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Movendo rio acima a educação e o comportamento em saúde: lições da COVID-19 para lidar com os fatores estruturais das desigualdades em saúde

MONT'ALVÃO, Cláudia

PANUGANTI, B. A. et al. Moving Health Education and Behavior Upstream: Lessons From COVID-19 for Addressing Structural Drivers of Health Inequities. Health Education & Behavior, v. 47, n. 4 p. 519–524, Aug. 2020. DOI: 10.1177/1090198120929985. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32408770/

Dentro de uma perspectiva de justiça social e tradições emancipatórias, assim como o comprometimento no campo do conhecimento e de promoção da equidade em saúde, os autores dissertaram no artigo sobre as lições e oportunidades para a educação em saúde a partir da pandemia de COVID-19.

O estudo examinou os padrões de morbidade e mortalidade que emergiram durante a pandemia na região metropolitana de Detroit, com impactos desproporcionais nas comunidades afro-americanas e de baixa renda. Os autores consideraram condições de vulnerabilidade em três áreas – ambiente, ocupação, e moradia – que moldou a exposição e o acesso a críticos recursos de proteção à saúde. Os pesquisadores usaram uma estrutura de curso de vida para examinar os impactos duradouros da pandemia para os indivíduos, famílias e comunidades, e sugerir estratégias e ações de promoção da equidade em saúde a longo prazo.

A apresentação da pesquisa é iniciada com a descrição de padrões da infecção da COVID-19 e a mortalidade na região metropolitana de Detroit, e com o exame de determinantes estruturais da exposição e da vulnerabilidade como fatores contribuintes para riscos desproporcionais para afro-americanos e comunidades de baixa renda. Os autores argumentam que a pandemia de COVID-19 revela iniquidades duradouras e persistentes, que geram níveis desproporcionalmente altos de exposição e impactos adversos à saúde. E examinaram como a pandemia contribuiu para o aumento das disparidades de saúde, intensificando os riscos sociais e econômicos ao longo da vida.

Quando a pandemia de COVID-19 chegou ao estado de Michigan, as áreas de Detroit City, Wayne County, e Oakland County totalizavam quase metade dos casos do estado (58,8%), com alto índice de mortalidade, o que não foi surpresa aos pesquisadores. Em abril de 2020, os números da COVID-19 em Michigan indicavam que a população de afro-americanos, que representam 11% da população, somava 32% dos casos e 41% dos óbitos.

Já em relação às famílias de baixa renda, menores recursos para a armazenagem de alimentos resultaram em idas mais frequentes aos mercados e bancos de alimentos, o que aumentou a exposição dessas pessoas. Além desse cenário, também se verificou a incidência da doença em imigrantes ilegais vulneráveis.

Ainda que o governador do Michigan tenha atuado de forma ágil para restaurar o fornecimento de água ocorrido em função de contas não pagas, muitas famílias ficaram sem água, o que as impossibilitava de tomar uma precaução simples e efetiva – lave as mãos – aumentando o risco de contágio.

Esses fatores enfatizam fortemente a necessidade e a responsabilidade dos educadores em saúde de “nadarem contra a corrente”, ao reconhecer e abordar a pobreza e o racismo como fatores estruturais das iniquidades da COVID-19.

A partir das informações obtidas, os autores apontaram que os educadores em saúde devem apoiar outras ações estratégicas, para garantir a segurança dos trabalhadores e de suas famílias. E ainda, que os educadores em saúde podem trazer dados que demonstrem a natureza crítica de tais ações para famílias com crianças pequenas, para quem os impactos colaterais adversos da instabilidade habitacional (perdas de redes sociais e interrupções nas oportunidades educacionais) são susceptíveis de se agravar ao longo do curso de vida.

Os autores concluíram com uma discussão sobre as oportunidades estratégicas para educadores em saúde, trabalhando em parceria com entidades comunitárias e pesquisadores; usando, por exemplo, uma abordagem de pesquisa participativa de base comunitária (Community Based Participatory Research – CBPR), para enfocar mudanças estruturais que, no curto prazo, reduzem os efeitos adversos da pandemia e, a longo prazo, podem reduzir as persistentes desigualdades raciais, étnicas e socioeconômicas em saúde.