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Microbiota intestinal e Covid-19: possíveis vínculos e implicações

FABER, Vanila

DHAR, Debojyoti;  MOHANTY, Abhishek. Gut microbiota and Covid-19- possible link and implications. Virus Research, v. 285, p. 198018, Mai. 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7217790/pdf/main.pdf

Existe uma relação entre a composição da microbiota intestinal  e o perfil imunológico dos indivíduos. O presente estudo fez uma correlação entre a infecção pelo Coronavírus 2019 com a alteração da microbiota intestinal e sobre o possível uso da alimentação como profilaxia e/ou complemento do tratamento em paciente com Coronavírus.

A composição da microbiota intestinal modula o perfil imunológico do organismo humano, entre os perfis pró-inflamatórios  e os anti-inflamatórios . O tipo de micro-organismo presente no intestino pode jogar esse balanço para um polo ou para o outro polo. Sabendo que os pulmões também possuem microbiota, o artigo procurou fazer uma relação do eixo intestino-pulmão, sugerindo o potencial da alimentação como uso profilático e/ou complementar ao tratamento dos pacientes com infecção pelo novo Coronavírus. Ou seja, que a alimentação poderia contribuir para se evitar ou para se recuperar de uma infecção pelo Coronavírus.

A Disbiose intestinal, desequilíbrio da flora bacteriana intestinal, ocorre quando existe um predomínio de micro-organismos das famílias Enterobacteriaceae e Clostridiaceae (bactérias do “mal”) e uma redução dos micro-organismos das famílias Bifidobacteriaceae e Lactobacillaceae (bactérias do “bem”). As bactérias ditas do “bem” são assim chamadas porque conseguem converter os carboidratos não digeríveis (como as fibras vegetais) em ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), os quais reduzem o perfil inflamatório do ser humano hospedeiro. Os alimentos podem auxiliar na manutenção e/ou na substituição de um tipo de microbiota intestinal, podendo interferir no equilíbrio entre os perfis pró e anti-inflamatórios.

Devido à existência do eixo intestino-pulmão, a inflamação em um desses órgãos interfere diretamente no perfil inflamatório no outro. Por exemplo, a infecção pelo novo Coronavírus teria potencial de alterar a microbiota intestinal, sendo perceptível através dos quadros de diarreia que alguns pacientes apresentam. Além disso, pacientes que possuam algum grau de disbiose intestinal, como idosos, e pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 são considerados grupo de risco para a infecção pelo novo Corornavírus. O tipo de microbiota intestinal pode ser alterada através do consumo de pró-bióticos  e pré-bióticos. Por isso, o artigo defende que através de alimentos funcionais possa ser feita uma profilaxia, e até um complemento do tratamento em pessoas com o novo Coronavírus.