Evidências Covid 19

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Como a COVID-19 pode afetar o cérebro e o desenvolvimento das crianças?

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Neuroinflamação e Desenvolvimento Cerebral: Possíveis Fatores de Risco em Crianças Infectadas com COVID-19

GIESTA, Monica Maria da Silva

CHAGAS, L. S.  et al. Neuroinflammation and Brain Development: Possible Risk Factors in COVID-19-Infected Children. Neuroimmunomodulation, v. 28, n. 1, p. 22-28 [Epub 02 Fev. 2021]. Doi: 10.1159/000512815. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33530091/

A COVID-19 costuma afetar crianças de maneira mais suave do que em adultos. Entretanto, em alguns casos, mesmo após uma sintomatologia leve, os pacientes evoluem para síndrome de inflamação multissistêmica e síndrome neuro inflamatória com substâncias pró inflamatórias afetando a função microglial. Outras condições podem a esta se somar como a ingesta elevada de gorduras, o consumo materno de álcool durante a gravidez, assim como o acometimento tireoidiano da mãe durante este período, fato que muitas vezes passa despercebido  e facilita a possibilidade de passagem pela placenta de agentes inflamatórios maternos para o feto. Estudos demonstram que o vírus SARS-CoV-2 tem um tropismo pelas células neuronais, assim como suas células progenitoras. Esta atração se dá pelos receptores celulares da Enzima de Conversão da Angiotensina 2 (ACE2), por invasão nas células gliais após ligação com a Proteína S da membrana viral. Tal fato tem como consequências as manifestações de dor de cabeça, perda do olfato, alterações da consciência, encefalites e síndromes desmielinizantes.

Embora as crianças sejam menos suscetíveis às formas graves, o artigo levanta a questão do seu impacto a longo prazo, uma vez que a estrutura cerebral está em formação nesta faixa etária, e compara esta infecção a outras causadas por diversos vírus RNA, como ZIKA vírus e Citomegalovírus. Aventa a possibilidade de que a inflamação reacional a estes patógenos pode ser pior que a ação direta dos mesmos sobre as células neuronais, pois estimulam a fagocitose de células nervosas que combatem patógenos e auxiliam na eliminação de restos celulares, além de estimularem a neuroplasticidade necessária a saúde cerebral.

Os autores colocam ainda o papel importantíssimo da dieta no controle da resposta imune. O elevado consumo de gorduras, açúcares e alimentos processados pode levar a obesidade e Diabetes Tipo 2, cada vez mais comuns em crianças. Estes são fatores que, por sua vez, levam a uma inflamação tênue, mas persistente, à desregulação dos receptores e, portanto, ao maior risco para desenvolvimento de quadros mais graves pelo SARS-CoV-2. Também predispõem a um desenvolvimento anormal dos circuitos cerebrais, principalmente me crianças até os 7 anos. Outro ponto levantado pelo artigo é o consumo de álcool durante a gravidez, que pode ocasionar, além das diversas síndromes conhecidas, a queda da imunidade nos recém natos.

Como pontos negativos deste artigo alertamos para a metodologia, pois se trata de uma revisão não sistematizada da literatura. Como pontos virtuosos, este trabalho chama a atenção para possíveis consequências a longo prazo da infecção em crianças pelo SARS-CoV-2, mesmo que estas desenvolvam um quadro agudo inaparente ou suave, fato que deve ser relevado e motivo de pesquisas futuras em estudos adicionais.

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Como as mulheres estão sofrendo maior impacto psicológico durante a pandemia de COVID-19?

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O impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental das mulheres

SCHEINKMAN, Lilian

ALMEIDA, M. et al.  The impact of the COVID-19 pandemic on women’s mental health. Arch Womens Ment Health, v. 23, n. 6, p. 741-748, Dec. 2020. Doi: 10.1007/s00737-020-01092-2 Disponível em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7707813/

A infecção por COVID-19 foi inicialmente relatada em Wuhan, China, em dezembro de 2019 e rapidamente se tornou uma pandemia afetando todos os segmentos da sociedade. O artigo apresenta uma revisão narrativa dos efeitos da pandemia especificamente na saúde mental das mulheres.  A revisão foi feita a partir de artigos publicados até 30 de maio de 2020, nas bases de dados PubMed e Psych Info, em publicações de entidades de saúde representativas (Organização Mundial da Sáude, Center for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos e Nações Unidas) e em comunicados de imprensa.  Os termos utilizados na busca foram “novo coronavirus”, “coronavirus’, “SARS-CoV-2”, “COVID-19”, “violência de gênero”, “violência doméstica ” e “saúde mental”*, usados individualmente e em várias combinações e idiomas. Foram incluídos artigos avaliando como as mulheres são afetadas pela quarentena e isolamento social na pandemia em aspectos como preconcepção, gravidez, pós-parto e aleitamento, além das repercussões no aumento da incidência de violência doméstica.

Estudos da China encontraram aumento significativo de estresse, ansiedade, depressão e estresse pós traumático reportados em mulheres, em relação aos homens. As mulheres têm uma prevalência maior de fatores de risco que podem se intensificar durante a pandemia, incluindo sobrecarga ambiental crônica, transtornos depressivos e ansiosos prévios e violência doméstica.  Além das influências associadas ao papel das mulheres culturalmente, elas também vivenciam estressores relacionados à pandemia, no que diz respeito à reprodução e aos ciclos de vida da mulher, como menor acesso à contracepção, redução do horário de atendimentos médicos, receio de ir ao médico/hospital e cancelamento de procedimentos de pré-natal. Vários casais optaram por adiar os planos de gravidez, alguns suspendendo tratamentos de fertilização em andamento. 

Estudos de diferentes países apontam aumento de prevalência de depressão, ansiedade e uso de substâncias em mulheres grávidas em relação aos índices pré-pandemia  A gravidez e o primeiro ano pós-parto são períodos de maior vulnerabilidade para saúde mental.  Observou-se na revisão risco aumentado de ansiedade, depressão e sofrimento emocional, sobretudo em mulheres com gravidez de alto risco. Entre possíveis causas estariam: vulnerabilidade à infecção, receio de complicações, receio de transmissão fetal do vírus, estresse associado a decisões sobre ir ou não ao hospital para acompanhamento devido ao receio de contágio e redução dos atendimentos presenciais. Falta de diretrizes para o cuidado de mulheres grávidas na pandemia, pouco conhecimento quanto a complicações da infecção por COVID na gravidez e falta de dados definitivos sobre transmissão vertical do SARS-CoV-2 podem também contribuir para aumento do estresse materno.

No pós-parto, foram descritas preocupações como: vulnerabilidade do recém-nascido ao vírus, dúvidas quanto à proximidade segura mãe-bebê e quanto à transmissão viral através do aleitamento, dificuldades em ter ajuda de familiares no cuidado do bebê e receios financeiros nas  situações de desemprego. Nessa fase de alterações hormonais, privação do sono e ajustes na dinâmica familiar, as mulheres se encontram frequentemente sem ajuda familiar ou profissional, devido ao distanciamento social, tendo que lidar com múltiplas funções, por vezes com outros filhos em casa. Encontram-se ainda sem apoio social, importante fator de proteção em relação à depressão pós-parto, situação ainda mais difícil para mães solteiras e em situação de baixa renda. Embora não haja consenso absoluto quanto ao aleitamento, o CDC recomendou que as mulheres usem máscara e lavem as mãos com sabão antes de cada mamada. Em situações de aborto espontâneo, já frequentemente associadas a altos níveis de depressão, ansiedade e sintomas de estresse pós traumático, a decisão de evitar ir ao consultório ou ao hospital pelo receio de contágio pode levar a vários dias de sofrimento físico e mental, com reduzido apoio social.

Isolamento, fechamento de escolas, assumir o cuidado de crianças e idosos, desemprego, tentativas de conciliar trabalho remoto e ensino em casa, entre outros fatores, acrescentam às dificuldades vivenciadas, em alguns casos se traduzindo em maior risco de violência contra crianças. Estratégias recomendadas pelo American Psychological Association para diminuir esses conflitos são realçadas, além da importância da reorganização do tempo e das responsabilidades para prevenir exacerbação de desigualdades de gênero. Esse pode ser um momento também de comportamentos positivos e de aprofundar relações interpessoais desenvolvendo novas habilidades e competências.  Níveis de violência doméstica e taxas de feminicídio cresceram em diversos países, incluindo Brasil. Os números são provavelmente subestimados, pois muitas vítimas estão privadas do contato com o mundo externo por medo de retaliação. Vítimas de violência doméstica, geralmente mulheres, estão mais expostas aos agressores em uma época de enorme estresse psicológico e econômico, tendo menor acesso a locais seguros.  São enfatizados o valor essencial do apoio social, a importância de ajudar as mulheres no desenvolvimento de estratégias para lidar com os filhos e a necessidade de divulgar e manter linhas de atendimento telefônico e abrigos para assistência às mulheres vítimas de violência.   

Nessa excelente revisão, nosso olhar é direcionado para as desigualdades de gênero, acentuadas nesse momento de pandemia. Maior conhecimento das consequências psicológicas da pandemia em mulheres, que podem ser devastadoras, é essencial para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento.

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Como as máscaras faciais são avaliadas em relação a sua eficiência protetora, de forma rápida no contexto da pandemia?

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Um método de triagem rápido para testar a eficiência de máscaras na decomposição de aerossóis

MONTEIRO, Elisabeth Costa

AMEDOLA, L. et al. A rapid screening method for testing the efficiency of masks in breaking down aerosols. Microchemical Journal. v. 157, p. 104928, Sep. 2020 [Epub 3 mai. 2020]. DOI: 10.1016/j.microc.2020.104928. Disponível em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7252045/pdf/main.pdf 

O trabalho desenvolve um sistema de medição para triagem rápida da eficácia de máscaras faciais, profissionais e não-profissionais, atualmente produzidas em mais larga escala no contexto da pandemia de COVID-19, muitas vezes por empresas que desviaram o seu campo de atuação em decorrência da demanda sanitária emergente.

Na Itália, várias indústrias desviaram parte de sua capacidade fabril para a produção de máscaras faciais profissionais e não-profissionais. Para contribuir na avaliação rápida da eficácia dessas máscaras produzidas pelas indústrias reconvertidas, foi desenvolvido um sistema analítico inteligente, com contador óptico de partículas para medir o aerossol que passa através das máscaras faciais, em combinação com uma bomba para simulação da inspiração e expiração. Utilizando o sistema, avaliaram-se máscaras faciais produzidas por indústrias reconvertidas e estes resultados foram comparados aos obtidos na avaliação de máscaras profissionais.

A constatação da contribuição das máscaras faciais cirúrgicas no controle da transmissão do coronavírus determinou aumento significativo da demanda por esses equipamentos de proteção, impulsionando indústrias a alterarem sua cadeia de fabricação para máscaras faciais profissionais e não-profissionais. Na Itália, as máscaras profissionais devem atender a requisitos normativos (EN 14683:2019; EN 149:2009), que necessitam instalação laboratorial complexa e longo tempo de análise. A 2002/657/CE destaca métodos de triagem como ferramentas analíticas úteis para análises rápidas e econômicas. Assim, o desenvolvimento de método de triagem rápida para avaliar máscaras faciais profissionais e não-profissionais pode contribuir para atender à ampla demanda emergente.

Desenvolveu-se um sistema para avaliação da eficiência de filtração de aerossóis através das máscaras faciais, utilizando duas câmaras separadas pela máscara analisada. A primeira câmara é carregada com aerossol e a segunda é conectada a uma bomba de vácuo que simula o ato respiratório. Com o contador óptico avalia-se a porcentagem de partículas bloqueadas pela máscara, medindo-se as partículas na câmara 1 e na câmara 2, após a ação respiratória profunda simulada (vazão de 6 L/min, durante 2 segundos). Cada um dos diferentes tipos de máscaras avaliadas foi medido oito vezes, tanto na inspiração como na expiração simuladas.

Utilizando o sistema desenvolvido, foram realizadas medições em diversos tipos de máscara facial não-profissional e em máscaras profissionais, avaliando-se a resposta tanto na inalação quanto na exalação, usando máscaras diferentes do mesmo lote. A eficiência média de filtração, levando em conta as partículas com diâmetros maiores que 0,28 µm, indicaram que a máscara facial médica apresenta valores superiores a 97 %, e dentre as não-profissionais, apenas as fabricadas com três camadas, principalmente constituídas por TNT (material não-tecido) alcançaram valores superiores a 95 %. Maior eficiência foi observada para partículas com dimensões mais elevadas.

Desenvolveu-se um sistema de medição para a análise laboratorial de máscaras faciais profissionais e não-profissionais, utilizando contador óptico de partículas combinado a uma bomba que simula o ciclo respiratório. Os resultados apontam para maior eficácia das máscaras não-profissionais fabricadas com três camadas de TNT, corroborando com a recomendação antes publicada pelo Politécnico de Milão. O estudo demonstra que o a técnica é capaz de evidenciar em tempo curto a adequação das máscaras faciais, podendo ser empregada como um método de triagem para avaliar as máscaras faciais produzidas nas condições de urgência no atual contexto da pandemia de COVID-19.

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Como a confiança na ciência pode estar relacionada com crenças em teorias conspiratórias?

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Desinformação sobre COVID-19: evidência de perfis latentes diferenciais e uma forte associação com confiança na ciência

COTRIM JUNIOR, Dorival Fagundes

AGLEY, J.; XIAO, Y. Misinformation about COVID-19: evidence for differential latent profiles and a strong association with trust in science. BMC Public Health., v. 21, n. 1, p. 89, Jan. 2021. Doi: 10.1186/s12889-020-10103-x. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33413219/

O artigo objetivou analisar, a partir de uma pesquisa transversal realizada com adultos norte-americanos, a crença em teorias conspiratórias a respeito da COVID-19 (transmissão do vírus por 5G, conspiração da vacina de Bill Gates, desenvolvimento laboratorial do vírus, restrições de liberdade e científica). 660 pessoas participaram da pesquisa, sendo todas questionadas sobre a credibilidade das cinco narrativas selecionadas, orientação política, compromisso religioso, confiança na ciência e itens sociodemográficos. Emergiram quatro perfis distintos de crença e uma das principais conclusões é de que a crença na narrativa que reflete o consenso científico pode não ser mutuamente excludente da crença em desinformação ou em conspirações.

A introdução foi dividida em quatro subitens. Inicialmente contextualizaram a pandemia, os esforços científicos para a divulgação das pesquisas relacionadas e a percepção da comunidade de pesquisadores a respeito da disseminação de desinformação, teorias conspiratórias e informações não verificadas sobre a COVID-19.

Para investigar o problema, identificaram perfis de crenças sobre as narrativas da COVID-19, a partir de Análise de Perfil Latente (LPA), e elencaram as duas hipóteses: (i) há perfis distintos de crenças nos indivíduos em diferentes narrativas relativas à COVID-19; e (ii) a confiança na ciência é menor entre os subgrupos endossadores da desinformação ou conspiração, mesmo após o controle das características sociodemográficas, de orientação política e religiosa.

Quanto aos métodos, a amostra foi de 660 usuários do mTurk dos Estados Unidos com 18 anos ou mais. Foram solicitadas as informações supramencionadas e a avaliação da credibilidade de cada narrativa foi feita a partir da escala tipo Likert, de 1 a 7 (extremamente inacreditável para extremamente confiável), no total de 21 questões. A análise estatística foi realizada em quatro etapas.

Os “Resultados” indicaram uma maior prevalência do sexo masculino (61,82%), de brancos (60,45%), idade média de 24,8 anos e 50,83% graduado. As pontuações médias de orientação política, compromisso religioso e confiança na ciência foram, respectivamente, 4,82, 4,82 e 3,65. Dentre os perfis de crenças em narrativas tivemos que o Perfil 1 (463 pessoas) geralmente acreditava na narrativa científica e tendia a não acreditar em outras. Foram os que menos acreditaram na narrativa 5G e os que mais credibilizaram a narrativa zoonótica para a origem da COVID-19.

O perfil 2 (54 pessoas) considerou todas as declarações altamente plausíveis; o perfil 3 (77 pessoas) relatou credibilidade de baixa a moderada para todas as quatro narrativas e a menor pontuação para a narrativa zoonótica; e o perfil 4 (66) apresentou credibilidade razoavelmente alta para a maioria das narrativas, diferindo-se do perfil 2 por indicar menos plausibilidade na narrativa 5G.

Na “Discussão” foi identificado que a confiança na ciência era menor entre os grupos que relataram alta credibilidade para informações incorretas sobre a COVID-19, o que foi parcialmente suportado pelos resultados.

A pesquisa confirmou outros achados, como o elevado índice de pessoas nos Estados Unidos que acreditam em pelo menos uma teoria da conspiração. Verificou-se ainda que as pessoas céticas em relação à desinformação tendem a acreditar na ciência, que a neutralidade sobre a credibilidade de narrativas mal-informadas não necessariamente se traduz em endosso à científica e que há grupos latentes para as quais a crença na ciência não mutuamente exclui a crença na desinformação.

A crença na ciência parece estar associada a uma menor probabilidade de expressar um padrão de crença endossador de narrativas definitivas ou provavelmente mal-informadas. Ou seja, não é necessariamente irracional para uma pessoa não inserida na pesquisa científica relatar nível mais baixo de confiança na ciência com base na ideia de que certas teorias estão erradas, foram fraudulentas ou estão em progresso.

A pesquisa sugere que construir sistematicamente a confiança na ciência pode ser uma maneira eficaz de proteger a população contra informações incorretas, mostrando como a ciência funciona e a sua confiabilidade.

Dentre as limitações apontadas estão: a irrepresentatividade nacional dos dados, possibilidade de o estudo estar sujeito a viés de variável omitida, e impossibilidade de afirmar qualquer causalidade.

A conclusão sugere que acreditar em desinformação sobre COVID-19 pode não ser mutuamente excludente de acreditar em explicação científica e que a maioria dos que acreditam em desinformação acredita em várias narrativas diferentes.

Por fim, os autores recomendam aumentar a amostra, aferir a possibilidade de replicação, estruturar estudos longitudinais e desenhar experimentos randomizados para determinar se as intervenções breves podem melhorar a confiança na ciência.

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Como a COVID-19 afetou o cuidado de pacientes com urticária aguda e crônica?

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Avalição de pacientes com urticária antes e durante da pandemia de COVID-19: um estudo retrospectivo

ORSINI, Marcela

AKCA, H. M.; TUNCER KARA, K. Evaluation of urticaria patients before and during the period of the COVID-19 pandemic: A retrospective study. Dermatol Ther., v. 34, n.2, p. e14800, Mar. 2021. Epub 2 Fev. 2021. Doi: 10.1111/dth.14800. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33486861/

Após o início da pandemia por COVID-19, muitas patologias ficaram negligenciadas e sem avaliação médica adequada, o que foi evidenciado pela queda da procura de atendimento médico.

Na tentativa de mostrar a diferença no número de atendimentos antes e após o início da pandemia, o presente artigo descreve um estudo retrospectivo que avaliou pacientes atendidos em ambulatório, com o quadro clínico de urticária, ocorridos antes e após o início da pandemia por COVID-19.

Urticária é um quadro de acometimento cutâneo, clinicamente identificada como a formação de lesões avermelhadas, que podem assumir a forma de placas, arredondadas ou não, geralmente acompanhadas de coceiras. Podem ser acompanhadas de edema, inchaço em pálpebras, lábios e recebem o nome de angioedema. São classificados em urticária aguda (UA) quando se tem menos de seis semanas de duração e urticária crônica (UC), quando sua duração é maior que seis semanas.  

Neste estudo avaliou-se o total de 82 pacientes, sendo 57 (69,5%) no período de dezembro de 2019 até fevereiro de 2020 e o restante, 25 (30,5%)  entre março a maio de 2020. O diagnóstico e a classificação da urticária para inclusão dos pacientes no estudo obedeceu aos critérios previstos no EAACI/GA(2)/LEN/EDF/WAO Guideline.

Examinou-se prontuários dos pacientes para avaliar idade, gênero e duração da doença.

A análise estatística foi feita através do programa SPSS, versão 22.0, calculados porcentagens e médias. Testes do X2 e U de Mann-Whitney foram usados. O valor de P<0.5 foi considerado como estatisticamente significativo.

Os resultados mostraram que antes do início da pandemia foram atendidas 4754 consultas por queixas dermatológicas. Destas, 57 foram diagnosticadas como urticária (1,19%). Durante a pandemia e até o término desde estudo, foram atendidas 1564 consultas por queixas dermatológicas, sendo 25 (1,6%) diagnosticadas como urticária. A diferença entre o número total de atendimentos antes e durante a pandemia foi significativa com P<0.1.  Em relação ao gênero, foram avaliados 51 (62,2%) pacientes do sexo feminino e 31 (37,8%) do sexo masculino. A idade média dos pacientes não apresentou diferença estatística entre os grupos de atendimento antes e após início a pandemia (P=0.340) bem como em relação ao gênero (P=0.604). Entre os 82 pacientes avaliados antes do início da pandemia, 23 (40,4%) tinham UA e 34 (59,6%) apresentavam UC; em relação aos pacientes atendidos durante a pandemia, 20 (80%) tinham UA e 5 (20%) tinham UC. A proporção de pacientes atendidos com UA dentre todas as queixas dermatológicas, no período dos três meses após o início da pandemia, foi estatisticamente significativa (P=0.002).

Urticária é um motivo comum de procura de atendimento médico, sendo que cerca de 15% a 20% da população tem pelo menos um quadro agudo da doença em sua vida. Neste trabalho, os autores mostram a queda do número de consultas dermatológicas após o início da pandemia. Entre as consultas realizadas, aquelas com quadro de UA correspondem à maioria. Há dois aspectos que devem ser considerados: o primeiro diz respeito a que só há procura do serviço médico durante a pandemia para avaliação de quadros agudos, com negligência de quadros crônicos, conforme já descrito em outros estudos; segundo, é sabido que infecção por vírus pode ter como sinal inicial o aparecimento de urticária aguda. Portanto, mais estudos merecem ser realizados para definir a relação causal entre urticária e COVID-19.

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Qual a propensão de pessoas com asma e doenças pulmonares em desenvolverem formas mais graves da COVID-19 ?

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A expressão de ACE2 está elevada em células epiteliais das vias aéreas de indivíduos mais velhos e saudáveis do sexo masculino, mas reduzida na asma

PALMEIRA, Vanila Faber

WARK, P.A.B. et al. ACE2 expression is elevated in airway epithelial cells from older and male healthy individuals but reduced in asthma. Respirology., v. 26, n. 5, p. 442-451, Mai. 2021 Epub 17 Jan. 2021. DOI: 10.1111/resp.14003 Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/resp.1400

O Coronavírus 2019, também conhecido como SARS-CoV-2, é o responsável pela doença conhecida como COVID-19, que alberga diferentes manifestações clínicas, incluindo a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA). Inicialmente imaginou-se que pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) seriam mais propensas às formas graves de COVID-19.

Asma e DPOC são doenças que cursam com inflamações pulmonares crônicas, sendo por isso imaginadas como grupos de risco para a COVID-19. Para investigar esta relação, o trabalho analisou amostras de tecido pulmonar (por meio de biópsia endobrônquica de células epiteliais dos brônquios) de pessoas sem doenças de base (grupo controle), de pessoas com asma e de pessoas com DPOC. Estas amostras foram submetidas a dois testes: PCR quantitativo em tempo real (Reação em Cadeia de Polimerase – usado para amplificar o material genético) e imuno-histoquímica (método que usa anticorpos para identificar e localizar proteínas). Estes experimentos tiveram a intenção de mostrar as diferenças de expressão da Enzima Conversora de Angiotensina 2 (ECA2), que é usada pelo Coronavírus 2019 para entrar nas células hospedeiras pulmonares.

O Coronavírus 2019, assim como qualquer vírus, precisa se tornar intracelular para utilizar a maquinaria enzimática da célula hospedeira e assim produzir mais cópias de vírus. Para isto, o Coronavírus 2019 utiliza sua proteína S (derivada de “Spike”), localizada no envelope viral, para se ligar à ECA2 e a outras proteínas celulares, e então ser endocitado pelas células do hospedeiro e se tornar intracelular. No trabalho pessoas com asma e DPOC foram investigadas quanto à expressão de ECA2 (além de outras moléculas envolvidas tanto na entrada como na saída do vírus das células pulmonares). Foi mostrado que pacientes com DPOC tiveram a expressão de ECA2 parecida com o grupo controle, enquanto pessoas com asma tiveram uma expressão de ECA2 reduzida, quando comparadas ao mesmo grupo controle.

O trabalho sugere que a expressão aumentada de ECA2 ocorre principalmente em idosos, e em pessoas do sexo masculino, enquanto que pessoas com asma e DPOC não parecem ser mais susceptíveis às formas graves de COVID-19. No caso de pacientes com asma, isto foi sugerido, pois eles tiveram uma menor expressão de ECA2. Uma das explicações se encontra no fato da asma ter um processo alérgico, tendo seu foco em citocinas como a IL-13, a qual leva a uma regulação negativa da ECA2 pela ADAM-17 (proteína usada pelo Coronavírus 2019 para sair da célula hospedeira), a qual tem foco anti-inflamatório (conforme demonstrado em outros trabalhos).

 

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O tipo de sangue pode aumentar ou diminuir os riscos na infecção da COVID-19 ?

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Fenótipo ABO e infecção por SARS-CoV-2: Existe alguma correlação ?

D’AVILA, Joana

MATHEW, A.; et al. ABO phenotype and SARS-CoV-2 infection: Is there any correlation? 
Infection, Genetics and Evolution
., v. 90, p. 104751, Jun. 2021[Epub 2 Feb 2021]. DOI: 10.1016/j.meegid.2021.104751 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33540085/

Desde o início da pandemia de COVID-19, em março de 2020, diversos estudos vêm demonstrando associações entre determinados grupos sanguíneos e a COVID-19. Mas será que o nosso tipo sanguíneo pode proteger ou aumentar o risco de infecção pelo vírus SARS-CoV-2?

O sistema de grupos sanguíneos ABO, também conhecido como lei de Landstein, consiste em antígenos expressos na membrana das nossas hemácias e outras células, que podem ser do tipo A ou B. Indivíduos podem expressar apenas o antígeno A (tipo A), apenas o antígeno B (tipo B), ambos os antígenos (tipo AB) ou nenhum antígeno (tipo O). Indivíduos tipo A possuem anticorpos naturais contra o antígeno B, e indivíduos tipo B possuem anticorpos contra o antígeno A. Indivíduos do tipo AB não possuem esses anticorpos naturais, e os do tipo O possuem anticorpos contra ambos os antígenos A e B.

Na prática, saber o tipo sanguíneo é importante, pois a pessoa com sangue tipo A rejeita o sangue tipo B, e vice-versa. Já pessoas com sangue tipo O rejeitam sangues dos tipos A, B ou AB. Entretanto, a importância clínica do sistema ABO vai além da questão de compatibilidade para transfusão sanguínea, podendo influenciar também a progressão de infecções, doenças cardiovasculares e câncer.

Alguns estudos indicaram que a proporção de indivíduos com sangue tipo A era maior entre os pacientes com COVID-19, enquanto a proporção de indivíduos com sangue tipo O era menor. O antígeno A é uma glicoproteína que pode interagir com outras glicoproteínas, presentes tanto na membrana da célula hospedeira quanto na proteína S do SARS-CoV-2, facilitando a interação do vírus com a célula hospedeira. Além disso, outros estudos demonstraram que os anticorpos naturais contra o antígeno A podem funcionar como anticorpos neutralizantes, restringindo a ligação do SARS-CoV-2 ao seu receptor na célula hospedeira. Os resultados desses estudos explicam por que pessoas de sangue tipo A seriam mais suscetíveis à COVID-19.

Fatores de coagulação, como o Fator VIII (FVIII) e o fator de von Willebrand (FvW) também estão relacionados aos grupos sanguíneos ABO. O risco de trombose e de embolia pulmonar é maior quando os níveis desses fatores se encontram elevados no plasma. O tromboembolismo pulmonar é uma das mais prevalentes e graves complicações da COVID-19, pois impede o fluxo sanguíneo aos pulmões, dificultando a respiração. Estudos mostraram que indivíduos do tipo O possuem menores níveis de FVIII e FvW, portanto possuem menor risco de desenvolver tromboembolismo.

Este conjunto de dados fornece alguma base científica para explicar porque as pessoas do tipo sanguíneo O seriam menos suscetíveis à COVID-19 e suas complicações, e porque pessoas do tipo sanguíneo A teriam maior risco de desenvolver COVID-19.

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Como a Vitamina D poderia contribuir para proteger a imunidade em casos de COVID-19 com fatores de risco?

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Explorando a ligação entre a vitamina D e os resultados clínicos em COVID-19

GIESTA, Monica Maria da Silva

LOHIA, P.; et al. Exploring the link between vitamin D and clinical outcomes in COVID-19. Am J Physiol Endocrinol Metab. v. 320, n. 3, p. E520-E526, Mar. 2021. [Epub 6 Jan. 2021] Doi: 10.1152/ajpendo.00517.2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33404354/

Publicações prévias mostraram o papel imunológico da vitamina D na resposta imunológica contra vírus e bactérias, além da sua ação em evitar exacerbações agudas nas doenças respiratórias. Baseados nesses estudos, os autores buscam a associação entre o papel imunomodulatório da vitamina D e o prognóstico clínico na COVID-19, realizando um estudo de coorte onde retrospectivamente foram medidos seus níveis de vitamina D no último ano. Os pacientes foram agrupados em 2 categorias: aqueles com níveis inferiores a 20 ng/ mL e aqueles acima de 20 mg/mL relacionando-os com desfechos mais críticos da doença como morte, necessidade de intubação, embolias e internações em UTI.

A vitamina D tem ação nas junções celulares, aumenta a imunidade inata, induz a produção de peptídeos antibacterianos, diminui a liberação de substâncias pró inflamatórias, modula a resposta imunológica adaptativa, tem papel antioxidante e regula o Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona. Como tais fatores estão presentes na gênese da tempestade imunológica dos casos graves de COVID-19, os autores investigam a correlação entre seus níveis e o desenvolvimento de casos mais graves.  O trabalho foi desenvolvido inicialmente em pacientes confirmados com COVID-19, no Detroit Medical Center e no Wayne State University Institutional Review Board, maiores centros acadêmicos do sudeste de Michigan. De março a junho de 2020 foram avaliados 2001 pacientes com PCR positivo, excluindo menores de 18 anos, grávidas e pacientes que não possuíam registro dos índices de vitamina D no ano anterior, resultando finalmente em 270 pacientes a serem investigados.

A análise estatística consequente evidenciou uma média de idade de 63,8 anos, 43% de indivíduos masculinos, 80% de negros, 70% dos participantes com mais de 3 condições de comorbidades, 50% dos pacientes obesos. Destes participantes, 35% apresentavam níveis baixos de vitamina D, e neste grupo apenas 27% haviam realizado a suplementação.

Dos 270 pacientes, 81% precisaram de internação, 26,7% evoluíram para óbito, 14% necessitaram de internação em UTI, 81% necessitaram de suplementação de oxigênio e 21% de ventilação mecânica.

Como conclusão, os autores colocam que não houve associação entre os níveis de vitamina D e os desfechos mais graves das patologias. Tal conclusão corrobora com os estudos contraditórios prévios sobre o benefício da suplementação.

Como pontos negativos, o estudo seleciona uma coorte de pacientes com muitos vieses: pacientes predominantemente negros, distribuição heterogênea entre homens e mulheres, seleção de participantes com comorbidades já bem definidas como fatores de mal prognóstico para COVID-19 e um grupo com 80% de indivíduos com baixos índices de vitamina D, dos quais poucos foram suplementados. O estudo, além disso, não aborda quando foi feita tal suplementação, por quanto tempo e se foi feita até mesmo durante o período de desenvolvimento da doença.

Como pontos positivos, o artigo traz uma leitura acessível para leigos e profissionais de saúde, relaciona compreensivelmente as hipóteses levantadas e aborda a necessidade de outros estudos que possam confirmar ou refutar o benefício da suplementação.

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Em quais aspectos a vacina Sputnik difere das demais e quais os seus resultados?

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A corrida de 2020 para vacinas específicas contra SARS-CoV-2

DOLINSKY, Luciana

KARPIŃSKI, T. M. et al. The 2020 race towards SARS-CoV-2 specific vacines. Theranostics, v.11, n.4, p.1690-1702, Jan 2021. DOI:10.7150/thno.53691. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33408775

O artigo analisa a segurança e a eficácia da vacina Sputnik na prevenção da COVID-19. Os dados analisados são preliminares e se referem a um estudo clínico randomizado de fase 3 contemplando cerca de 20.000 indivíduos.

A pandemia vem resultando em esforços globais para o desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes para a prevenção da COVID-19. Há vacinas de vírus atenuados, vacinas baseadas em vetores, vacinas de RNA e de nanopartículas proteicas recombinadas. A vacina Gam-COVID-Vac, conhecida popularmente como Sputnik, utiliza dois vetores de adenovírus diferentes para minimizar a resposta imune prévia aos componentes do vetor; fator que pode ocorrer quando são utilizados adenovírus como carreadores de antígenos. Dessa forma é esperada maior resposta ao antígeno do SARS-Cov-2, no caso o gene responsável pela síntese da proteína S viral.

Os autores realizaram um estudo de fase 3 randomizado, duplo-cego, com controle placebo e multicêntrico. Os participantes foram randomizados na proporção de 3:1 para receber vacina ou placebo, com estratificação por faixa etária. Todos os participantes selecionados haviam testado negativo para o SARS-Cov-2 (RT-PCR e Sorologia IgG/IgM). A vacina foi administrada pela via intramuscular em duas doses, com intervalo de 21 dias entre ambas, sendo a primeira com o vetor rAd26 e a segunda com o rAd5; ambos os vetores carregando o gene completo da glicoproteína S viral. Os participantes foram monitorados quanto à infecção e também quanto à ocorrência de efeitos adversos durante todo o estudo.

Resultados estatísticos com diversas abordagens revelaram eficácia superior a 87% em todos os subgrupos estratificados por idade e sexo e eficácia de 73,1% após a primeira dose. A eficácia contra a COVID-19 nos graus de moderada ou severa gravidade foi de 100%. Análises preliminares demonstraram indução de resposta imune, com detecção de anticorpos específicos em 98% de 342 indivíduos vacinados e soroconversão de 98,25%. No grupo placebo a soroconversão foi de 14,91%. A imunidade celular também foi verificada em uma parcela da amostra, revelando que os vacinados possuíam níveis mais altos de interferon gama após reestimulação antigênica. Não foram observados efeitos colaterais graves relacionados com a vacina.

Os resultados preliminares da fase 3 de ensaios clínicos da vacina Gam-COVID-Vac demonstraram eficácia de 91,6% para a prevenção da COVID-19. Embora os estudos não tenham sido desenhados para análise de eficácia de uma única dose, foi possível observar efeito protetor parcial. A vacina induziu resposta humoral e celular em todas as idades, incluindo indivíduos acima de 60 anos, e não foram relatados efeitos adversos graves no grupo que recebeu o imunizante.

O estudo tem como ponto relevante a alta eficácia observada, bem como a ausência de efeitos colaterais graves. Há limitações no estudo, incluindo grupos reduzidos por faixa etária e análise apenas dos sintomáticos para cálculo da eficácia.

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Como os comportamentos pró-sociais podem contribuir para o bem-estar emocional durante a pandemia?

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Usando comportamento pró-social para salvaguardar a saúde mental e promover o bem-estar emocional durante a pandemia de COVID-19: um protocolo de relatório registrado para um ensaio clínico randomizado

MARTINHO, Alfredo

MILES, A.; et al. Using prosocial behavior to safeguard mental health and foster emotional well-being during the COVID-19 pandemic: A registered report protocol for a randomized trial. PLoS One, v. 16, n. 1, p. e0245865, Jan. 2021. Doi: 10.1371/journal.pone.0245865 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33503045/

Os efeitos de longo prazo da pandemia de COVID-19 tornaram a saúde mental uma preocupação urgente de saúde pública e, pesquisadores estruturaram um protocolo de pesquisa num volume grande e aleatório de pessoas no Canadá e nos EUA.

O objetivo é comprovar hipóteses de que atos que beneficiem outras pessoas tenham impactos positivos na felicidade e na saúde mental dos indivíduos, comparados com atos chamados neutros ou autofocados.

Sabe-se que as medidas rígidas para minimizar o contato entre indivíduos, em um esforço para conter a propagação da infecção na pandemia, embora seja uma abordagem de sucesso, o preço do isolamento na saúde mental, provavelmente, será alto.

As primeiras evidências da China sugeriam que esses temores estavam se concretizando; imediatamente após as medidas de bloqueio, entrevistados chineses relataram níveis moderados a altos de estresse, bem como altas taxas de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, sintomas depressivos e perturbações do sono.

Pesquisas mais recentes conduzidas em contextos canadenses, americanos e holandeses também mostram tendências em direção ao agravamento da saúde mental e maior sofrimento em pessoas de diversas idades conforme a pandemia se desenvolve.

Portanto, há uma forte necessidade de estratégias eficientes, eficazes e de baixo custo para preservar a saúde mental, que possam ser implantadas de forma rápida e ampla.

Atos que se concentram em beneficiar os outros – conhecidos como comportamentos pró-sociais – oferecem uma abordagem promissora; benefícios das atividades pró-sociais têm sido bem fundamentados na literatura.

A maioria das pesquisas sobre comportamento pró-social e emoções examinou felicidade ou índices de afeto positivo. Poucos estudos examinaram os efeitos de atos gentis em outras formas de bem-estar emocional ou indicadores específicos de saúde mental.

O estudo reproduz trabalhos anteriores, examinando os efeitos pró-sociais sobre a felicidade e, em seguida, os amplia, contribuindo para o pequeno corpo de pesquisas que avaliam os efeitos pró-sociais em três resultados adicionais: felicidade, ansiedade e depressão.

Serão examinados os efeitos do comportamento pró-social usando uma intervenção experimental de 3 semanas, seguida por uma avaliação de acompanhamento em 5 semanas, que fornecerá insights sobre a durabilidade dos efeitos pró-sociais.

Esta intervenção será incluída em uma pesquisa maior destinada a abordar várias questões relacionadas ao comportamento pró-social e à pandemia de COVID-19.

No início do estudo, será medido o bem-estar emocional com base na felicidade e sensação de que a vida é valiosa e a saúde mental dos participantes, medida como ansiedade e depressão.

Estudos publicados sobre comportamento pró-social provavelmente sofrem de viés de pequenas amostras. Foi realizada uma análise para determinar o tamanho da amostra necessária para detectar um tamanho de efeito adequado. No entanto, caso a amostragem inicial não produzir um tamanho de amostra suficiente, repetirão o procedimento de amostragem a cada semana até obterem um número suficiente de respondentes.

A pesquisa busca avaliar três tipos de atos (pró sociais, neutros e autocentrados) relacionando-os à felicidade (sensação de que a vida é valiosa) e doença mental (ansiedade e depressão) para tentar responder a quatro hipóteses, indicando como cada ato desse influencia essa relação.

Esses atos são ações descritas de forma sucinta na pesquisa como ações do dia a dia dos que responderam à pesquisa. Ações pró sociais são ações que beneficiem alguém; ações autocentradas são as que beneficiem a si próprio; e neutras são ações simples, cotidianas.

Esse trabalho é uma pesquisa em evolução, a ser atualizada à medida em que os resultados forem sendo codificados numa base estatística relevante.

No relatório final, o texto será atualizado conforme necessário para refletir quaisquer alterações das análises exploratórias e para descrever com precisão os processos de decisão. A introdução das análises exploratórias em termos gerais está descrita na seção de métodos e, a seguir, o fornecimento de detalhes completos na seção de resultados que ainda não haviam sido registrados até a publicação.

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