino Unido: um estudo de coorte nacional prospectivo usando vigilância ativa

FAULHABER, Maria Cristina Brito

GALE, Chris et al. Characteristics and outcomes of neonatal SARS-CoV-2 infection in the UK: a prospective national cohort study using active surveillance The Lancet Child & Adolescent Health, v. 5, n. 2, p. 113-121, Fev. 2021. DOI: 10.1016/S2352-4642(20)30342-4. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanchi/article/PIIS2352-4642(20)30342-4/fulltext

Os bebês diferem das crianças mais velhas no que diz respeito à exposição à síndrome respiratória aguda grave por coronavírus 2 (SARS-CoV-2). Os dados disponíveis que descrevem o efeito do SARS-CoV-2 neste grupo são escassos, e as diretrizes são variáveis.

O objetivo do artigo é descrever a incidência, as características, a transmissão e os desfechos de infecção por SARS-CoV-2 em bebês que estiveram internados em hospitais do Reino Unido nos primeiros 28 dias de vida, no período entre 1º de março e 30 de abril de 2020, buscando formular políticas de manejo e diretrizes para profissionais de saúde, gestantes e novos pais.  

Como critério de seleção foi considerada doença grave nos casos que apresentassem pelo menos 2 dos seguintes critérios: 1) hipertermia (>37.5ºC), apneia, tosse, taquipneia, dificuldade respiratória, necessidade de suplementação de oxigênio, pouca aceitação alimentar, vômitos ou diarreia; 2) leucopenia (< 5.000 leucócitos/µL), linfopenia (< 1.000/µL ou PCR elevada); e 3) Rx de tórax alterado.

Foram elegíveis 66 recém-nascidos (RN) com infecção por SARS-CoV-2 confirmada, sendo 42% com infecção neonatal grave; 24% eram prematuros; 26% nasceram de mães com infecção perinatal por SARS-CoV-2 conhecida, 3% foram considerados com possível infecção adquirida verticalmente (amostra positiva para SARS-CoV-2 dentro de 12 horas após o nascimento, quando a mãe também era positiva) e em 12% a suspeita foi de infecção adquirida nosocomialmente. A idade média do diagnóstico foi de 9,5 dias e 68% dos RN foram diagnosticados mais de 7 dias após o nascimento; entre estes últimos os sintomas mais comuns foram hipertermia, coriza e baixa aceitação alimentar. Nos 62 pacientes em que foi informado o sexo, 35 RN eram do sexo feminino; 22 RN receberam um ou mais tipos de suporte respiratório: três receberam ventilação invasiva, dez ventilação não invasiva e 22 receberam oxigênio suplementar. Rx foi realizado em 25 RN e 56% apresentaram alterações, entre estes 28% com lesões em vidro fosco. Laboratorialmente as alterações mais significativas foram o aumento de PCR (29% de 49 RN) e aumento de lactato (55% de 31 RN testados); dois dos 66 bebês foram tratados com agentes antivirais, outros dois foram tratados com corticosteroides, e um outro recebeu imunoglobulina combinada.

Usando dados de vigilância ativa em nível de população, o estudo demonstrou que o atendimento hospitalar para neonatos com confirmação SARS-CoV-2 é raro, com 5,6 casos por 10.000 nascidos vivos (um em 1.785) no pico do Reino Unido em março e abril de 2020. Infecção nos primeiros 7 dias após o nascimento de uma mãe com infecção perinatal por SARS-CoV-2 foi incomum e geralmente leve ou assintomático, apesar de uma política nacional que promovia manter a mãe e o recém-nascido juntos.

Este estudo foi realizado no Reino Unido, onde a orientação era, e continua sendo, para manter a mãe e bebê juntos quando a mãe confirmou no período perinatal infecção por SARS-CoV-2. Separação da mãe e filho tem múltiplas consequências prejudiciais para ambos e não é recomendada pela orientação da OMS. Durante o período de estudo, mais de 300 mães com infecção confirmada de SARS-CoV-2 deram à luz, e o baixo número de infecções neonatais iniciais por SARS-CoV-2 e o curso de doença leve que os autores documentaram apoiam a abordagem realizada no Reino Unido.

 

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Como prever a progressão da doença COVID-19 nos pacientes e sua gravidade?

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Proteína 10 induzida por interferon-γ (IP-10) e amiloide A sérico (SAA) são excelentes biomarcadores para a previsão de progressão e gravidade de COVID-19

PALMEIRA, Vanila Faber

HAROUN, R. A.; OSMAN, W. H.; EESSA, A. M. Interferon-γ-induced protein 10 (IP-10) and serum amyloid A (SAA) are excellent biomarkers for the prediction of COVID-19 progression and severity. Life Sci. v. 269, p. 119019, Mar. 2021. [Epub 14 Jan. 2021] DOI: 10.1016/j.lfs.2021.119019 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7832132/pdf/main.pdf

A pandemia pelo novo Coronavírus 2019 é uma infecção viral causada pelo vírus causador da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) e que ficou conhecida como doença Coronavírus 2019 (COVID-19). Esta doença pode se apresentar por uma variedade de sinais e sintomas, que podem ser classificados em leves, moderados, intensos e críticos, podendo a pessoa doente evoluir para a morte.

A capacidade de fazer uma previsão sobre a evolução de um paciente com alguma morbidade é algo muito importante na Medicina, uma vez que pode auxiliar a equipe de saúde na tomada de decisão. Na COVID-19 o prognóstico é muito difícil de ser feito, já que cada paciente pode apresentar um quadro clínico diferente, e mesmo aqueles com os mesmos sinais e sintomas podem ter intensidade e/ou gravidade diferentes. Tendo estas variáveis em vista, os autores buscaram investigar se duas proteínas plasmáticas, que têm relação com a inflamação induzida pelo SARS-CoV-2, aumentam no curso da doença, e se isso corresponderia a gravidade do paciente.

Clinicamente a COVID-19 pode ser dividida em leve, moderada, grave ou crítica, levando-se em consideração os sinais e sintomas, além da intensidade e/ou gravidade desses. A severidade da COVID-19 parece ter uma estrita relação com o processo inflamatório induzido no indivíduo. Com a inflamação acontecendo, várias proteínas plasmáticas se elevam na corrente sanguínea, como a IP-10 (quimiocina induzida por interferon), bem como a amiloide sérica A (SAA). Estas duas proteínas foram dosadas no sangue de pacientes confirmados para SARS-CoV-2 (grupo de estudo) pelo teste de swab nasal (um cotonete longo e estéril), e em pessoas saudáveis (grupo controle).

O estudo seguiu dois caminhos: o primeiro deles consistiu na comparação entre pessoas doentes e pessoas saudáveis; e o outro caminho foi realizar a comparação dentro do próprio grupo de pacientes positivos para COVID-19, onde foram equiparados aqueles que apresentavam formas leves ou moderadas, em contraste com os pacientes graves ou críticos. Os resultados mostraram que tanto a IP-10 como a SAA aumentam de maneira significativa, quando foram comparados os soros de pacientes com COVID-19 e os de pessoas saudáveis. Além disso, os níveis plasmáticos das duas proteínas inflamatórias foram mais altos em pacientes graves ou críticos do que em pacientes leves e moderados. Tudo isto sinaliza para que essas duas proteínas possam vir a ser utilizadas tanto na classificação do paciente quanto à gravidade, quanto na sua possível evolução clínica, e essa relação possa auxiliar na tomada de decisões acerca de cada paciente.

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Quem é mais vulnerável a desinformação por meio do WhatsApp e como reduzir essa vulnerabilidade?

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Fatores Demográficos que Influenciam o Impacto da Desinformação no WhatsApp Relacionada ao Coronavírus: Estudo Transversal com Questionário

DIAS, Elaine

BAPAYE, J. A.; BAPAYE, H. A. Demographic Factors Influencing the Impact of Coronavirus-Related Misinformation on WhatsApp: Cross-sectional Questionnaire Study . JMIR Public Health Surveill., v. 7, n. 1, p. e19858, Jan.  2021. Doi: 10.2196/19858. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33444152/

Os riscos de desinformação em redes sociais é um problema global, especialmente à luz da infodemia com a COVID-19. O WhatsApp está sendo usado como uma fonte importante de informações relacionadas à COVID-19 durante a atual pandemia. Ao contrário do Facebook e do Twitter, estudos limitados investigaram o papel do WhatsApp como fonte de comunicação, informação ou desinformação durante situações de crise.

O estudo realizado buscou avaliar a vulnerabilidade em um país em desenvolvimento em relação à desinformação relacionada a COVID-19, compartilhada via WhatsApp, e também identificar as características das mensagens do WhatsApp associadas ao aumento da credibilidade da desinformação.

Os autores conduziram um questionário online na Índia e projetaram um sistema de pontuação baseado em teorias apoiadas pela literatura existente. A vulnerabilidade foi medida como uma razão entre a pontuação do respondente e a pontuação máxima. A pesquisa avaliou a opinião dos respondentes sobre a veracidade das mensagens enviadas por WhatsApp relacionadas ao coronavírus.

Foram analisadas 1.137 respostas de usuários do WhatsApp, que demonstraram que usuários com mais de 65 anos e envolvidos em ocupações elementares foram considerados as pessoas mais vulneráveis ​​a informações falsas divulgadas via WhatsApp. Os profissionais de saúde, que de outra forma são considerados especialistas em relação a esta crise global de saúde, também compartilharam essa vulnerabilidade à desinformação com outros grupos de ocupação.

O estudo indicou que a presença de um link e/ou fonte validando falsamente uma mensagem incorreta adiciona credibilidade falsa significativa, fazendo com que pareça verdadeira. Esses resultados indicam uma necessidade emergente de abordar e retificar os padrões de uso atuais dos usuários do WhatsApp.

Para enfrentar esses desafios, as autoridades dos países em desenvolvimento podem colaborar com o WhatsApp para desenvolver métodos de autenticação e violação de mensagens de fontes oficiais. A liderança em organizações de saúde pode trabalhar ativamente, no sentido de abordar a consciência digital entre os profissionais de saúde, que são os pontos de ancoragem das informações para o resto da comunidade. As organizações de checagem de fatos poderiam aumentar sua presença e se integrar ao Sistema Nacional de Saúde para melhorar sua desenvoltura. As autoridades de saúde podem realizar campanhas de conscientização para educar os usuários a reconhecer a desinformação. E o WhatsApp deve permitir que os usuários relatem mensagens contendo suspeita de desinformação, para que as medidas necessárias sejam tomadas para prevenir sua propagação.

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A COVID-19 pode provocar uma paralisia do nervo da face?

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Paralisia facial como único sintoma de COVID-19: um estudo prospectivo

FAULHABER, Maria Cristina Brito

ISLAMOGLU, Y.; CELIK, B.; KIRIS, M. Facial paralysis as the only symptom of COVID-19: A prospective study. Am J Otolaryngol., v. 42, n. 4, p. 102956 Jul.–Aug., 2021 [Epub 10 fev. 2021].DOI: 10.1016/j.amjoto.2021.102956. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33592554/

Ao longo da pandemia por COVID-19 observou-se um aumento do número de casos de paralisia facial idiopática ou paralisia de Bell (PB). O objetivo do artigo é investigar possíveis correlações entre PB e COVID-19.

A PB é um quadro agudo, de início súbito, de paresia ou paralisia do nervo facial periférico, cuja etiopatogenia ainda não está esclarecida. Infecções como herpes simples (HSV), varicela zoster (VZV), doença de Lyme, HIV, inflamações, isquemias, neoplasias e doenças autoimunes estão entre suas possíveis causas. Paresia ou paralisia aguda do nervo facial que aparece em menos de 72 horas sem qualquer razão é chamada de PB.

SARS-CoV-2 é um vírus neurotrópico e a paralisia facial aguda é considerada um dos sintomas neurológicos de COVID-19. A SARS-CoV-2 IgM pode ser detectada a partir de amostras de sangue de pacientes com COVID-19 após 5 dias do início dos sintomas, dura 1 mês e depois diminui gradualmente. A duração média do anticorpo IgG SARS-CoV-2 para detecção é de 14 dias. É sugerido que SARS-CoV-2 IgM e IgG foram úteis para o diagnóstico de COVID-19 após a janela destes períodos. No presente estudo, o anticorpo SARS-CoV-2 IgG + IgM (total) foi investigado em pacientes diagnosticados com PB durante o período pandêmico, sendo a sorologia IgM e IgG para SARS-CoV-2 avaliada em 2 etapas: na primeira semana (10 pacientes [24,3%] mostraram resultado positivo) e 14 dias depois (10 pacientes [24,3%] mostraram resultado positivo). Foram excluídos os pacientes que tinham antecedente de infecção por COVID-19.

Os resultados foram computados ​​usando o programa de software SPSS versão 21.0 (Statistical Package for Social Sciences v.21, IBM, Chicago, IL) e usada estatística descritiva para análise.

Todos os 41 pacientes incluídos no estudo se apresentaram com queixa de paralisia facial aguda, sem febre, sem dor de garganta, sem tosse ou falta de ar. Anamnese detalhada, exames de ouvido, nariz e garganta, avaliação neurológica, exame de sangue completo incluindo bioquímica, sorologias virais (especialmente HSV, HIV, VZV), e ressonância magnética (RM) craniana e de ossos temporais foram realizados a fim de investigar a etiologia da paralisia facial. Como não tinham sintomas de COVID-19, não foi realizado RT-PCR. Os pacientes que completaram esses testes, mas nenhuma razão etiológica pôde ser encontrada, foram diagnosticados como PB; a idade média foi 41,7 anos, 58,6% do sexo masculino, 21 pacientes com paralisia do lado esquerdo e 20 do lado direito. O protocolo terapêutico usado foi o mesmo para todos: prednisona 1 mg / kg / dia, a dose sendo gradualmente reduzida e interrompida após duas semanas.

RT-PCR foi feito em pacientes com anticorpos positivos e todos os resultados foram negativos. Os pacientes foram então novamente questionados sobre os sintomas clássicos de COVID-19 e nenhum tinha qualquer sintoma, assim como não relataram contato prévio com indivíduos com COVID-19.

A RM mostrou intensificação (aumento) da imagem do nervo facial em 28 pacientes; nos que tinham anticorpos SARS-CoV-2 positivo, 70% apresentaram a mesma intensificação.

Estudos têm demonstrado a propensão neuroinvasiva do SARS-CoV-2, com manifestações neurológicas, como alteração do nível de consciência, cefaleia, vômitos e doenças cerebrovasculares agudas. Trabalhos mostram pacientes com COVID-19 que desenvolveram quadros como síndrome de Guillain-Barré, encefalopatia e AVC.  

Casos de paralisia facial levaram os autores a investigar os pacientes com paralisia de Bell durante a pandemia e uma forte relação foi encontrada entre a paralisia facial e COVID-19, podendo ser o único sintoma de infecção por COVID-19.

 

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Qual a competência e o comportamento informacional dos universitários em relação à saúde?

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Alfabetização em Saúde Digital e Comportamentos de Busca de Informações com base na Web por Estudantes Universitários na Alemanha durante a Pandemia da COVID-19: Estudo Transversal

DIAS, Elaine

DADACZYNSKI, K.; et al. Digital Health Literacy and Web-Based Information-Seeking Behaviors of University Students in Germany during the COVID-19 Pandemic: Cross-sectional Survey Study. J Med Internet Res.,v. 23, n. 1, p. e24097, Jan. 2021. Doi: 10.2196/24097. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33395396/

Durante a pandemia de COVID-19, as tecnologias de comunicação digital vêm desempenhando um papel importante na estratégia de comunicação em saúde pelos governos e pelas autoridades de saúde pública. A Internet e as redes sociais tornaram-se fontes importantes de informações sobre saúde relativas ao coronavírus e a formas de proteção contra o vírus.

Além disso, a infodemia com a COVID-19 se espalha mais rápido do que o coronavírus propriamente dito, e interfere nos esforços governamentais de comunicação em saúde. Esse fenômeno coloca as estratégias de saúde pública em risco, razão pela qual a alfabetização digital em saúde é uma competência chave para navegar pelas informações sobre saúde relacionadas ao coronavírus.

O estudo teve como objetivo investigar a alfabetização digital em saúde e o comportamento sobre a busca de informações online durante o estágio inicial da pandemia de coronavírus entre os estudantes universitários na Alemanha.

Foi realizado um estudo transversal com 14.916 estudantes universitários com mais de 18 anos em 130 universidades da Alemanha.  A pesquisa foi online e contemplou questões sociodemográficas e também utilizou as cinco escalas do Instrumento de Letramento Digital em Saúde, que foi adaptado para o contexto específico da COVID-19. O comportamento de busca de informações online foi investigado examinando as fontes empregadas e os tópicos que os alunos pesquisaram em relação ao coronavírus.

Entre as dimensões da alfabetização digital em saúde, as maiores dificuldades foram avaliar a confiabilidade de uma informação (42,3%). Além disso, os entrevistados também indicaram que costumam ter problemas para encontrar as informações que procuram (30,4%). Motores de busca, portais de notícias e sites de órgãos públicos foram usados ​​com mais frequência pelos entrevistados como fontes de busca de informações sobre a COVID-19. Descobriu-se que estudantes do sexo feminino usam mídias sociais e portais de saúde com mais frequência, enquanto estudantes do sexo masculino usam a Wikipedia e outras enciclopédias online e o YouTube com mais frequência. O uso de mídia social foi associado a uma baixa capacidade crítica para avaliar as informações.

O estudo demonstrou que, embora a alfabetização digital em saúde seja bem desenvolvida, ainda existe uma proporção significativa de estudantes universitários que enfrenta dificuldades com determinadas habilidades para lidar com a informação. Há necessidade de fortalecer a alfabetização digital em saúde dos estudantes universitários, mas também melhorar a qualidade da informação sobre saúde na Internet, e além disso implementar estratégias de checagem de fatos online, bem como aumentar a alfabetização em saúde daqueles que produzem e fornecem informação e serviços de saúde online.

Segundo os autores, as universidades podem, por exemplo, oferecer cursos sobre alfabetização digital em saúde e informações sobre saúde para seus funcionários e alunos, bem como divulgar notícias confiáveis ​​sobre coronavírus por meio de seus canais online.

O estudo realizado fornece conhecimento que pode ajudar os tomadores de decisão a desenvolverem políticas e programas que promovam comportamentos saudáveis, planejarem medidas preventivas e promoverem a adesão às políticas.

A alfabetização digital em saúde capacitará estudantes universitários e todos os outros grupos populacionais para terem maior controle na prevenção da COVID-19 e na sua disseminação, o que, por sua vez, provavelmente poderá levar a melhores resultados em saúde.

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Como o exercício físico influencia a evolução dos pacientes com COVID-19 ?

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A Capacidade Máxima de Exercício é Inversamente Relacionada à Hospitalização pela Doença do Coronavírus 2019

SOUZA, Valdênia

BRAWNER, C. A.  et al.  Inverse Relationship of Maximal Exercise Capacity to Hospitalization Secondary to Coronavirus Disease 2019, Mayo Clinic Proceedings, v. 96, n. 1, p. 32-39, Jan. 2021. Doi: 10.1016/j.mayocp.2020.10.003. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025619620311307

Neste estudo retrospectivo e observacional, os autores testaram a hipótese de que a capacidade máxima de exercício seria um item independente de risco e inversamente relacionado à hospitalização por COVID-19. Foram incluídos adultos maiores de 18 anos que, por uma indicação clínica, completaram um teste de esforço entre 1 de janeiro de 2016 a 29 de fevereiro de 2020 e tiveram um teste para SARS-CoV-2 entre 29 de fevereiro e 30 de maio de 2020, com hospitalização em no mínimo 30 dias após. A exclusão dos pacientes era se o teste de esforço era incompleto.

A detecção do SARS-CoV-2 foi realizada usando teste de reação em PCR.

O esforço físico foi ergométrico em esteira, eco de estresse e teste de exercício cardiopulmonar.  Antes do teste, o histórico médico, prontuário e entrevista eram realizados e o protocolo do exame de acordo com a escolha do medico, seguindo as diretrizes da Associação Americana do Coração (American Heart Association). A capacidade máxima do exercício foi quantificada em equivalentes metabólicos de tarefas (METs).

Dados complementares eram colhidos para análise de co-variáveis, tais como: hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, asma, acidente vascular cerebral, intervenção percutânea coronariana, cirurgia cardíaca, histórico de câncer, índice de massa corpórea, tabagismo, etc.

Foram analisados os dados de 1.181 pacientes. O tempo médio entre o exame do esforço e o SARS-CoV-2 foi de 2,1 anos. 246 pacientes (21%) com idade média de 59 + 12 anos testaram positivo para SARS-CoV-2. Entre esses pacientes, 89 (36%) foram hospitalizados; e estes pacientes eram mais velhos e mais doentes (hipertensos, diabéticos, renais crônicos, etc.) e com uso de medicamentos (hipolipemiantes, betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, diuréticos, insulina, etc.). Dentre os hospitalizados, 8 foram para a ventilação mecânica e 13 foram a óbito. O MET médio dos pacientes em terapia intensiva, ventilados ou não, ou óbito não teve diferença estatística.

A diferença estatística (p < 0,001) ocorreu entre o pico do MET entre os pacientes hospitalizados e não hospitalizados. Ao separar em quartis de aptidão fisica, a faixa mais baixa (< 5,4 METS) obteve um OR = 3,88 em comparação com o quartil mais alto (> 9,7 METS). Cada unidade de pico de METs foi associada independentemente a 13% menor chance de hospitalização (OR = 0,87; IC 95% = 0,76 – 0,99), porém o declínio foi observado a partir de 13 METs.

Estas descobertas são importantes por poderem colocar a capacidade do exercício como estratégia modificável para prevenção de infecção, especificadamente o exercício regular de intensidade moderada, pois influencia favoravelmente as vias biológicas que estão envolvidas na resposta à infecção, inclusive à COVID-19. Outra importante informação é a capacidade de predizer a hospitalização ou não do paciente positivo.

Em conclusão, a capacidade máxima de exercício, determinada a partir de um teste de esforço antes da infecção por SARS-CoV-2, está independente e inversamente associada com a probabilidade de hospitalização. Esses dados apoiam ainda mais a importante relação entre a aptidão cardiorrespiratória e a saúde. Os pacientes devem ser encorajados a praticar exercícios aeróbicos regularmente, para manter ou melhorar sua capacidade de exercício. Estudos futuros são necessários para determinar se a melhora da capacidade de exercício está associada a um menor risco de complicações devido a infecções virais, como COVID-19.

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Variantes do virus da COVID-19 podem infectar mais?

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Variantes do SARS-CoV-2 501Y.V2 não apresentam maior infecciosidade, mas apresentam escape imunológico

PALMEIRA, Vanila Faber

QIANQIAN LI, et al. SARS-CoV-2 501Y.V2 variants lack higher infectivity but do have immune escape. Cell, v. 184, n. 9, p. 2362. Apr. 2021. DOI: 10.1016/j.cell.2021.02.042 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7901273/pdf/main.pdf

O novo Coronavírus 2019 (SARS-Cov-2), até fevereiro de 2021 já infectou mais de 100 milhões de pessoas, com mais de 2 milhões de mortes em todo o mundo. O SARS-Cov-2 é um vírus de RNA e, como tal, tem grande tendência a sofrer mutações, que levam a alterações de proteínas virais, e com isso ao surgimento de novas variantes do vírus.

Mutações são erros que acontecem na hora da replicação de um vírus, por exemplo, que leva a alterações de proteínas do vírus. Quando a mutação é favorável, ela rapidamente torna-se presente na maioria dos vírus circulantes. Desde o início da pandemia pelo SARS-Cov-2 no final de 2019, novas variantes do vírus originado em Wuhan têm sido descritas em vários locais pelo mundo. Pesquisas têm sido realizadas com o intuito de determinar se essas variantes vêm tornando-se mais infecciosas, ou são capazes de causar infecções mais graves, ou se conseguem escapar do sistema imune. No trabalho os autores foram atrás de buscar respostas para algumas dessas perguntas, em relação à variante que surgiu na África do Sul em outubro de 2020.

É importante ressaltar que, quanto mais pessoas infectadas, maior é a pressão seletiva (qualquer conjunto de condições ambientais que origina o favorecimento de determinados genes em relação a outros em determinada população) para que mutações ocorram. Por isso, regiões extensas como Brasil, África e Índia são favoráveis ao surgimento de novas variantes do SARS-Cov-2. Os autores investigaram se determinadas mutações da variante originada na África do Sul ainda seriam susceptíveis a neutralização por anticorpos monoclonais e anticorpos policlonais (obtidos de soro de pacientes convalescentes e de camundongos imunizados com vacinas). Além disso, os autores testaram para avaliar uma maior infectividade em células de origem humana e murina.

O que foi percebido pelos experimentos utilizando vírus pseudotipados (não são o SARS-Cov-2 reais circulantes, e sim uma mistura da cepa mutante com um outro vírus) foi que a infectividade aumentou para células de camundongo que super expressavam ECA2, indicando a possibilidade de ampliação de hospedeiros para o vírus. Já para células humanas, a cepa mutante não teve aumento em sua infectividade, mas teve escape do sistema imune. Esses achados sugerem uma redução na capacidade neutralizante de anticorpos monoclonais e, possivelmente, das vacinas. Os autores discutem que os anticorpos monoclonais devem ser desenhados para reconhecimento de mais resíduos, aumentando assim a afinidade de ligação e, incluindo uma maior variedade de epítopos, possibilitando o reconhecimento apesar de mutações virais. Além disso, também foi ressaltado o fato de que estudos sobre a eficiência das vacinas para a novas mutantes devem ser feitos em outros trabalhos.

 

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Qual a proteção da vacina Oxford-AstraZeneca em função da distância em semanas entre as doses?

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Administração de dose única e a influência do momento da dose de reforço na imunogenicidade e eficácia da vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222): uma análise agrupada de quatro ensaios clínicos randomizados

DOLINSKY, Luciana

VOYSEY, M. et al. Single-dose administration and the influence of the timing of the booster dose on immunogenicity and efficacy of ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) vaccine: a pooled analysis of four randomised trials. The Lancet, v. 397, n. 10277, p. 881-891, Fev. 2021. DOI: 10.1016/S0140-6736(21)00432. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)00432

O artigo analisa a imunogenicidade e a eficácia da vacina ChAdOx1 nCoV-19, também conhecida como Oxford-AstraZeneca, com a finalidade de analisar o efeito de uma única dose e a influência do tempo na aplicação da dose de reforço, no caso das duas doses.    

O imunizante Oxford-AstraZeneca é uma vacina de vetor viral, contendo o material genético completo da proteína spike, e sua segurança e imunogenicidade foram determinadas em 4 estudos randomizados, duplo-cego e controlados realizados em 3 diferentes países: Reino Unido, Brasil e África do Sul. A eficácia da administração de 2 doses foi de 70,4, na análise de dados intermediária, e resultou na aprovação para uso emergencial no Reino Unido, respeitando o regime de 2 doses e intervalo de 4 a 12 semanas entre as doses, para maiores de 18 anos. Desde então a vacina foi aprovada para uso em diversos países.

Os estudos iniciais da Universidade de Oxford previam apenas uma dose do imunizante, sendo modificados apenas após a revisão dos dados de imunogenicidade da fase 1, que mostraram aumento de anticorpos neutralizantes após uma segunda dose. Em função dessa modificação no protocolo, vários participantes do estudo inicial escolheram não receber a segunda dose, resultando em uma coorte auto selecionada. Adicionalmente, em função do tempo para manufaturar novas doses, houve atrasos na aplicação da segunda dose. Essas situações acabaram resultando em oportunidade para analisar a imunogenicidade e a eficácia de uma única dose e o efeito do intervalo ampliado entre duas doses.

Foram analisados 3 estudos randomizados, duplo-cego e controlados. Os resultados primários foram infecções sintomáticas para COVID-19, confirmadas por amplificação de ácidos nucleicos, combinadas com pelo menos um sintoma clínico com mais de 14 dias após a segunda dose. Análises secundárias incluíram casos ocorridos mais de 21 dias após a primeira dose e qualquer teste de amplificação positivo. No Reino Unido infecções assintomáticas foram mensuradas semanalmente por exames (swabs) realizados pelos próprios voluntários. Respostas de anticorpos e neutralização com pseudovírus foram resultados exploratórios. As análises estatísticas foram robustas e significativas, com os autores retendo todo controle da pesquisa e da publicação.

Resultados demonstraram eficácia de 66,7% com mais de 14 dias após a segunda dose. Análises exploratórias da eficácia de uma única dose entre o dia 22 e o 90 após vacinação foi de 76% contra casos sintomáticos, sem queda significativa na dosagem de anticorpos. A eficácia de uma dose para qualquer amplificação positiva foi de 63,9%, sugerindo potencial para redução da transmissão. Nos participantes que receberam 2 doses a eficácia foi maior nos casos de intervalo entre doses de 12 semanas ou mais (81,3% contra 55,1% no caso de menos de 6 semanas). Os dados são corroborados pelos resultados de imunogenicidade.

O estudo conclui que o intervalo ideal entre as doses da vacina é de 12 semanas, sem diminuição da proteção nesses 90 dias iniciais. Não há evidências de duração da proteção, sendo recomendada uma segunda dose, que aumenta o nível de anticorpos neutralizantes, e provavelmente é necessária para garantir a proteção por maior período. Esses dados são importantes, pois em locais onde exista pouca disponibilidade de vacina pode se optar por imunizar uma população maior com uma única dose. Estudos recentes sobre adiar a segunda dose para vacinar uma parcela maior da população resultam em aumento imediato da proteção populacional.

A maior relevância do estudo é afirmar que um intervalo maior entre as doses é eficaz, podendo ser estratégico para o controle da pandemia, dada a escassez de insumos e vacinas ao nível mundial. No entanto, é importante salientar que são dados exploratórios que não foram previstos no estudo inicial.

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Como componentes alimentares menos monitorados por agências nutricionais e descartados pela indústria alimentícia podem contribuir para prevenção na COVID-19 ?

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Como componentes alimentares menos monitorados por agências nutricionais e descartados pela indústria alimentícia podem contribuir para prevenção na COVID-19 ?

LETICHEVSKY, Sonia

LAPONOGOV, I.; et al. Network machine learning maps phytochemically rich “Hyperfoods” to fight COVID-19 Human Genomics, v. 15, n. 1, Jan. 2021. Doi 10.1186/s40246-020-00297-x. Disponível em: https://humgenomics.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40246-020-00297-x

Neste artigo os autores propõem combinar tratamentos médicos convencionais com intervenções nutricionais para o tratamento da síndrome respiratória aguda 2 (SARS-CoV-2). Uma opção é o reposicionamento de medicamentos – usar medicamentos já existentes: testados e validados para outras doenças. É uma forma de evitar o desenvolvimento de um novo medicamento e a aprovação regulatória que são processos lentos e custosos. Diversos medicamentos têm sido testados para a COVID-19. Testes com corticosteroide dexametasona comprovaram sua capacidade de reduzir a mortalidade em um terço para pacientes infectados que precisavam de auxílio respiratório. Porém, não há medicamentos clinicamente aprovados ou terapias antivirais para a prevenção de COVID-19 ou tratamento de pacientes sintomáticos não hospitalizados. Estes pacientes vão para casa com orientações básicas, mas permanecem em risco de piora do quadro, principalmente aqueles que apresentam comorbidades, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, que são muitas vezes consequências de hábitos e dietas pouco nutritivas e que são responsáveis por diversas adversidades relacionadas à COVID-19.

A dieta humana é rica em moléculas que possuem um papel tanto na prevenção como no tratamento de doenças virais, ao interagirem com medicamentos e potencializá-los ou ainda agirem como os próprios “medicamentos”. Os autores utilizaram a tecnologia de aprendizagem de máquina (Machine Learning) para identificar potenciais moléculas bioativas em alimentos com ação anti-COVID-19. Os modelos de aprendizagem de máquina foram calibrados, demonstrando que o método conseguiu predizer candidatos anti-COVID-19 dentre medicamentos (5.658 no total) com precisão de 80-85 %. Foram identificados os fármacos candidatos a serem adaptados para o combate da COVID-19, incluindo sinvastatina, atorvastatina e metformina. Finalmente, uma base de dados de 7.694 moléculas bioativas de alimentos foi rodada no algoritmo de aprendizagem de máquina calibrado, e identificou 52 moléculas de diversas classes químicas, incluindo flavonoides, terpenoides, cumarinas e indoles como potenciais agentes para combater a SARS-CoV-2.

A presença e quantidade destas moléculas não é comumente monitorada por agências nutricionais, que geralmente focam em minerais, vitaminas e macronutrientes. Estes compostos possuem gosto amargo e são rotineiramente removidos pela indústria alimentícia para melhorar o sabor. A identificação de constituintes e a consequente definição de “hiperalimentos” ricos fitoquimicamente, com propriedades curativas, pode ser um método seguro e de baixo custo para desenvolver estratégias terapêuticas nutricionais contra muitas doenças, incluindo a COVID-19. A lista de hiperalimentos revelada neste trabalho serve para desenvolver uma nutrição de prevenção. Os alimentos mais promissores encontrados são as frutas pequenas comestíveis (berries – groselha, framboesa, mirtilo, etc.), vegetais crucíferos (repolho, brócolis, etc.), maçãs, frutas cítricas, cebola, alho e feijão, pois são os mais ricos em termos de diversidade e quantidade de moléculas bioativas contra o SARS-CoV-2. Os métodos atuais de prevenção, tratamento e contenção de COVID-19 podem não ser efetivos em conter a taxa de transmissão. Além disso, pacientes não hospitalizados continuam em risco de piora clínica, especialmente os que apresentam comorbidades. Para estes pacientes, há uma necessidade crítica de tratamentos inovadores e com baixo custo. O uso da estratégia de nutrição de precisão é seguro e muito promissor neste contexto. Finalmente, os autores informam que validações clínicas adicionais são necessárias.

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A azitromicina pode trazer benefício na sobrevida de pacientes internados com COVID-19 ?

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Estudo de eficácia da azitromicina em pacientes hospitalizados

MARRA, Flavio Maciel

RECOVERY Collaborative Group. Azithromycin in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. Lancet, v. 397, p. 605-612, Fev. 2021. Doi: 10.1016/S0140-6736(21)00149-5. Disponível em https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S0140-6736%2821%2900149-5

Os efeitos benéficos dos corticosteroides em pacientes com síndrome respiratória aguda grave e COVID-19 sugerem que drogas que suprimem ou modulam o sistema imunológico podem fornecer melhorias adicionais na evolução clínica desses pacientes. Nesse contexto, os macrolídeos também são conhecidos por apresentarem essa atividade imunomoduladora, por reduzirem a produção de citocinas pró-inflamatórias.

O ensaio clínico está incluído no estudo RECOVERY (Randomized Evaluation of COVID-19 Therapy), que investiga se o tratamento com diversos medicamentos ou procedimentos clínicos evitam a morte em pacientes com COVID-19. Esse trabalho, em particular, teve como objetivo avaliar a eficácia e a segurança do uso de azitromicina ou outro macrolídeo, em pacientes internados no hospital com COVID-19.

Trata-se de um ensaio randomizado controlado, aberto e de plataforma adaptativa, realizado em 176 hospitais no Reino Unido. Os pacientes elegíveis foram alocados aleatoriamente em dois braços de estudo – para o padrão usual de cuidado isolado ou padrão usual de cuidado mais azitromicina (500 mg por via oral, sonda nasogástrica ou injeção intravenosa uma vez ao dia por 10 dias ou até a alta). O desfecho primário foi a mortalidade por todas as causas em 28 dias. Desfechos secundários foram também analisados.

Dos 16.442 pacientes inscritos no estudo RECOVERY, 7.763 foram incluídos na avaliação da azitromicina. A idade média dos participantes foi de 65,3 anos e 38% eram mulheres. Foram incluídos no braço da azitromicina 2.582 pacientes e 5.181 para tratamento usual isolado. 

Os resultados mostraram que 561 pacientes (22%) que receberam azitromicina e 1.162 (22%) pacientes alocados para tratamento usual isolado morreram dentro de 28 dias. Nenhuma diferença significativa foi observada na duração da internação hospitalar ou na proporção de pacientes que receberam alta hospitalar com vida, em 28 dias. Entre aqueles que não estavam em ventilação mecânica invasiva no início do estudo, nenhuma diferença significativa foi observada na proporção que atendeu ao desfecho composto de ventilação mecânica invasiva ou morte.

A conclusão é que em pacientes internados em hospital com COVID-19, a azitromicina não melhorou a sobrevida ou outros desfechos clínicos pré-especificados e que o seu uso em pacientes internados no hospital com COVID-19 deve ser restrito a pacientes nos quais há uma indicação antimicrobiana clara.

Embora essa pesquisa não tenha detectado nenhum dano a pacientes individuais que receberam azitromicina, os autores alertam para o risco do uso disseminado de agentes antimicrobianos, em especial a azitromicina, que é classificada pela Organização Mundial da Saúde como um dos antibióticos que têm maior potencial de resistência e devem ser priorizados como alvos principais dos programas de controle de antimicrobianos.

 

 

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