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Alfabetização tecnológica (healthtech literacy) como uma barreira à telessaúde durante a COVID-19

MARTINHO, Alfredo

TRIANA, Austin J. ; et al. Technology Literacy as a Barrier to Telehealth During COVID-19. Telemed J E Health, May 2020. [publicado antes da impressão] Doi: 10.1089/tmj.2020.0155. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32429770/

Durante a pandemia em curso da COVID-19, ocorreram muitas mudanças fundamentais no sistema de saúde, uma das quais foi a rápida adoção da telessaúde (telemedicina).

Nos Estados Unidos, a utilização da telessaúde, apesar de ampla capacidade tecnológica, estava limitada em muitas áreas, pela regulamentação diferente em cada estado e por ser baixo o reembolso pago pelas seguradoras.

O distanciamento social foi necessário para proteção dos pacientes, modificando todo fluxo de trabalho tradicional na assistência à saúde.

Nesse artigo, uma instituição de saúde teve o número de visitas diárias aumentadas mais de 1000 vezes em poucas semanas.

Tanto os médicos quanto os pacientes foram submetidos a uma reorganização, que incluiu treinamentos dos médicos e identificação das diversas barreiras de acesso encontradas pelos pacientes.

As dificuldades de navegação, o acesso ao sistema virtual de atendimento, a conexão estável, todos esses fatores necessitaram de uma visão em larga escala para encaminhar soluções.

Foi efetuado um processo sistemático de recrutamento e apoio de jovens voluntários estudantes de medicina, treinados, que puderam oferecer um suporte operacional (para configuração e testes com os dispositivos), o que foi fundamental para encontrar as soluções. Dessa forma, um total de 135 estudantes de medicina conseguiu ajudar mais de 5000 pacientes.

Ao longo do caminho, vimos evoluir a oferta de uma ampla gama de confortos ao paciente com a tecnologia, avançando nossa compreensão da alfabetização tecnológica, não importando se eram pacientes já com uma experiência prévia ou sem nenhuma alfabetização de natureza tecnológica.

Além da própria tecnologia, os pacientes precisam saber o que esperar de suas consultas em telessaúde, devendo esses serem comunicados previamente sobre essas expectativas, além da combinação de um local privado apropriado para teleconsulta.

Estando o paciente no ambiente em que vive, é uma oportunidade de contextualizar suas experiências e utilizar melhor o modelo biopsicossocial que poderá ser oferecido.

Mesmo os estudantes de medicina, que cresceram imersos em tecnologia, viram a complexidade que é ter que ensinar a outras pessoas a utilizar essa tecnologia (smartphones, aplicativos, navegação na web) e as diferentes lacunas tecnológicas em várias populações de pacientes.

 Fora do contexto do atendimento direto ao paciente, a ampla adoção da telessaúde tem o potencial de melhorar a qualidade de vida e os resultados de saúde por meio de sinergias adicionais, embora muitos idosos percebam que os benefícios da tecnologia incluem as barreiras comuns como questões de autoeficácia, custo e privacidade.

Pesquisas anteriores mostraram que a adoção de tecnologia pode ser melhorada através da educação e, na medida em que os pacientes se sintam capacitados, podem exercer com desenvoltura o atendimento às suas demandas.

A melhoria permanente nos regulamentos e nas coberturas dos seguros refletirá na melhoria do acesso, abordando questões como distância, mobilidade e preocupações com a saúde.

Outros fatores, como o licenciamento além das fronteiras estaduais, continuam constituindo uma grande questão que pode afetar drasticamente o acesso de muitos pacientes.

A transição para a telessaúde requer tempo, paciência e recursos, um investimento crucial para os pacientes que correm o risco de serem deixados para trás.