Evidências Covid 19

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Como os nutrientes com propriedades farmacêuticas podem ajudar a proteger as pessoas da evolução da COVID-19 ?

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A estratégia de impulsionar o sistema imunológico sob a pandemia COVID-19

PALMEIRA, Vanila Faber

ALAGAWANY, M. et al. The Strategy of Boosting the Immune System Under the COVID-19 Pandemic. Front Vet Sci. V. 7, Jan. 2021. DOI: 10.3389/fvets.2020.570748 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7820179/pdf/fvets-07-570748.pdf

A influência dos micronutrientes (vitaminas e minerais) na resposta imune já é bem conhecida. Por isto, durante a atual pandemia do Coronavírus 2019, vem sendo discutido como os nutracêuticos, que seriam uma combinação de nutrientes com propriedades farmacêuticas (compostos bioativos dos alimentos com benefícios ao organismo) poderiam prevenir e até mesmo ajudar a tratar a COVID-19.

Devido à indisponibilidade de tratamentos específicos para combater o SARS-CoV-2, e pelo fato das vacinas ainda serem insuficientes em todo o mundo, a comunidade científica vem buscando auxílios alternativos, como por exemplo, nos alimentos. Sabe-se que a desnutrição (nutrientes insuficientes ao bom funcionamento do organismo) é responsável por taxas aumentadas de infecção e pelo aumento de recuperação retardada após a ocorrência de uma infecção.

Tendo em vista que os casos mais graves de COVID-19 têm relação com um sistema imune descompensado, levando a uma inflamação descontrolada, e como vitaminas e minerais interferem diretamente na resposta imune, os autores discutem como os nutracêuticos podem contribuir diretamente para a prevenção e o combate à COVID-19.

A maior gravidade da COVID-19 está associada principalmente a pessoas com alguma alteração da resposta imunológica, como idosos e obesos. O primeiro grupo de pessoas tem total relação com a senescência, que é a possibilidade do envelhecimento sadio. Dentre as alterações esperadas do envelhecimento está a imunossenescência, que é uma resposta imune diferente, com alteração nos perfis funcionais das células do sistema imunológico. Já a obesidade é uma doença inflamatória crônica; ou seja, nos dois casos de evolução existe uma desregulação prévia do sistema imune do hospedeiro. Além disso, esses dois grupos têm a tendência natural de ter um desequilíbrio nos micronutrientes, como vitaminas e minerais.

As vitaminas C, D e E são de suma importância na resposta imune, possuindo desde uma ação na secreção de citocinas, até um potencial antioxidante, o que contribui, dentre outras coisas, para manter a integridade de células de mucosa. Reforça dessa maneira as barreiras naturais do corpo, bem como auxilia a controlar o potencial de reação pró-inflamatória. Com os minerais, os fitogênicos e os probióticos não é diferente, porque todos têm potencial efeito no controle do perfil inflamatório do hospedeiro, além de terem ações antimicrobianas diretas. Por isso, os nutracêuticos vêm sendo apontados como potenciais auxiliares ao combate da atual pandemia pelo Coronavírus 2019.

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Como a Vitamina D pode proteger os pacientes com COVID-19 na sua evolução clínica?

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Efeitos da vitamina D na infecção e no prognóstico por COVID-19: uma revisão sistemática

PALMEIRA, Vanila Faber

YISAK, H. et al. Effects of Vitamin D on COVID-19 Infection and Prognosis: A Systematic Review. Risk Manag Healthc Policy, v. 14, p. 31. Jan. 2021. DOI: 10.2147/RMHP.S291584 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7800698/pdf/rmhp-14-31.pdf

A vitamina D já é bem conhecida como sendo muito importante para a saúde de ossos, além de interferir na saúde do sistema cardiovascular e do sistema imunológico. Devido à grande dificuldade de se formular um tratamento específico e definitivo para a COVID-19, o uso de vitamina D como possível auxílio ao combate à pandemia pelo Coronavírus 2019 vem sendo discutido.

A maior parte da vitamina D no nosso corpo vem da exposição da pele ao sol, sendo que só uma pequena parcela vem da alimentação. A vitamina D é uma substância lipossolúvel, e, portanto, para ser absorvida, é necessária a presença de lipídios, além de bile e suco pancreático. A cada dia mais, as pessoas apresentam redução nos seus níveis séricos de vitamina D, o que pode estar envolvido com várias patologias, como doenças cardiovasculares, e maior risco de adquirir infecções, principalmente do trato respiratório, como gripe, e também atualmente contrair COVID-19. Por este motivo, os autores buscaram resumir e relacionar a concentração sérica de vitamina D com a COVID-19 através de revisão da literatura.

Em todo o mundo os benefícios da vitamina D, para além dos já conhecidos efeitos ósseos, vêm sendo muito discutidos pela sociedade científica. Sabe-se que esta vitamina modula a produção de citocinas, a ativação de linfócitos T e de células fagocíticas, tendo por este motivo um perfil anti-inflamatório, ajudando desta forma a equilibrar a resposta imune. Assim, ela pode ajudar a manter a resposta imune sob controle durante a evolução da COVID-19. Pessoas obesas e com idade avançada têm, naturalmente, sua vitamina D sanguínea reduzida e, este pode ser um, dentre vários motivos, para que as formas graves e, eventualmente, os óbitos na COVID-19 estejam relacionados a este grupo.

Os autores discutem quais trabalhos mostraram a redução da incidência das formas graves da COVID-19 em pacientes com níveis normais de vitamina D, em comparação com aqueles com presença de hipovitaminose. Também foi levantado na pesquisa da revisão sistemática que pacientes que foram suplementados com altas doses da forma ativa da vitamina D (calcitriol) tiveram menos necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI). Como parece haver uma relação entre COVID-19, gravidade e mortalidade com respeito à dose de vitamina D no sangue dos pacientes, deve-se pensar em manter essa concentração normalizada, seja de maneira natural ou por meio de suplementação, para auxiliar ao combate dessa pandemia por COVID-19.

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Como componentes alimentares menos monitorados por agências nutricionais e descartados pela indústria alimentícia podem contribuir para prevenção na COVID-19 ?

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Como componentes alimentares menos monitorados por agências nutricionais e descartados pela indústria alimentícia podem contribuir para prevenção na COVID-19 ?

LETICHEVSKY, Sonia

LAPONOGOV, I.; et al. Network machine learning maps phytochemically rich “Hyperfoods” to fight COVID-19 Human Genomics, v. 15, n. 1, Jan. 2021. Doi 10.1186/s40246-020-00297-x. Disponível em: https://humgenomics.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40246-020-00297-x

Neste artigo os autores propõem combinar tratamentos médicos convencionais com intervenções nutricionais para o tratamento da síndrome respiratória aguda 2 (SARS-CoV-2). Uma opção é o reposicionamento de medicamentos – usar medicamentos já existentes: testados e validados para outras doenças. É uma forma de evitar o desenvolvimento de um novo medicamento e a aprovação regulatória que são processos lentos e custosos. Diversos medicamentos têm sido testados para a COVID-19. Testes com corticosteroide dexametasona comprovaram sua capacidade de reduzir a mortalidade em um terço para pacientes infectados que precisavam de auxílio respiratório. Porém, não há medicamentos clinicamente aprovados ou terapias antivirais para a prevenção de COVID-19 ou tratamento de pacientes sintomáticos não hospitalizados. Estes pacientes vão para casa com orientações básicas, mas permanecem em risco de piora do quadro, principalmente aqueles que apresentam comorbidades, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, que são muitas vezes consequências de hábitos e dietas pouco nutritivas e que são responsáveis por diversas adversidades relacionadas à COVID-19.

A dieta humana é rica em moléculas que possuem um papel tanto na prevenção como no tratamento de doenças virais, ao interagirem com medicamentos e potencializá-los ou ainda agirem como os próprios “medicamentos”. Os autores utilizaram a tecnologia de aprendizagem de máquina (Machine Learning) para identificar potenciais moléculas bioativas em alimentos com ação anti-COVID-19. Os modelos de aprendizagem de máquina foram calibrados, demonstrando que o método conseguiu predizer candidatos anti-COVID-19 dentre medicamentos (5.658 no total) com precisão de 80-85 %. Foram identificados os fármacos candidatos a serem adaptados para o combate da COVID-19, incluindo sinvastatina, atorvastatina e metformina. Finalmente, uma base de dados de 7.694 moléculas bioativas de alimentos foi rodada no algoritmo de aprendizagem de máquina calibrado, e identificou 52 moléculas de diversas classes químicas, incluindo flavonoides, terpenoides, cumarinas e indoles como potenciais agentes para combater a SARS-CoV-2.

A presença e quantidade destas moléculas não é comumente monitorada por agências nutricionais, que geralmente focam em minerais, vitaminas e macronutrientes. Estes compostos possuem gosto amargo e são rotineiramente removidos pela indústria alimentícia para melhorar o sabor. A identificação de constituintes e a consequente definição de “hiperalimentos” ricos fitoquimicamente, com propriedades curativas, pode ser um método seguro e de baixo custo para desenvolver estratégias terapêuticas nutricionais contra muitas doenças, incluindo a COVID-19. A lista de hiperalimentos revelada neste trabalho serve para desenvolver uma nutrição de prevenção. Os alimentos mais promissores encontrados são as frutas pequenas comestíveis (berries – groselha, framboesa, mirtilo, etc.), vegetais crucíferos (repolho, brócolis, etc.), maçãs, frutas cítricas, cebola, alho e feijão, pois são os mais ricos em termos de diversidade e quantidade de moléculas bioativas contra o SARS-CoV-2. Os métodos atuais de prevenção, tratamento e contenção de COVID-19 podem não ser efetivos em conter a taxa de transmissão. Além disso, pacientes não hospitalizados continuam em risco de piora clínica, especialmente os que apresentam comorbidades. Para estes pacientes, há uma necessidade crítica de tratamentos inovadores e com baixo custo. O uso da estratégia de nutrição de precisão é seguro e muito promissor neste contexto. Finalmente, os autores informam que validações clínicas adicionais são necessárias.

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Como a nutrição afeta o sistema imunológico e propicia maior proteção?

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Probióticos, prebióticos e abordagens dietéticas durante a pandemia de COVID-19

FARHA, Jorge

HU, J.; et al. Review article: Probiotics, prebiotics and dietary approaches during COVID-19 pandemic. Trends in Food Science & Technology, v.108 p. 187–196, Fev. 2021 [Epub 14 dez. 2021]. DOI: 10.1016/j.tifs.2020.12.009. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33519087/

No presente trabalho os autores empreendem um estudo bibliográfico aprofundado sobre o tema Probióticos, Prebióticos e tipos de dieta, no esforço de identificar o impacto que essas abordagens exercem sobre a evolução e prognóstico da infecção pelo SARS Cov-2.

Probióticos são um conjunto de bactérias reconhecidamente benéficas ao organismo humano e prebióticos são nutrientes da dieta com propriedade de estimular o desenvolvimento e a função das bactérias probióticas.

No contexto atual da pandemia de COVID-19, onde as opções disponíveis de tratamento são muito limitadas, há uma demanda por intervenções efetivas que previnam ou reduzam a susceptibilidade à doença ou pelo menos diminuam a severidade da mesma.

O trato gastrointestinal é considerado o maior órgão imunológico do corpo humano, sendo local de residência de trilhões de microrganismos (denominados no seu conjunto de Microbiota Intestinal, incluindo bactérias, vírus, leveduras e fungos). Estes por sua vez têm papel chave no metabolismo e na resposta imune do hospedeiro e precisamente por isso tem se constituído num potencial alvo para novas terapias.

Em janeiro de 2020 a Comissão Nacional de Saúde da China e a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa passaram a recomendar o uso de probióticos nos pacientes com COVID-19, para melhorar a composição da microbiota intestinal e prevenir a ocorrência de infecções secundárias.

Diversas alterações na composição da microbiota intestinal são observadas nos pacientes obesos, diabéticos e idosos com COVID-19, e o uso de probióticos no combate ao SARS Cov-2 teria a finalidade de estimular a função dos linfócitos T e aumentar a atividade fagocitária dos leucócitos, além de preservar a permeabilidade da membrana basal. Em geral o mau prognóstico está associado ao aumento da permeabilidade da membrana basal, permitindo a passagem de microrganismos invasores e também a reduzida diversidade da microbiota intestinal.

Existe evidência de que na COVID-19 ocorre aumento do número de germes oportunistas e redução dos benéficos. Algumas bactérias, como Bacteroidetes species, atuam na eliminação do vírus dificultando o acesso do mesmo aos receptores ECA-2 (receptores da membrana onde se fixa o vírus para penetrar na célula).  Por outro lado, algumas bactérias estão associadas aos casos de evolução mais severa da COVID-19. Os autores citam ainda 7 cepas bacterianas que podem ser consideradas como biomarcadores da COVID-19.

Os Prebióticos são fibras alimentares, cuja fermentação oferece nutrientes para o desenvolvimento e ativação das bactérias probióticas; essas fibras contribuem para a melhora de diversas doenças, como alterações de colesterol e triglicerídeos, doença cardiovascular, diabetes tipo II, resistência à insulina, obesidade, entre outras. Observou-se que Frutanos e Galactanos, subprodutos da fermentação dos prebióticos, reduzem infecções respiratórias em crianças quando acrescentados aos alimentos. Há citação de diversas evidências de interação dos prebióticos com o mecanismo de resposta imune do hospedeiro, impactando positivamente na evolução de várias doenças.

Nesse contexto, a abordagem nutricional e dietética assume importância crucial na restauração da microbiota saudável. Múltiplos alimentos são citados como fontes de prebióticos e outros são citados como estimuladores das bactérias patogênicas. Esses alimentos benéficos, além de agirem sobre as bactérias probióticas, têm ação anti-inflamatória e antioxidante. Nutricionistas canadenses, por exemplo, recomendam dieta à base de frutas, vegetais, proteínas e grãos integrais para fortalecer o sistema imunológico.

A resposta da microbiota intestinal à infecção pelo SARS-Cov-2, o papel dessa microbiota na imunidade pulmonar nos pacientes infectados, o papel dos probióticos nesse mesmo contexto e as abordagens dietéticas e nutricionais para restauração da microbiota saudável são abordados com detalhes.

Uma dezena de estudos em andamento em diversos centros de pesquisa na Europa, América do Norte e Asia são citados com tipo de estudo, sujeitos do estudo, tamanho de amostra, tipo de intervenção, duração e primeiros desfechos. Esta revisão traz ainda extensa referência bibliográfica sobre o tema, dando assim uma boa visão sobre a dimensão e complexidade desse vasto universo que começa a ser explorado.

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Como a Vitamina D poderia contribuir para proteger a imunidade em casos de COVID-19 com fatores de risco?

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Explorando a ligação entre a vitamina D e os resultados clínicos em COVID-19

GIESTA, Monica Maria da Silva

LOHIA, P.; et al. Exploring the link between vitamin D and clinical outcomes in COVID-19. Am J Physiol Endocrinol Metab. v. 320, n. 3, p. E520-E526, Mar. 2021. [Epub 6 Jan. 2021] Doi: 10.1152/ajpendo.00517.2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33404354/

Publicações prévias mostraram o papel imunológico da vitamina D na resposta imunológica contra vírus e bactérias, além da sua ação em evitar exacerbações agudas nas doenças respiratórias. Baseados nesses estudos, os autores buscam a associação entre o papel imunomodulatório da vitamina D e o prognóstico clínico na COVID-19, realizando um estudo de coorte onde retrospectivamente foram medidos seus níveis de vitamina D no último ano. Os pacientes foram agrupados em 2 categorias: aqueles com níveis inferiores a 20 ng/ mL e aqueles acima de 20 mg/mL relacionando-os com desfechos mais críticos da doença como morte, necessidade de intubação, embolias e internações em UTI.

A vitamina D tem ação nas junções celulares, aumenta a imunidade inata, induz a produção de peptídeos antibacterianos, diminui a liberação de substâncias pró inflamatórias, modula a resposta imunológica adaptativa, tem papel antioxidante e regula o Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona. Como tais fatores estão presentes na gênese da tempestade imunológica dos casos graves de COVID-19, os autores investigam a correlação entre seus níveis e o desenvolvimento de casos mais graves.  O trabalho foi desenvolvido inicialmente em pacientes confirmados com COVID-19, no Detroit Medical Center e no Wayne State University Institutional Review Board, maiores centros acadêmicos do sudeste de Michigan. De março a junho de 2020 foram avaliados 2001 pacientes com PCR positivo, excluindo menores de 18 anos, grávidas e pacientes que não possuíam registro dos índices de vitamina D no ano anterior, resultando finalmente em 270 pacientes a serem investigados.

A análise estatística consequente evidenciou uma média de idade de 63,8 anos, 43% de indivíduos masculinos, 80% de negros, 70% dos participantes com mais de 3 condições de comorbidades, 50% dos pacientes obesos. Destes participantes, 35% apresentavam níveis baixos de vitamina D, e neste grupo apenas 27% haviam realizado a suplementação.

Dos 270 pacientes, 81% precisaram de internação, 26,7% evoluíram para óbito, 14% necessitaram de internação em UTI, 81% necessitaram de suplementação de oxigênio e 21% de ventilação mecânica.

Como conclusão, os autores colocam que não houve associação entre os níveis de vitamina D e os desfechos mais graves das patologias. Tal conclusão corrobora com os estudos contraditórios prévios sobre o benefício da suplementação.

Como pontos negativos, o estudo seleciona uma coorte de pacientes com muitos vieses: pacientes predominantemente negros, distribuição heterogênea entre homens e mulheres, seleção de participantes com comorbidades já bem definidas como fatores de mal prognóstico para COVID-19 e um grupo com 80% de indivíduos com baixos índices de vitamina D, dos quais poucos foram suplementados. O estudo, além disso, não aborda quando foi feita tal suplementação, por quanto tempo e se foi feita até mesmo durante o período de desenvolvimento da doença.

Como pontos positivos, o artigo traz uma leitura acessível para leigos e profissionais de saúde, relaciona compreensivelmente as hipóteses levantadas e aborda a necessidade de outros estudos que possam confirmar ou refutar o benefício da suplementação.

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Como o estilo de vida saudável e as doenças pré-existentes podem influenciar na evolução clínica da COVID-19 ?

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Exercício, sistema imunológico, nutrição, doenças respiratórias e cardiovasculares durante COVID-19: uma combinação complexa

MARTINHO, Alfredo

SCUDIERO, O. et al. Exercise, Immune System, Nutrition, Respiratory and Cardiovascular Diseases during COVID-19: A Complex Combination. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 18, n. 3, p. 904, Jan. 2021. Doi: 10.3390/ijerph18030904 . Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijerph18030904

O artigo apresenta uma revisão da literatura que busca esclarecer a influência dos exercícios intensos, da nutrição, das doenças respiratórias e cardiovasculares pré-existentes durante as infecções pelo Sars CoV-2, causador da COVID-19, um patógeno de animal (RNA vírus), capaz também de infectar humanos.

A família dos coronavírus infectam diferentes espécies de seres vivos, sendo uma ameaça global que apresenta os sintomas mais comuns da infecção pelo Sars CoV-2: febre, dor de cabeça, tosse, dificuldades respiratórias e diarreia. Em alguns casos, esses sintomas podem permanecer silenciosos; em outros, a manifestação é violenta, a ponto de causar pneumonias graves, dispneia, insuficiência renal e até óbito. Os pacientes mais vulneráveis ​​a infecções têm doenças pré-existentes, imuno-comprometimento por efeitos de nutrição, exercícios físicos, e predisponentes genéticos.

O estado nutricional do hospedeiro, o estilo de vida, as práticas de exercícios físicos não foram consideradas, até recentemente, como fator contribuinte para o surgimento de doenças infecciosas virais, por terem influência no sistema de defesas do organismo. 

O sistema imunológico, que apresenta imunidade inata e adquirida, é um complexo de células, tecidos e órgãos com funções específicas de defesa.

A imunidade inata está presente desde o nascimento, incluindo tanto as barreiras do corpo quanto proteínas, que atuam como reguladores e mediadores da resposta inflamatória do corpo; a imunidade adquirida se desenvolve durante o primeiro ano de vida, com respostas que o organismo customiza de acordo com o agente estranho.

Revisando observações relacionadas aos exercícios de intensidade moderada, os resultados foram “imuno-intensificadores”, responsáveis ​​por uma redução na inflamação e aumento da imunovigilância.

Por outro lado, observaram-se mudanças negativas nos níveis e na função de muitos componentes do sistema imunológico em resposta a exercícios intensos e prolongados. 

Durante esta fase, chamada de “janela aberta”, o hospedeiro ficou mais sensível a microorganismos como vírus e bactérias com maior risco de contrair infecções.

Esse modelo acima não pode ser aplicado a atletas de elite, na verdade, pois uma alta carga de treinamento nesses atletas está associada a um menor risco de infecções.

Quanto à nutrição, que desempenha um papel essencial no desenvolvimento e manutenção do sistema imunológico, observou-se que deficiências nutricionais aumentam a suscetibilidade a infecções e que um bom estado nutricional pode prevenir infecções.

Nas observações sobre o envolvimento cardíaco na infecção por COVID-19 verificaram-se 2 expressões: (1) lesão direta ao coração e (2) efeitos das comorbidades cardíacas no prognóstico da infecção, com uma elevada taxa de mortalidade. 

Uma análise criteriosa (meta-análise) de pacientes com COVID-19 relatou uma prevalência de hipertensão, doença cardiovascular e cerebrovascular e diabetes (comorbidades) nos pacientes que necessitaram de internação em terapia intensiva.

Observou-se também, uma primeira evidência de que um fundo genético predisponente pode contribuir para a suscetibilidade e/ou gravidade de doenças entre os indivíduos; essas variantes podem ser responsáveis ​​por diferentes respostas do hospedeiro à infecção por COVID-19. 

Uma nutrição adequada e um estilo de vida saudável, acompanhados de exercícios moderados, são os pontos-chave na saúde.

Outros pontos importantes analisados na revisão foram sobre reabilitação, terapia preventiva e controle.

A intensidade e a duração da reabilitação dependem, em geral, do tempo de internação, objetivando melhorar a dinâmica respiratória, neutralizar problemas musculoesqueléticos e neuropsicológicos.

Não há terapia comprovada para a prevenção ou tratamento de COVID-19; a imunoterapia (ou seja, imunoglobulinas e terapia de plasma) tem o potencial de representar uma opção terapêutica eficiente.

Para o controle, além dos exames comumente realizados, testes rápidos são importantes para identificar microrganismos patogênicos agressivos, como o da COVID-19, garantindo o monitoramento de atletas e cidadãos comuns, a fim de salvaguardar sua saúde e a daqueles que os rodeiam.

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Como o tipo de alimentação pode exercer uma ação negativa na saúde e aumentar os riscos em relação à COVID-19 de alguns grupos de pessoas?

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O impacto da nutrição na suscetibilidade à COVID-19 e nas consequências de longo prazo

PESSANHA, Katia Maria de Oliveira Gonçalves

BUTLER, M. J. ; BARRIENTOS, R. M. The impact of nutrition on COVID-19 susceptibility and long-term consequences. Brain Behav Immun, v. 87 p. 53-54, Jul. 2020. DOI: 10.1016/j.bbi.2020.04.040 . Disponível em : https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32311498/

Dentro dos grupos mais afetados pela pandemia de COVID-19 estão os idosos e aqueles com condições médicas subjacentes, como obesidade e Diabetes Mellitus (DM) tipo 2. A dieta ocidental (Western Diet – WD), rica em gorduras saturadas, açúcares e carboidratos refinados, predispõe ao DM tipo 2 e à obesidade, colocando essa população em risco aumentado para o desenvolvimento e para a maior mortalidade por COVID-19.

Dados foram coletados em um centro de informações sobre COVID-19 disponibilizado  por Elsevier Connect, validado pelo PubMed e também pela WHO COVID database, que mantém informações sobre esta pandemia e seus desdobramentos para fins de pesquisa.

A  mortalidade por COVID-19 e o desenvolvimento de doença grave são muito mais altos em idosos, minorias sub-representadas e naqueles pacientes com comorbidades subjacentes. A alta prevalência da obesidade e do DM tipo 2, como principais fatores de risco associados à COVID-19 em todo o mundo, é provavelmente impulsionada pelo aumento do consumo da dieta ocidental típica, que consiste em grandes quantidades de gordura saturada (HFD), carboidratos refinados, açúcares e baixos níveis de fibras, gorduras insaturadas e antioxidantes.

A WD, rica em ácidos graxos saturados (SFAs),  leva à ativação crônica do sistema imunológico inato e à inibição do sistema imunológico adaptativo, desencadeando estímulo de vias de sinalização inflamatórias com  produção de  mediadores pró-inflamatórios. Cita-se, a partir desta dieta WD, aumento da infiltração de macrófagos no tecido pulmonar, bastante  relevante para pacientes com COVID-19, dado o envolvimento da inflamação do tecido pulmonar e do dano alveolar nesta patologia.

O consumo de WD com HFD inibe a função dos linfócitos no sistema imune adaptativo, por aumentar o estresse oxidativo, contribuindo para imunodepressão das células B  envolvidas na defesa do hospedeiro contra o vírus. Portanto, o consumo de WD prejudica a imunidade adaptativa, enquanto aumenta a imunidade inata, levando à inflamação crônica e comprometendo a defesa do hospedeiro contra patógenos virais. Dado que os idosos e as comunidades afro-americanas têm uma maior sensibilidade inerente aos moduladores inflamatórios, o consumo de dietas não saudáveis pode representar um risco maior para COVID-19 grave.

Percebe-se que altas taxas de obesidade e diabetes entre as populações minoritárias podem ser responsáveis pelas disparidades de saúde em resposta à COVID-19 nesses grupos. Os dados sugerem que as dificuldades de acesso a escolhas alimentares saudáveis, provavelmente devido ao aumento das taxas de pobreza, contribuem para a maior carga de doenças crônicas nessas comunidades. Estudos mostram que consumir alimentos saudáveis tem um efeito anti-inflamatório rápido, mesmo na presença de obesidade.

Os autores citam a possibilidade de haver consequências indiretas da doença a longo prazo, como dano pulmonar potencial e possíveis impactos na função neurológica, já  que eventos inflamatórios periféricos evocam uma resposta neuroinflamatória exagerada e persistente em indivíduos vulneráveis. Além disso, existe uma associação bem conhecida entre os níveis patológicos de neuroinflamação e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e outras formas de demência, o que poderia  acontecer devido à COVID-19.

Concluindo, é fundamental considerar o impacto dos hábitos de vida, como o consumo de dietas não saudáveis, sobre a suscetibilidade à COVID-19 e sua recuperação. Além disso, a recuperação de COVID-19 pode levar ao aumento nas condições médicas crônicas, que serão agravadas por dietas não saudáveis, especialmente em  populações vulneráveis. Os autores recomendam que os indivíduos evitem alimentos ricos em gorduras saturadas e açúcar e consumam maiores quantidades de fibras, grãos inteiros, gorduras insaturadas e antioxidantes, para aumentar a função imunológica.

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Como deve ser o cuidado com a nutrição de pacientes idosos com câncer, que são acometidos pela COVID-19?

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Abordagem da Nutrição em Pacientes com Câncer no Contexto da Pandemia da Doença do Coronavirus 2019 (COVID-19): Perspectivas

COHEN, Larissa

GARÓFOLO, A.; QIAO, L.; MAIA-LEMOS, P.D.S. Approach to Nutrition in Cancer Patients in the Context of the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pandemic: Perspectives. Nutr Cancer. n.22, p.1-9, jul. 2020. DOI: 10.1080/01635581.2020.1797126. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32696665/

Grande parte dos óbitos relacionados à Síndrome Respiratória Aguda Grave por coronavírus (SARS-CoV-2) ocorrem em indivíduos idosos, dos quais, a maioria apresenta comorbidades (imunossupressão e obesidade). Pacientes em tratamento de câncer seguem em imunossupressão e estão suscetíveis a grande risco de infecção por COVID-19.

A imunossupressão predispõe os pacientes à infecção, hiper-inflamação secundária à infecção, o que contribui para morbidade e mortalidade. Nos pacientes com câncer, o suporte nutricional melhora a função imune e combate a inflamação, logo, reduz a gravidade de doenças inflamatórias.

O objetivo deste artigo de revisão é apresentar conhecimento atual sobre a abordagem nutricional em relação ao câncer no cenário da COVID-19.

Pacientes com câncer desenvolvem distúrbios metabólicos devido à resposta inflamatória secundária a tumor, infecção ou complicações do tratamento anticâncer. Alguns cursam com caquexia e outros com obesidade de acordo com o tipo de câncer, e ambas as situações ativam mediadores pró-inflamatórios. A COVID-19 também desencadeia resposta inflamatória. Nesse sentido, a enzima conversora de angiotensina 2  localiza-se como receptor funcional para SARS-CoV-2 e é expressa no epitélio pulmonar. Ademais, a morte de macrófagos alveolares aumenta a inflamação e o numero de linfócitos está reduzido nos pacientes com COVID-19. Controlar a inflamação é uma estratégia efetiva para reduzir a gravidade da COVID-19.

Uma busca sistemática da literatura na Medline, na base de dados PubMed, foi realizada entre 22 de março de 2020 e 6 de maio de 2020, usando as palavras-chave “COVID-19”, “coronavírus”, “câncer”, “inflamação ”, “Probióticos”, “vitamina D” e “prevenção nutricional”. Considerando a urgência do tema e a necessidade de aumentar a sensibilidade da pesquisa, uma revisão da literatura mais ampla foi realizada usando as mesmas palavras-chave no Google Scholar, para capturar as publicações mais recentes.

Essa revisão apontou que a incidência de câncer aumenta com a idade, e que idosos constituem o grupo mais afetado pela COVID-19, possivelmente devido ao processo de “Inflammaging” (inflamação com o envelhecimento) que predispõe idosos a piores desfechos da COVID-19.

Quanto aos aspectos nutricionais relacionados ao câncer e à COVID-19, dietas anti-inflamatórias, como a Mediterrânea, ricas em antioxidantes, fibras e ácidos graxos poli-insaturados ômega 3, aumentam a resistência e a recuperação da infecção por SARS-CoV-2. Probióticos utilizados no câncer reduzem taxas de infecção e complicações, bem como auxiliam na profilaxia da COVID-19. Outro fator nutricional que promove ação de defensinas e a baixa replicação viral é a vitamina D; por isso, sugere-se sua suplementação durante a pandemia da COVID-19, principalmente em pessoas com comorbidades, como câncer.

A revisão discutiu a intervenção nutricional que se deve considerar na abordagem para o tratamento da COVID-19. Práticas alimentares saudáveis, incluindo alimentos anti-inflamatórios (ricos em ômega-3), pré e probióticos, suplementação de vitamina D, bem como modificações dietéticas para reduzir a obesidade, são condutas preventivas eficazes no controle da hiper-inflamação, que melhoram a função do sistema imunológico.

Da mesma forma, faz-se necessária essa visão nutricional nos pacientes com câncer, a fim de reduzir danos fisiológicos de estados pró-inflamatórios e o fardo das doenças crônicas e, secundariamente, para prevenir e minimizar a gravidade da COVID-19.

Esta resenha pertence ao grupo sobre:

Como o nutriente magnésio pode influenciar na imunidade de pacientes com COVID-19 ?

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Combatendo a COVID-19 e Construindo Resiliência Imune: Um Papel Potencial para a Nutrição de Magnésio?

QUINTELLA, Patricia

TAYLOR C Wallace. Combating COVID-19 and Building Immune Resilience: A Potential Role for Magnesium Nutrition?  J Am Coll Nutr, v.39, n.8,  p. 685-693, nov.-Dec.2020. DOI:10.1080/07315724.2020.1785971 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32649272/

Nesta revisão, é demonstrado o papel bioquímico que o magnésio desempenha na patogênese da COVID-19, e sua relação com interleucina-6, importante alvo para o tratamento da doença. Monitorar positivamente o status do íon magnésio se mostra uma estratégia eficaz para influenciar a contração e a progressão da doença.          

É fundamental que a terapia nutricional seja implantada rápida e adequadamente, evitando o impacto negativo da desnutrição em pacientes com infecção. Múltiplos micronutrientes (vitaminas C e E, cobre, zinco e outras substâncias) têm sido recomendados para a mitigação e o tratamento adjuvante da resposta inflamatória induzida pela COVID-19. Porém, duas características são relevantes para o aspecto nutricional, em relação ao magnésio: a tempestade de citocinas, manifestada pela elevação da interleucina-6 e da proteína C reativa, e a hipocalemia. Nesta perspectiva, justifica-se que o monitoramento do status do magnésio, e sua reposição, possam influenciar a resiliência imunológica, bem como a morbimortalidade do paciente.

O coronavírus tem sido responsável por complicações clínicas generalizadas e alterações metabólicas profundas, devido às ações de citocinas pró-inflamatórias. A deficiência subclínica de magnésio está associada ao aumento na inflamação crônica de baixo grau, através de marcadores de disfunção endotelial (interleucina-6, fator de necrose tumoral-α, proteína c reativa, entre outros). Ao mesmo tempo, as defesas antioxidantes do corpo se esgotam em resposta às citocinas elevadas, resultando em aumento do processo inflamatório e do dano tecidual. A resposta imunológica exerce alto custo metabólico e nutricional para um indivíduo com COVID-19, que depende principalmente de vitaminas e minerais essenciais para atender às necessidades bioquímicas.

A presente revisão demonstra a prevalência de alterações nutricionais entre pacientes com COVID-19, que apresentam deficiências subclínicas de magnésio, hipocalemia secundária a hipomagnesemia e deficiência leve de vitamina D. Por ser o magnésio raramente monitorado no ambiente clínico, a hipomagnesemia dificilmente é detectada, mas tem sido demonstrada sua contribuição para o desenvolvimento e para a gravidade da hipocalemia. Dados clínicos são sugestivos do impacto negativo para o sistema imunológico causado pela cascata de citocinas inflamatórias, influenciada pelo déficit desses nutrientes, de forma isolada ou simultânea.

O autor do estudo recomenda a inclusão de alimentos que sejam fonte de magnésio e pequena suplementação, na prevenção e no tratamento durante os estágios iniciais da COVID-19 (quando os sintomas são leves) com potencial benéfico para o paciente. Quando possível, preferir a medição de magnésio iônico total no sangue, por ser um indicador mais sensível do que magnésio sérico. A vitamina D demonstrou reduzir o risco de infecções através de vários mecanismos, sendo sugestiva a suplementação de uma quantidade mínima diária, ou conforme prescrição médica.

Consumir alimentos ricos em nutrientes seguindo as diretrizes dietéticas é fundamental para apoiar a resiliência do sistema imunológico.

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Como a Vitamina D pode contribuir para diminuir os riscos de gripe e de COVID-19 ?

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Evidência que a Suplementação de Vitamina D poderia reduzir o Risco de Influenza e Infecções e Mortes por COVID-19

PALMEIRA, Vanila Faber

GRANT, W. B. et al. Evidence that Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths. Nutrients, 2020, v. 12, n. 4, Abr. 2020. doi:10.3390/nu12040988 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7231123/pdf/nutrients-12-00988.pdf

A vitamina D se destaca, entre os micronutrientes, por ter inúmeros relatos descrevendo suas ações e benefícios no corpo humano. Como, por exemplo, a modulação da resposta imune. Por isso, essa vitamina vem sendo discutida como importante aliada contra as infecções respiratórias, como a gripe pelo vírus Influenza e a infecção pelo Coronavírus 2019.

Nas infecções do trato respiratório a causa de morte, normalmente, está associada aos quadros clínicos de pneumonias (inflamações do tecido pulmonar). Dentre essas infecções destaca-se a gripe, que é causada pelo vírus influenza, bem como a COVID-19 que é causada pelo Coronavírus 2019. Em ambas as infecções ocorre uma ativação do sistema imune do hospedeiro, de maneira a gerar uma inflamação que pode ser descontrolada. Por este motivo o uso de suplementação de vitamina D vem sendo cogitado, uma vez que esta vitamina tem potencial de modular a resposta imune do hospedeiro, e poderia ajudar a reduzir a tempestade de citocinas, principalmente na COVID-19.

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel (se dissolve em gordura) que possui receptores nucleares, regulando desta maneira a expressão gênica. Para que um indivíduo possa adquirir a vitamina D é preciso, ou consumir alimentos ricos nesta vitamina, como queijos amarelos e ovos, ou ficar exposto ao sol em horário que este está mais alto no céu (perto ao meio dia), para que possa produzir a sua vitamina D no corpo. A partir da exposição ao sol, o indivíduo produz um derivado da vitamina D, que precisará passar por processo de transformação no fígado e nos rins, para só então ser produzido o calcitriol, que é a forma ativa dessa vitamina.

A vitamina D possui a capacidade de reduzir as infecções, incluindo as do trato respiratório, principalmente através da modulação da resposta imune do hospedeiro. Na imunidade celular, a vitamina D aumenta a secreção de peptídeos antimicrobianos e reduz a tempestade de citocinas. Na imunidade adaptativa, a vitamina D modula a resposta, para aumentar o perfil Th2 (anti-inflamatório) e reduzir o perfil Th1 (pró-inflamatório). Com isso, a vitamina D permite que a inflamação aconteça, mas sob controle, para evitar lesões teciduais. Apesar de muitos estudos mostrando sua importância, sua suplementação precisa ser mais bem estudada a fim de se determinar concentrações de uso para que se possa evitar as infecções do trato respiratório.

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