Evidências Covid 19

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Quais as características e os riscos da síndrome inflamatória de múltiplos sistemas derivada da COVID-19 em crianças e adolescentes?

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Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças e Adolescentes nos EUA

FAULHABER, Maria Cristina Brito

FELDSTEIN, L. R. ;  et al. Multisystem Inflammatory Syndrome in US Children and Adolescents. N Engl J Med, Jul. 2020; DOI: 10.1056/NEJMoa2021680. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2021680

Constatada a importância epidemiológica e o curso clínico dos processos inflamatórios multissistêmicos em crianças (síndrome inflamatória multissistêmica em crianças – SIM-C), com uma significativa associação temporal à doença COVID-19, os autores buscam neste artigo avaliar as implicações clínicas e na saúde pública desta síndrome.

Foram aplicados questionários padrão de março a maio de 2020 em centros de saúde pediátricos de 26 estados nos EUA, tendo como definição de caso a presença de seis critérios: doença grave que levou à hospitalização; idade inferior a 21 anos; febre > 38.0ºC ou com duração de pelo menos 24 horas; evidência laboratorial de processo inflamatório; envolvimento sistêmico de múltiplos órgãos (pelo menos dois) e evidência de infecção com síndrome respiratória aguda severa, causada pelo coronavírus 2 (SARS-CoV-2: PCR transcriptase reversa positiva; ou teste para anticorpos positivo; ou exposição a indivíduos com COVD-19 no mês anterior) {30 % mostraram evidências epidemiológicas de contato com pessoa com COVID-19}.  

A análise estatística foi feita usando o software R, versão 3.6.1 (Projeto R para computação estatística).

A idade média das 186 crianças com SIM-C foi 8,3 anos, 62% meninos, 73% previamente saudáveis, 70% com exames laboratoriais positivos para SARS-CoV-2 e 88% foram hospitalizadas após 16 de abril. O envolvimento do trato gastrointestinal ocorreu em 92% das crianças, do sistema cardiovascular em 80% (91% realizou ecocardiograma e 73% teve alterações de BNP – peptídio natriurético do tipo B, hormônio liberado pelos ventrículos sempre que há agressão cardíaca), do sistema hematológico em 76%, do muco-cutâneo em 74% e do sistema respiratório em 70%. A média de internação foi 7 dias, com 80% das crianças necessitando de cuidados de centro de tratamento intensivo, 20% de ventilação mecânica, 48% de drogas vasoativas e 2% faleceram (4 pacientes entre 10 a 16 anos de idade, dois deles previamente hígidos). Aneurismas da artéria coronária ocorreram em 8%, e 40% mostraram características semelhantes à doença de Kawasaki – vasculite que ocorre predominantemente na infância, caracterizada pela possibilidade de formação de aneurismas. Embora sua causa seja ainda desconhecida, há fortes evidências de alguma infecção prévia ou em atividade. A SIM-C é considerada uma doença Kawasaki “like”. Alguns dos sinais e sintomas desta doença como febre, eritrodermia e descamação tardia também podem ser vistos na síndrome do choque tóxico, podem envolver múltiplos órgãos e podem estar associados a outros vírus.  Nos EUA cerca de 5% das crianças com Kawasaki apresentam choque cardiovascular, levando à necessidade do uso de drogas vasoativas em comparação aos 50% dos pacientes com SARS-CoV-2 avaliados neste artigo. O início de uma infecção grave por COVID-19 coincide com o declínio da carga viral no trato respiratório e aumento dos marcadores inflamatórios.

Cerca de 92% das crianças apresentaram elevações em pelo menos quatro marcadores indicativos de processo inflamatório. O uso de terapias imunomoduladoras foi comum: imunoglobulina intravenosa em 77%, glicocorticoides em 49% e inibidores da interleucina 6 ou 1RA em 20%, estas últimas substâncias sabidamente envolvidas na evolução da resposta imune inflamatória que ocorre em pacientes com comprometimento respiratório grave.

Embora ainda não se possa estabelecer causalidade, o estudo mostrou fortes evidências que as crianças foram infectadas pelo SARS-CoV-2 no mínimo 1 a 2 semanas antes do início da SIM-C.

Os autores concluem que SIM-C em crianças associada à SARS-CoV-2 pode levar a doença grave potencialmente fatal em crianças e adolescentes previamente hígidos.

Quais os efeitos psicológicos da pandemia nos estudantes e nos trabalhadores de Universidade?

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Efeitos psicológicos do surto e do bloqueio da COVID-19 entre estudantes e trabalhadores de uma universidade espanhola

TEIXEIRA, Flávia

ODRIOZOLA-GONZÁLEZ, P.; et. Al. Psychological effects of the COVID-19 outbreak and lockdown among students and workers of a Spanish university. Psychiatry Res. May. 2020 [publicado on-line antes da impressão]. Doi:10.1016/j.psychres.2020.113108. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32450409

O objetivo deste estudo foi analisar os sintomas psicológicos dos membros da Universidade de Valladolid, na Espanha, durante o surto da COVID-19.

O total de participantes foi de 3707, sendo que 2530 pertenciam à Universidade de Valladolid, a qual foi considerada a amostra do estudo. A maioria dos participantes era do sexo feminino, com faixa etária variando entre 18 e 70 anos. Os participantes eram estudantes em sua maioria (76,8%), e o restante funcionários e professores da universidade.

A pesquisa foi composta por 66 perguntas de múltipla escolha, ficou disponível na WEB por oito dias, a partir do dia 28 de março de 2020.  O tempo aproximado para as respostas era de 10 minutos. Aspectos e dados incluídos na pesquisa:  demografia; situação pessoal durante o confinamento; tratamento psicológico / psiquiátrico atual e / ou passado; ingestão atual de medicamentos psicoativos; impacto percebido do confinamento nas relações pessoais e sociais; preocupação sobre a situação social e econômica causada pela crise; e seu impacto sobre a saúde de si mesmo, parceiro, pais, filhos e outros familiares e amigos.

O impacto emocional e os sintomas psicológicos associados ao confinamento devido à crise da COVID-19 foram avaliados usando duas escalas: Escala de Estresse de Ansiedade por Depressão (DASS-21) e Escala de Impacto de Eventos (IES).

Na escala IES é feita a avaliação do estresse subjetivo relacionado a eventos da vida. Os mecanismos de intrusão e evitação são medidos como forma de verificar sua intensidade, e assim serem considerados ou não sintomas de estresse pós-traumático.

Os resultados mostraram que, em relação às respostas psicológicas iniciais dos membros da Universidade de Valladolid, duas semanas após o bloqueio da população espanhola devido à pandemia da COVID-19, 34,19% dos participantes relataram sintomas de depressão moderados a extremamente graves; 21,34% dos participantes relataram sintomas de ansiedade moderados a extremamente graves; e 28,14% relataram sintomas de estresse moderado a extremamente grave. Além disso, 50,43% dos participantes obtiveram pontuação relacionada ao impacto psicológico do surto e bloqueio como moderado ou grave (IES ≥ 26).

Os pontos fortes da pesquisa são: 1) Grande tamanho da amostra (2530 respondentes); 2) Estudo inicial que oferece uma oportunidade única de investigar o impacto emocional da pandemia da COVID-19 em um ambiente universitário; 3) Fornece informações valiosas sobre a situação atual, úteis para obter informações sobre a situação em outras universidades.

As limitações do estudo são: 1) Estudo transversal realizado em uma universidade espanhola em uma situação sem precedentes. 2) Foi adotada uma pesquisa on-line conveniente em apenas uma universidade da Espanha; 3) Os resultados indicam a necessidade de incorporar aspectos adicionais em estudos futuros.

As principais conclusões da pesquisa são: Estudantes universitários foram especialmente afetados pelo confinamento devido à COVID-19. Algumas áreas acadêmicas se mostraram mais sensíveis a alguns aspectos do que outras. Estudantes de Ciências Sociais e Direito, Artes e Humanas, pareceram mais afetados do que alunos da área de Engenharia e Arquitetura. O período acadêmico também pareceu ser um diferencial. Funcionários e corpo docente também apresentaram resultados diferentes quando comparados aos alunos. O estudo sugere que a saúde mental de estudantes e funcionários da universidade deve ser cuidadosamente monitorada, durante esta crise, e que as universidades devem fornecer serviços psicológicos orientados, e adaptados a essas circunstâncias, para mitigar o impacto emocional sobre os membros da universidade.

Como a epidemia da Covid-19 atua em crianças e adolescentes?

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Epidemiologia da COVID-19 entre crianças na China

FAULHABER, Maria Cristina Brito

Yuanyuan Dong, Xi Mo et al. Epidemiology of COVID-19 Among Children in China. Pediatrics, v.145, n.6,  jun. 2020: e20200702. DOI: 10.1542/peds.2020-0702. Disponível em: http://pediatrics.aappublications.org/content/145/6/e20200702

O artigo objetiva identificar características epidemiológicas e de transmissão de COVID-19 na China, em pacientes pediátricos, com idade inferior a 18 anos.

O Chinese Center for Disease Control and Prevention, em janeiro de 2020 identificou COVID-19 numa amostra broncoalveolar como causa da doença; em fevereiro a OMS a denominou COVID-19. Apesar da disseminação mundial, os padrões epidemiológicos e clínicos do COVID-19 permanecem obscuros, particularmente entre crianças.

Foram incluídos 2135 pacientes notificados de 16 de janeiro a 8 de fevereiro de 2020.

Os casos iniciais foram diagnosticados com base em manifestações clínicas e história de exposição de 2 semanas a COVID-19 ou residir em área epidêmica, viver em comunidade com caso detectado ou residir em área não epidêmica sem caso como tendo alto, médio ou baixo risco, respectivamente. Alto risco inclui pelo menos 2 critérios: 1) febre, sintomas digestivos e respiratórios ou fadiga; 2) leucometria normal ou diminuída ou aumento da PCR ou dos linfócitos; 3) alteração no Rx de tórax. Casos suspeitos tornaram-se confirmados por: 1) amostras nasais, faríngeas ou positivas; 2) sequenciamento genético de amostras sanguíneas ou respiratórias por homólogo ao COVID-19.

Critérios para severidade: 1) Infecção assintomática: Rx de tórax normal, com teste positivo para COVID-19; 2) Infecção leve: sintomas respiratórios superiores (febre, fadiga, mialgia, tosse, dor de garganta, coriza e espirros). Ausculta normal. Podem ocorrer sintomas digestivos; 3) Infecção moderada: febre frequente e tosse; alguns apresentam sibilos; 4) Infecção grave: sintomas respiratórios precoces, como febre e tosse com sintomas gastrointestinais. A doença progride geralmente em 1 semana com dispneia e cianose. Saturação de O2 < 92% com hipóxia; 5) Infecção crítica: pode progredir rapidamente para síndrome de angústia respiratória aguda, podendo também ter choque, encefalopatia, lesão miocárdica ou insuficiência cardíaca, coagulação intravascular disseminada e falência renal.

As variáveis foram idade, sexo, data do início da doença e do diagnóstico e local da notificação; análise estatística com testes א2 e Fischer.

Casos confirmados laboratorialmente corresponderam a 34,1% e 65,9% suspeitos; idade média de todos os pacientes de 7 anos, (2 a 13 anos), com 56,6% meninos. Na severidade, incluindo confirmados e suspeitos, 4,4%, 51% e 38,7% diagnosticados como assintomático, leve ou moderado, respectivamente, perfazendo 94,1% do total. Cerca de 46% da província de Hubei. As proporções de casos graves e críticos foram 10,6%, 7,3%, 4,2%, 4,1% e 3,0% para crianças <1, 1 a 5, 6 a 10, 11 a 15 e 16 anos, respectivamente. A mediana entre o início da doença e o diagnóstico foi 2 dias (0 a 42 dias).

Trata-se do primeiro estudo retrospectivo sobre características epidemiológicas e transmissão em crianças (criança-criança e criança-família). Ficou evidenciada a transmissão pessoa-pessoa, relatada em trabalhos com adultos. Apenas uma criança faleceu, a maior parte dos casos leve, sendo os graves e críticos (5,8%) bem inferiores aos de adultos (18,5%). As evidências sugerem que as manifestações clínicas são bem menos graves do que em adultos.

Especula-se que a gravidade ser bem menor em crianças possa estar relacionada com exposição e hospedeiro. Por permanecerem mais tempo em casa estariam menos expostas. No inverno, estão mais susceptíveis às infecções respiratórias, tendo mais anticorpos contra vírus. Casos graves e críticos ocorreram mais nos suspeitos que nos confirmados. Resta determinar se o agente etiológico seria 2019-nCoV ou outros.

Os pontos fortes deste estudo são: ser uma avaliação nacional, constatar severidade significativamente menor que em adultos, além da mortalidade muito inferior. Os pontos fracos, são não ter avaliado período de incubação e constatar que vários casos suspeitos podem ter sido causados por outras infecções respiratórias. A transmissão entre humanos ficou fortemente evidenciada, pois a maior parte das crianças não frequentou o Huanan Seafood Wholesale Market.