Evidências Covid 19

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Quais os principais danos corporais do Coronavírus 2019 além dos transtornos respiratórios?

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Nova compreensão dos danos da infecção por SARS-CoV-2 fora do sistema respiratório

FABER, Vanila

ZHANG, Y. ; et al. New understanding of the damage of SARS-CoV-2 infection outside the respiratory system. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 127, p. 10195, Jul. 2020. DOI: 10.1016/j.biopha.2020.110195. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7186209/pdf/main.pdf

O Coronavírus 2019 é denominado de novo Coronavírus devido às alterações genômicas identificadas em seu material genético quando comparado aos outros Coronavírus. A doença causada por esse novo Coronavírus é denominada de Covid-19, e alberga outras manifestações clínicas além de sintomas respiratórios, como pneumonia, o que dificulta o seu diagnóstico e tratamento corretos.

O Coronavírus 2019 é um beta Coronavírus similar a outros Coronavírus que infectam humanos como o vírus causador da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARS-CoV) e o vírus causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). Os Coronavírus utilizam um mesmo receptor nas células-alvo para tornarem-se intracelular, que é a enzima conversora da angiotensina 2 (ECA 2). Essa molécula está presente na membrana de vários tipos celulares, e por isso é amplamente disseminada no organismo humano (epitélio pulmonar, endotélio, músculo cardíaco e músculo liso, rins, intestinos, células da glia no sistema nervoso central). Desta forma, a infecção pelo Coronavírus 2019 pode apresentar-se de diferentes maneiras, a depender do tecido de replicação viral, além das alterações inflamatórias de cada paciente.

O receptor ECA2 utilizado pelo Coronavírus 2019 é tão amplamente disseminado no corpo humano, pois possui várias funções, tais como: proliferação celular, controle de pressão arterial, equilíbrio de fluidos corporais, resposta inflamatória, dentre outras. A molécula conhecida como proteína S (de “Spike” – espinho) é a que se liga a ECA2 e possibilita que o Coronavírus 2019 se torne intracelular e, possa então, replicar-se. A entrada no corpo humano do Coronavírus 2019 ocorre normalmente via respiratória, mas ele pode chegar a outros tecidos por via hematogênica (através do sangue). E desta forma, se replicar em outros tecidos causando sintomas diferentes dos respiratórios (cujos principais são tosse, falta de ar, dificuldade de respirar).

O Coronavírus 2019 pode replicar-se nos rins, intestinos, coração, vasos sanguíneos e sistema nervoso central, gerando desta forma sintomas variados. Por isto, pacientes com o Coronavírus 2019 devem ser monitorados quanto a função renal e hepática, além de serem controlados na pressão arterial sistêmica e na frequência cardíaca, dentre elas, possíveis disfunções do sistema nervoso central, tais como: dor de cabeça ou confusão mental. Conhecer as estruturas virais e suas funções é muito importante para a compreensão de como o Coronavírus 2019 afeta os sistemas, além de fornecer ferramentas para o desenvolvimento de vacinas e antivirais eficazes.

Como a Covid-19 afeta neurologicamente?

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Manifestações neurológicas associadas a Covid-19

GIESTA, Monica Maria da Silva

 Leonardi M ; Padovani A ; McArthur J C. Neurological manifestations associated with COVID-19: a review and a call for action. J Neurol. v. 267, n. 6, p.1573-1576, jun. 2020 . Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7238392/

As manifestações neurológicas têm sido observadas desde o aparecimento da pandemia de COVID 19 e sua disseminação em nível mundial. O fato levou a descrições de acometimentos no Sistema Nervoso Central e Periférico, embora até o presente momento permaneçam interrogações sobre a severidade, frequência e gravidade do acometimento, assim como quais fatores possam predispor ao quadro neurológico.

Os autores realizaram uma revisão sistemática de publicações chinesas e italianas, após suas próprias observações de que um grande número de pacientes apresentava ausência ou diminuição do olfato, assim como outras alterações possíveis de acometimento do Sistema Nervoso, inclusive manifestações respiratórias de origem possivelmente neurológica.

A  metodologia usada foi a busca bibliográfica em língua inglesa através do Pubmed cruzando os termos COVID 19 ou correlatos ( novo COVID, n COV, COV2)  com termos relacionados a neurotropismo ou sintomas neurológicos. Dos 198 artigos resultantes da busca, apenas 29 foram avaliados na íntegra e os demais excluídos pelos seguintes motivos: dificuldade de acesso ao texto integral, análise dos resultados e assunto abordado no texto integral.

Os achados relacionados as manifestações neurológicas da COVID 19 foram divididos em três grandes categorias: Central, Periférica e Musculoesquelética. As ocorrências relativas ao Sistema Nervoso Central mais observadas foram perda da consciência, tonteira, Acidente Vascular Cerebral (AVC) por isquemia ou hemorragia, convulsões e movimentos desordenados como ataxia e inflamação cerebral. Em um dos sobreviventes de Wuhan citam ainda a ocorrência de hipoventilação de causa neurológica. Os autores destacam a presença de delírio em 22% dos pacientes chineses que evoluíram para óbito, enquanto a frequência foi apenas de 1% naqueles que se curaram nos pacientes chineses. Na Itália houve relato de Síndrome de Guillain-Barré.

 Os fenômenos relativos ao Sistema Nervoso Periférico foram alteração ou ausência de olfato em 5% dos pacientes, dormência e dor espontânea.

Os eventos relativos ao sistema musculoesquelético ocorreram em aproximadamente 10% dos pacientes chineses, constituindo-se de dor e lesões musculares.

Na discussão, o artigo chama a atenção para o acometimento do sistema nervoso em vários níveis, ressaltando a necessidade de melhor compreensão da frequência, severidade, mecanismo de ação e relação entre estes sintomas e a gravidade da evolução da doença. Fazem questionamentos em três linhas:
Estes achados são frequentes em outros países? A inflamação causada pelo vírus seria o fator desencadeante? O vírus teria afinidade por células do sistema nervoso?

A conclusão aponta para a necessidade de um estudo mais bem elaborado e estruturado para estas respostas e, entendendo a limitação de sua própria revisão, os autores clamam a comunidade científica para a contribuição e notificação das evidências.