Evidências Covid 19

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Quais cuidados a serem tomados pelo anestesista com paciente que dá entrada no hospital?

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Surto de um novo coronavírus: o que o anestesista deve saber

CARNEVALE, Renata

PENG, P. W. H.; HO, P. L.; HOTA, S. S. Outbreak of a new coronavirus: what anaesthetists should know. Br J Anaesth., v. 124, n. 5 p. 497-501, 2020. Doi: 10.1016/j.bja.2020.02.008. Disponível em https://bjanaesthesia.org/article/S0007-0912(20)30098-2/fulltext

O artigo foi publicado em fevereiro de 2020 em uma revista britânica direcionada para anestesistas. O objetivo é apresentar informações sobre o início da epidemia de coronavirus e enfatiza na necessidade da cuidados e proteção individual dos anestesistas, especialmente no momento da intubação orotraqueal.

Em dezembro de 2019, iniciou um surto de pneumonia de origem desconhecida em Wuhan, China. Em janeiro, cientistas chineses confirmaram que o surto estava sendo causado por um coronavirus, posteriormente chamado de SARS-CoV-2. A Organização Mundial de Saúde declarou estado de emergência em 30 de janeiro de 2020, devido à alta transmissibilidade da doença. Apesar das medidas de controle adotadas internacionalmente, o número de casos continuou crescendo.

O SARS-Cov-2 é um vírus RNA envelopado. Até o momento, sete coronavírus humanos foram identificados, incluindo os responsáveis pela transmissão da SARS e da MERS. O vírus é transmitido por gotículas respiratórias, que podem atingir até 2 metros de distância. O período de incubação é de 1 a 14 dias, sendo mais comum 5 dias. A média de transmissão de cada indivíduo infectado é estimada em 2,68. Os sintomas mais comuns são febre e tosse.

Existem várias semelhanças entre os coronavírus do SARS, da MERS e 2019-nCoV. Os três podem causar síndrome da angústia respiratória e morte. O último caso de SARS ocorreu em 2003. Ainda há casos de MERS reportados esporadicamente. A rápida identificação genômica do SARS-CoV-2 permitiu que o exame de cadeia polimerase em tempo real fosse desenvolvido para diagnóstico da doença. A agilidade na identificação dos casos permite que medidas de saúde pública sejam tomadas, evitando a maior contaminação.

O que anestesistas precisam saber? Durante a epidemia de SARS, 21% dos infectados foram profissionais de saúde. O uso de equipamentos de proteção individual e medidas de controle de dispersão de aerossol ajudam a proteger o profissional de saúde. A intubação orotraqueal, se realizada com a proteção correta não representa um aumento de contaminação para quem a realiza.

O paciente com suspeita de COVID-19 deve ser transferido para uma área apropriada e os seguintes cuidados devem ser tomados: i) o local deve ser ventilado ou preferencialmente ser equipado com sistema de pressão negativa; ii) o paciente deve usar máscara cirúrgica durante o transporte; iii) o staff envolvido deve usar o equipamento de proteção adequado; iv) higiene das mãos antes e após o contato com o paciente; v) o número de profissionais deve ser o mínimo possível para fornecer um atendimento adequado ao paciente.

Em relação aos equipamentos de proteção individual, sempre que exposto a ambiente que possa haver geração de aerossol, deve-se utilizar máscara PFF2 ou similar, óculos de proteção, luvas, capote impermeável. Atenção especial deve ser prestada à retirada e ao descarte do equipamento de proteção individual. A manipulação errada pode aumentar o risco de contaminação.

A fim de minimizar a geração de aerossóis, alguns cuidados devem ser tomados: i) o manejo da via aérea deve ser feito pelo anestesista mais experiente; ii) usar filtro hidrofóbico; iii) pré-oxigenar com oxigênio a 100%, e evitar o uso do ambu; iv) caso seja necessário ventilar com ambu, usar volumes correntes reduzidos; v) intubação com paciente acordado por broncoscopia deve ser evitado; vi) intubação orotraqueal é preferível do que máscara laríngea; vii) uso de ventilação não invasiva deve ser evitado ou medidas para diminuir dispersão devem ser adotadas.

É importante considerar que este artigo foi publicado em fevereiro. Nos últimos meses muita informação sobre o tema foi gerada. Os dados estatísticos do artigo precisam ser reconsiderados para a realidade atual. A orientação para proteção de profissionais de saúde permanece relevante e deve ser aplicada principalmente no manejo da via aérea.

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Quais os pontos principais observados no manejo do tratamento hospitalar dos casos com pneumonia por COVID-19 ?

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Tratamento hospitalar de pneumonia da COVID-19: uma abordagem prática na perspectiva hospitalista

MARRA, Flavio Maciel

CUTLER, T.S.; EISENBERG, N.; EVANS, A.T. Inpatient Management of COVID-19 Pneumonia: a Practical Approach from the Hospitalist Perspective. J Gen Intern Med., p.1-4, Jun. 2020 [Epub antes da impressão]. Doi: 10.1007/s11606-020-05927-7. Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32500328

A pandemia da COVID-19 gerou um aumento de admissões de pacientes por pneumonia, ameaçando a possibilidade de sobrecarga na capacidade hospitalar mundial. Os autores do artigo manejaram mais de 2.400 pacientes com pneumonia por COVID-19 em uma única instituição americana. Foi feita uma revisão narrativa do trabalho, que objetivou a demonstração da prática acerca do manejo dos pacientes que não necessitam de intubação.

O artigo inicia com a apresentação do caso clínico de um homem de 70 anos que apresenta comorbidades, admitido na emergência hospitalar, com dispneia e febre, num quadro iniciado havia 10 dias. No exame clínico, o paciente apresenta taquipneia, taquicardia e saturação de oxigênio a 84%, que melhorou para 92% com oxigênio nasal, 6 litros. Detectada a presença do SARS-Cov-2, em esfregaço nasofaríngeo por RT-PCR, a radiologia do tórax demonstrou um infiltrado bilateral difuso. O artigo deu destaque a cinco tópicos:

QUADRO CLÍNICO MAIS FREQUENTE: início com febre, fadiga, tosse improdutiva, e que em torno de 7 a 10 dias evolui para dispneia, principal causa da admissão pela emergência. Podem ocorrer manifestações gastrintestinais. A maioria desses pacientes apresenta comorbidades.

GESTÃO DA ADMISSÃO: Evitar a disseminação do vírus na instituição, com as seguintes medidas: isolamento de gotículas emitidas pelo paciente; reduzir a exposição dos profissionais envolvidos na assistência (incluir a comunicação por mídias digitais, paramentação e desparamentação, otimização da frequência de investigação laboratorial e por imagem); manter a monitoração contínua de oxigênio e a prevenção de trombose em todos os pacientes.

GESTÃO DOS SINTOMAS: Medicações sintomáticas devem ser usadas, mediante os sinais e sintomas, como febre, cefaleia, diarreia, entre outros. Deve-se evitar AINEs (anti-inflamatórios não-esteroidais), para impedir a produção de lesão renal. Hidratação venosa com eletrólitos para casos com desidratação e uso de broncodilatadores e corticoides aspirativos para DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). A pronação não diminui a necessidade de intubação e nem reduz o tempo de hospitalização.

TERAPIA: Não há tratamento comprovado para a COVID-19, podendo-se usar antibióticos nos casos de infecção bacteriana concomitante.

ESCALA DE CUIDADOS / INTUBAÇÃO: As indicações de intubação são: redução progressiva da saturação de oxigênio com taquipneia e desorientação. Deve-se evitar o uso de cânula nasal de alto fluxo ou ventilação não-invasiva com pressão positiva, fora de ambientes com pressão negativa, pelo risco de aerolização.

PLANEJAMENTO DE ALTA: Os critérios para a alta são: redução da dispneia e da necessidade de oxigênio. Deve-se estabelecer as necessidades de oxigenoterapia domiciliar monitorada, tratamento sintomático, fisioterapia respiratória e motora para reabilitação e orientação para retorno, em caso de recrudescimento da dispneia.

FOLLOW-UP DO CASO: A conduta adotada no paciente descrito inicialmente obedeceu a esses critérios. No oitavo dia, estando eupneico e deambulando, teve seu plano de isolamento residencial revisado e recebeu alta. 

O artigo conclui apontando para a importância da sistematização do cuidado dos pacientes de COVID-19 e da racionalização dos recursos hospitalares durante a pandemia.

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Como foram criadas e adotadas medidas de proteção às equipes cirúrgicas ao se desenvolver a pandemia?

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Precauções para os Membros de Equipes Cirúrgicas Durante a Pandemia de COVID-19

FREITAS, Marcia

FORRESTER, J.D.; et al. Precautions for Operating Room Team Members During the COVID-19 Pandemic. J Am Coll Surg, v. 230, n.6, p. 1098-1101,  Jun. 2020. Doi: 10.1016/j.jamcollsurg.2020.03.030. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32247836

O artigo descreve o protocolo criado pelos departamentos de cirurgia e infectologia da Stanford University para a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) e medidas de precaução a serem adotados pelos membros da equipe cirúrgica, durante procedimentos não eletivos, para reduzir o risco de contaminação dos profissionais pelo SARS-CoV-2.

O primeiro caso de COVID-19 nos Estados Unidos foi descrito em 20 de janeiro de 2020. Em março o Centro para Controle e Prevenção de Doenças recomendou a interrupção das cirurgias eletivas e as medidas de distanciamento social. Havia 5 a 10 pacientes com COVID-19 na instituição e a antecipação de um potencial surto da doença motivou a criação do protocolo.

Foi constituído um comitê para criar um algoritmo de utilização de EPI nas salas cirúrgicas e de intervenção. Os princípios do algoritmo foram: segurança dos profissionais e do paciente, o risco de transmissão do vírus durante o procedimento, a disponibilidade de EPI, o risco do paciente ter COVID-19 e o acesso ao teste laboratorial. Os membros do comitê revisaram os dados disponíveis em relação à transmissão, desenharam o algoritmo, submeteram à avaliação de infectologistas e da gestão do hospital para acurácia e complacência com as melhores práticas institucionais. A usabilidade foi avaliada via feedback dado pelos profissionais de saúde.

As cirurgias de urgência envolvendo naso e orofaringe, traqueia, pulmão e endoscopia digestiva eram consideradas alto risco e os pacientes eram rastreados para sintomas, e caso não fosse possível postergar, realizavam RT-PCR. No caso de teste positivo e na cirurgia de emergência, a equipe deveria usar máscara N95, avental, luvas e proteção ocular e nos demais utilizavam EPI padrão. Para a intubação e ventilação com máscara, era utilizado face shield e todos os profissionais não envolvidos deveriam deixar a sala. Houve treinamento em paramentação e retirada dos EPI, com ajuda se o paciente tivesse COVID-19 ou suspeita.

O desenvolvimento de uma árvore de decisão de fácil adesão pelo time cirúrgico pode assegurar a segurança do profissional de saúde. O algoritmo prioriza a gravidade da doença, o status na testagem e a presença de sintomas, para assegurar utilização racional dos EPI no cenário de recursos escassos.

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Como devem ser manejados no ambiente hospitalar os pacientes suspeitos ou diagnosticados com COVID-19?

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Manejo das Vias Aéreas na Sala de Cirurgia e Sala de Intervenção em Pacientes Adultos com Doença Conhecida ou Suspeita de Coronavírus 2019: uma Revisão Prática

SARMENTO, Rogério

THIRUVENKATARAJAN, V.; et al. Airway Management in the Operating Room and Interventional Suites in Known or Suspected Coronavirus Disease 2019 Adult Patients: A Practical Review. Anesth Analg. Jun. 2020 {publicado antes da impressão] DOI:10.1213/ANE.0000000000005043. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32502132

Este artigo de revisão relata as evidências mais relevantes sobre as principais técnicas e a estrutura hospitalar necessária para que os profissionais da área de saúde envolvidos em procedimentos, que manipulem a via aérea de pacientes com ou suspeitos de terem Covid-19, tenham um menor risco de contaminação, seguindo protocolos que também garantam a segurança do paciente.

Iniciando com o importante dado que, na epidemia de Síndrome Respiratória do Adulto em 2003, o risco de contaminação de profissionais de saúde envolvidos na intubação  traqueal de pacientes infectados se encontrava aumentado, quando comparados à população em geral, o artigo descreve formas para minimizar essa contaminação.

Como as evidências sugerem que a transmissão por Covid-19 pode ocorrer através da inalação de gotículas respiratórias, a proteção para os profissionais de saúde envolve – além  dos equipamentos de proteção individual, como máscaras N95, capotes impermeáveis, luvas e protetores faciais – a necessidade de ambientes de trabalho seguros, de preferência equipados com pressão negativa, para filtrar e eliminar mais rapidamente essas gotículas.

É didaticamente esquematizado no artigo como deve ser montada a estrutura física de salas cirúrgicas que recebam pacientes infectados ou com suspeita de Covid-19 para a realização de procedimentos invasivos, além dos cuidados necessários para o transporte desses pacientes entre diferentes setores hospitalares. O tempo necessário para desinfecção do ambiente, de acordo com a capacidade de renovação de ar disponível na sala cirúrgica, também é descrito no artigo. Além disso, a quantidade, a função e o posicionamento da equipe envolvida nesses procedimentos também são esquematizados.

Em pacientes contaminados ou com suspeita de Covid-19 que tenham que ser intubados, seja por insuficiência respiratória ou para serem submetidos a algum procedimento cirúrgico sob anestesia geral, essa intubação deve envolver o menor número possível de profissionais próximos ao paciente; logo, os mais experientes, devidamente equipados e que dominem a técnica que evite a liberação de gotículas respiratórias, são os profissionais de escolha.

A logística previamente definida, incluindo a  disponibilidade de equipamentos e medicamentos que facilitem a intubação, também é descrita no artigo.

É também objetivo do artigo a segurança, não só dos profissionais de saúde, mas também dos pacientes, por isso são citados procedimentos como: broncoscopia, endoscopia digestiva alta, ecocardiografia transesofágica e procedimentos radiológicos invasivos, onde a intubação traqueal não é obrigatória, mas que pode ser a forma mais segura para sua realização no caso de pacientes infectados ou suspeitos. Por outro lado, outras formas de sedação que não necessitem da intubação traqueal são descritas no artigo, como opção para realização desses procedimento de forma segura, porém enfatizando que, nesses pacientes, as suas indicações são muito mais restritas.

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Como os profissionais de saúde devem se proteger para lidar com a COVID-19 ?

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A pandemia de Covid-19, Equipamento de Proteção Individual e Respirador: uma revisão narrativa

MONT'ALVÃO, Claudia

HA, J. F. The Covid-19 pandemic, personal protective equipment, and respirator: a narrative review. International Journal of Clinical Practice, p. e13578, Jun. 2020. [publicado antes do impresso]. DOI: 10.1111/ijcp.13578. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32511834

O objetivo do artigo, a partir de uma revisão narrativa, é examinar e resumir as evidências disponíveis para gerar recomendações sobre a segurança de profissionais de saúde, (HCW, health care workers).

O artigo aborda, a partir da pandemia causada pelo coronavírus, uma discussão sobre os equipamentos de proteção individual (EPIs) uma vez que são o limite de proteção para os HCW. A autora aponta que há uma controvérsia entre instituições sobre o uso de EPIs como recomendação para o controle da infecção por HCW.

Para a realização da revisão narrativa, a autora buscou nas bases de dados PubMed MedLine e Embase em 30 de março de 2020 artigos que utilizassem como palavras-chave “equipamento de proteção individual”,’COVID-19”, “n95”, “profissionais da saúde” e “mortalidade/óbitos”. Uma revisão bibliográfica também foi realizada. Os resumos foram escaneados para avaliar sua adequação a serem incluídos na revisão narrativa.

Na discussão, a autora aponta as questões nos tópicos apresentados a seguir:

. Gotículas respiratórias são a principal via de transmissão, e podem causar contaminação através de contato próximo (inclusive olhos) ou nas superfícies. A transmissão pode ser reduzida e influenciada por fatores como: ventilação, filtragem do ar, esterilização e EPIs;

. Taxa de transmissão entre profissionais de saúde: Cerca de 3,5 a 20% dos profissionais de saúde foram infectados, e a mortalidade desse grupo está na faixa de 0,53 a 1,94 %;

. Lições da SARS: Quando em 2013 tivemos o surto de SARS, os profissionais não estavam preparados. EPIs podem prevenir os profissionais de saúde de infecções e talvez essa experiência tenha influído no uso de respiradores n95 na proteção desses profissionais, devido à alta taxa de mortalidade da COVID-19.

. A taxa de mortalidade entre profissionais de saúde está na faixa entre 1,4-3,83%. A falta de EPIs parece estar relacionada a esse número de óbitos.

. Higiene geral, uso de toucas, máscaras e proteção para os olhos. A higiene geral é um procedimento de controle de infecções. Os EPIs dependem da prevalência de COVID-19 na comunidade, do grau de proliferação, disponibilidade, ocasião, e precisão na testagem da COVID-19. Como há evidências de transmissão do vírus influenza pelo ar, recomenda-se o uso de óculos de proteção e máscaras face shield.

A autora destaca na discussão questões sobre máscaras e respiradores. As máscaras cirúrgicas, apesar de serem impermeáveis, não são consideradas uma proteção respiratória, uma vez que são utilizadas para proteger o profissional de saúde contra as gotas maiores, e outros fluidos transmitidos pelas mucosas do nariz e boca. Já os respiradores permitem a filtragem do ar, como o n95.

O respirador n95 é, no momento, o recomendado para os profissionais de saúde que estejam a 2 metros de pacientes com suspeita ou infectados com o SARS-CoV-2. Sua eficácia, uso prolongado e reuso também já foram investigados, assim como problemas relacionados ao seu uso. Como desvantagens, estão associados à diminuição na acuidade comunicacional, desconforto na cabeça e face devido ao calor, pressão ou dor, dor de cabeça, coceira, queimação nos olhos, náusea, tonteira, dificuldade de concentração, entre outras questões de interferência mecânica na realização das atividades.

Já os respiradores purificadores de ar (Powered Air-Purifying Respirators, PAPR), apresentam maior fator de proteção comparados aos respiradores n95.

Como conclusão, a autora destaca que há muito a aprender com essa pandemia e que o coronavírus configura-se como um novo patógeno de alta fatalidade se não forem utilizadas intervenções efetivas. É preciso aprimorar o programa de suprimentos médicos de reserva, melhorar o sistema de alocação, distribuição e utilização de EPIs. Estes devem ser adequadamente implementados a fim de garantir que estamos prontos para a próxima pandemia.

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Como proteger a pele dos profissionais de saúde quanto ao uso prolongado de máscaras de proteção?

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Avanços no Cuidado da Pele e de Feridas

LETICHEVSKY, Sonia

SMART, H. et al. Preventing Facial Pressure Injury for Health Care Providers Adhering to COVID-19 Personal Protective Equipment Requirements. Advances in Skin & Wound Care, v. 33, n. 8, p. 418-427, Ago. 2020. DOI: 10.1097/01.ASW.0000669920.94084.c1 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7342803/

O artigo aborda uma proposta para mitigar uma questão que ficou muito evidente desde o início da pandemia de COVID-19: as lesões que aparecem na pele de profissionais de saúde da linha de frente com o uso contínuo e prolongado de máscaras de proteção individual, importantes para evitar a transmissão através de aerossóis.

Os autores propuseram adaptar o silicone que é rotineiramente empregado para prevenir lesões em pacientes de alto risco, para ser utilizado nos locais da pele comumente lesionados por máscaras usadas pelos profissionais de saúde. As vantagens do uso deste silicone seriam sua disponibilidade, já que é empregado no hospital para evitar lesões em pacientes, assim como seu baixo custo. A proposta é cortar este silicone em diversos fragmentos para serem aplicados na mandíbula, regiões superior e laterais do nariz e partes laterais do rosto.

Os testes para avaliar a eficácia deste silicone na proteção da pele foram realizados em 10 voluntários, de ambos os sexos, da equipe do Hospital Universitário King Kamal. Foi utilizada a classificação para tipos de pele de Fitzpatrick, que varia de: pele clara tipo 1, queima facilmente e nunca se bronzeia; tipo 2, que queima facilmente e se bronzeia ligeiramente; pele média tipo 3, inicialmente se queima e se bronzeia bem; tipo 4, que geralmente se bronzeia; até a pele marrom escura, tipo 5, e negra, tipo 6. Os voluntários foram identificados com tipos de pele 2, 3, 4, 5 e 6.

Na primeira fase do estudo, apenas um pequeno curativo de silicone foi usado nas proeminências faciais ósseas durante o período do turno para que houvesse um controle rigoroso de possíveis infecções. Na fase 2, foi realizado um teste de ajuste da máscara N95, com uma camada de silicone protegendo a pele. O teste foi realizado de acordo com as melhores práticas internacionais. Na fase 3, foi conduzido o uso da proteção facial por 1 hora após o teste de ajuste para verificar, então, a condição da pele. Na fase 4, foi determinada a eficácia e estabilidade do curativo de silicone sob a máscara de N95 após 3 horas e, depois deste teste, a pele foi examinada. A fase 5 comparou a diferença com e sem uso de silicone na qualidade da pele facial e a oxigenação (SpO2) após um turno de 4 horas dos voluntários. Estes testes foram realizados repetidamente.

Os voluntários relataram conforto ao usar a proteção de silicone, assim como uma menor fricção. As peles mais claras apresentaram maiores impactos relativos à pressão do que as peles mais escuras. Além do teste realizado para avaliar os danos à pele com a presença ou ausência do silicone, foi avaliado se o silicone interferia na eficiência da máscara N95 e observou-se que o uso de silicone aprimorou a vedação, fato demonstrado por uma pequena queda na oxigenação dos participantes do estudo. Estes testes, com reduzido número de pessoas, foram considerados promissores para solucionar o problema que vem afetando profissionais de saúde do mundo inteiro.    

 

Sua ideia central pode ser vista no vídeo

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Como nutrir adequadamente os pacientes graves com COVID-19?

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Terapia Nutricional em Pacientes Criticamente Enfermos com Doença do Coronavirus

FREITAS, Márcia

MARTINDALE, R et al. Nutrition Therapy in Critically Ill Patients with Coronavirus Disease (COVID-19). JPEN. Journal of parenteral and enteral nutrition, May, 2020 [publicado antes da impressão]. Doi: 10.1002/jpen.1930. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32462719/

O artigo traz uma revisão prática do conhecimento consolidado sobre o fornecimento de suporte nutricional ao paciente grave e a partir daí extrapola algumas recomendações no cenário da COVID-19, reforçando também a utilização de medidas simples que minimizem a exposição dos profissionais de saúde ao risco de contaminação.

Não há evidências científicas sólidas para embasar cuidados nutricionais específicos para pacientes com COVID-19 na sua forma grave. Podem ser realizadas algumas sugestões para o manejo destes pacientes, a partir das recomendações das diretrizes americana (2106) e europeia (2018) bem como da síntese de evidências derivadas de estudos realizados em pacientes com sepse e síndrome do desconforto respiratório agudo. Paralelamente é fato que há necessidade da adoção de medidas simples, para minimizar a exposição dos profissionais de saúde ao risco de contaminação e otimizar a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI) e recursos materiais em ambiente de possível escassez.

Nos pacientes graves, com COVID-19, a administração de nutrientes é feita preferencialmente através de cateter introduzido no tubo digestivo, denominada nutrição enteral (NE). O fornecimento de calorias e proteínas através deste método deve ser planejado no que tange ao tempo de início, volume, tipo de fórmula, posicionamento do cateter, cálculo das necessidades energéticas, monitorização de complicações e da tolerância gastrointestinal a dieta e avaliação do estado nutricional pela equipe multidisciplinar. Estes cuidados devem ser guiados por princípios, tais como agrupar tarefas, utilizar EPI e higienizar as mãos adequadamente, minimizando a exposição dos profissionais.

Na ausência de evidências científicas para recomendação específica  com relação ao suporte nutricional aos pacientes graves com COVID-19, os autores realizaram uma revisão narrativa das evidências disponíveis para sepse e síndrome do desconforto respiratório agudo, bem como das diretrizes internacionais vigentes, formulando algumas recomendações adaptadas para a prática no cenário de inflamação e grave distúrbio na oxigenação induzidos pelo SARS-CoV-2, risco elevado de intolerância gastrointestinal a nutrição enteral e de desnutrição. Houve também uma descrição de métodos para minimizar a exposição de profissionais de saúde aos aerossóis contaminados com o vírus, baseados na experiência de campo.

As principais recomendações emitidas pelos autores são: 1) considerar o uso da telemedicina para realizar a avaliação nutricional e envolver não especialistas; 2) iniciar a NE em 24-36h da admissão ou dentro de 12h da intubação, com cateter de 10-12Fr, em posição gástrica, de modo contínuo; 3) monitorar a tolerância a dieta e considerar administração de nutrientes por via intravenosa precocemente (nutrição parenteral), caso não seja possível progredir a NE; 4) iniciar a NE com baixo volume, em geral com objetivo de alcançar 20-25kcal/kg de peso atual na primeira semana, em pacientes com IMC<30; 5) oferecer 1,2 a 2 g/kg de peso atual por dia.

A terapia nutricional no paciente crítico com Covid-19 deve acompanhar as diretrizes americana e europeia vigentes. A recomendação específica para estes pacientes se refere a promoção de estratégias que minimizem o risco de exposição dos profissionais de saúde, durante o cuidado com o paciente ou na manipulação do cateter enteral. O início do suporte nutricional deve ser precoce, a progressão lenta, a monitorização para sinais de intolerância digestiva frequente e o limiar para utilizar a nutrição parenteral deve ser reduzido caso a progressão da nutrição enteral não seja possível.

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Como as máscaras podem ajudar a proteger do contágio da COVID-19 ?

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Proteção facial na era da COVID-19: uma revisão narrativa

NACCACHE, Mônica

LI, D. T. S.; et al. Facial protection in the era of COVID-19: a narrative review. Oral Diseases, Jun. 2020. [publicado antes do impresso] DOI: 10.1111/odi.13460. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/odi.13460

Artigo de revisão publicado em periódico, discute sobre os diferentes tipos de máscaras de proteção facial.

O uso de proteção facial é essencial na prevenção de infecções. Porém, a eficácia da maioria destes equipamentos ainda não foi provada. Observa-se a importância do uso de máscaras de alta-eficiência para profissionais de saúde, e o uso de máscaras comuns para a comunidade em geral, a fim de reduzir a velocidade de contágio. Este uso é recomendado principalmente pela possibilidade de transmissão por pacientes assintomáticos.

Os autores descrevem as máscaras respiradoras (N95, FFP2 e variantes) como sendo as que têm a maior capacidade de filtragem (filtram 90% das partículas de tamanho similar ao do vírus), possuem quatro camadas de filtros, se ajustam perfeitamente à face, e devem ser usadas uma única vez.

As máscaras cirúrgicas são usadas quando o risco de contaminação é de baixo a moderado, e têm três diferentes classificações, de acordo com a capacidade de filtração. Estas máscaras têm três camadas, mas não filtram partículas pequenas de forma eficiente e não se ajustam perfeitamente à face, mas podem ser efetivas em grande número de situações. Estas máscaras são recomendadas para uso da comunidade em geral, visando a redução do contágio da COVID-19. Os autores concluem que seu uso pode efetivamente reduzir o contágio, desde que associado a outras medidas, como o distanciamento social.

As máscaras de uso único e as feitas de tecido têm eficiência reduzida mas mesmo assim podem contribuir com a redução do contágio, e também são uma boa alternativa para uso com outras medidas como redução de circulação e distanciamento social.

Barreiras faciais não oferecem proteção contra o vazamento de aerossóis em suas margens. A sugestão é que sejam usadas apenas como proteção adicional (às máscaras, por exemplo). A vantagem é que são robustas e de fácil desinfecção, além de não bloquearem linguagens de interpretação visual.

Respiradores a bateria (Powered Air-Purifying Respirator, PAPR) são uma alternativa a algumas situações na impossibilidade do uso das N95, mas seu custo é bem elevado e também requer treinamento.

Foi feita uma comparação da incidência de COVID-19 na região de Hong Kong (onde 96,6% da comunidade em geral usava máscara tipo cirúrgica) com países em que o uso não era feito, e observou-se que a incidência era bem menor. Concluiu-se que o uso das máscaras diminui efetivamente a incidência de COVID-19, reduzindo a emissão de saliva e gotas respiratórias por pessoas contaminadas.

A reutilização das máscaras não é recomendada. Porém, com a falta de equipamentos, alguns métodos de desinfecção, por calor, por tratamento químico e por radiação, foram propostos, porém não são 100% seguros, e ainda existem questões em aberto: as máscaras podem ser efetivamente esterilizadas? Como? Quantas vezes? As máscaras reutilizáveis devem alcançar um balanço entre eficiência de filtração e integridade de material. A pesquisa por máscaras reutilizáveis deveria ser intensa, tendo em vista a possibilidade de surgimento de novas pandemias e epidemias.

O uso continuado de máscaras faciais pode resultar em problemas de pele como alergias, úlceras e outras lesões.

Os autores concluem que o uso das máscaras efetivamente reduz o contágio da COVID-19.

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