Evidências Covid 19

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Como o bloqueio da interleucina-6 pode contribuir no tratamento da COVID-19 ?

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Podemos usar o bloqueio da interleucina-6 (IL-6) para a síndrome do coronavírus 2019 (COVID-19) induzida pela liberação de citocinas (RSC)?

FARHA, Jorge

LIU, B. et al. Can we use interleukin-6 (IL-6) blockade for coronavírus disease 2019 (COVID-19)-induced cytokine release syndrome (CRS)? Journal of Autoimmunity, v 111, Apr 2020, DOI: 10.1016/j.jaut.2020.102452. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32291137

A doença associada ao coronavírus – 2019 (COVID-19), varreu 202 países com uma mortalidade impressionante e o Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave  (SARS-CoV-2) foi identificado como causador da COVID-19. O vírus atinge o pulmão e outros órgãos, ligando-se ao receptor da enzima conversora da Angiotensina-2 (ECA-2) existente na superfície celular e que ocorre em grande número nas células do pulmão, do coração e dos rins.

Observa-se quase sempre elevação das citocinas inflamatórias, fazendo supor que a tempestade de citocinas desempenha um papel central na manifestação da doença. Acredita-se que uma resposta retardada do Interferon-1 desempenha papel central na rápida replicação viral que ocorre nos pulmões. Esse retardo é seguido por uma acentuada resposta imune com liberação de várias citocinas inflamatórias. Dentre as citocinas a que merece maior destaque é a Interleucina-6

Em razão disso, propõe-se o uso de imunomoduladores, em adição ao tratamento antiviral, como estratégia para atenuar a resposta imune exacerbada

Dados de Wuhan, na China, mostraram que até 32% dos pacientes necessitam de uma unidade de tratamento intensivo e que dos pacientes com evolução grave a mortalidade pode alcançar mais de 61%. Citocinas inflamatórias e Quimiocinas, como a Interleucina-6 (IL-6), a Interleucina 1β (IL-1β), a Proteina-10 Induzida (IP-10) e a Proteina-1 Quimiotática de Monócitos (MCP-1) estão implicadas na resposta imune e estão mais elevadas precisamente nos pacientes mais graves.

Tocilizumab é um anticorpo monoclonal recombinante anti-Interleucina-6 aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, para tratamento de alguns casos de Síndrome da Tempestade de Citocinas. Sua ação se dá ligando-se à IL-6, inibindo sua atividade inflamatória. A Interleucina-6 é o mais importante mediador da resposta inflamatória da Síndrome da Tempestade de Citocinas e seus níveis se correlacionam com os casos mais graves da síndrome. Outros mediadores desempenham também um papel relevante nesta síndrome, como o Interferon γ (INF-γ) e o Fator de Necrose Tumoral α (TNF-α).

Em diversas doenças que frequentemente cursam com a Síndrome da Tempestade de Citocinas, Tocilizumab se mostrou eficaz e seguro, inclusive para uso em pacientes pediátricos. A despeito de alguns efeitos colaterais, o mecanismo de ação do imunobiológico, inibindo o principal mediador da resposta imune dramática associada à Covid-19, justificam a proposta de utilização do medicamento nos casos graves dessa doença, como medicamento sem indicação em bula.

Os autores chamam a atenção para alguns fatores que devem ser levados em conta na decisão de utilizar o Tocilizumab na COVID-19, com base em experiência prévia em outras patologias que cursam com a Síndrome da Tempestade de Citocinas. Por fim, algumas considerações são feitas sobre o uso concomitante de anti-inflamatórios, imunossupressores, imunomoduladores e agentes antivirais que podem resultar em efeito aditivo ou negativo.

Terapias potenciais para a Síndrome da Tempestade de Citocinas são listadas, sugerindo futuros ensaios que possam ampliar o arsenal terapêutico para esta e outras patologias de natureza semelhante.

Esta resenha pertence ao grupo sobre:

A alimentação pode influenciar positivamente na evolução da Doença do Coronavírus?

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Doença do Coronavírus (COVID-19–SARS-CoV-2) e Nutrição: A Infecção na Itália está sugerindo uma Conexão?

FABER, Vanila

CENA, H.;  CHIEPPA, M. Coronavirus Disease (COVID-19–SARS-CoV-2) and Nutrition: Is Infection in Italy Suggesting a Connection? Frontiers in Immunology, v. 11, May 2020. DOI: 10.3389/fimmu.2020.00944 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7221157/pdf/fimmu-11-00944.pdf

A relação entre os alimentos e o sistema imunológico já vem sendo amplamente discutida, e vários estudos têm mostrado alimentos vegetais com potencial imunomodulador. Sabendo que a infecção pelo Coronavírus 2019 ocasiona uma tempestade de citocinas, a qual pode evoluir para as formas mais graves da doença, o presente estudo relaciona alimentos vegetais com efeito na redução da inflamação causada pelo Coronavírus 2019.

Tanto a obesidade como a diabetes são fatores de risco para as formas mais graves da infecção pelo Coronavírus 2019. Uma das explicações para isto está no fato de que ambas, obesidade e diabetes, causam uma desregulação no sistema imunológico, principalmente por aumentarem o perfil pró-inflamatório (aumento de citocinas que levam a inflamação). A tempestade de citocinas que ocorre, principalmente nos pacientes graves com Coronavírus 2019, tende a ser mais intensa em pessoas obesas e/ou com diabetes. Por outro lado, alimentos de origem vegetal possuem substâncias com potencial anti-inflamatório, podendo ser utilizados como adjuvantes durante a infecção pelo Coronavírus 2019.

Uma alimentação equilibrada, com alimentos variados, traz uma boa qualidade de vida, uma vez que, dentre outras coisas, melhora o sistema imune do indivíduo. Os alimentos de origem vegetal (frutas, verduras) são ricos em nutrientes muito importantes para o organismo humano, como diferentes vitaminas e minerais, além de polifenóis. Estes últimos são moléculas com potencial imunomodulador, principalmente, com ação anti-inflamatória (capazes de reduzir a inflamação), e ação antioxidante (reduzem a oxidação celular, que quando é produzida em excesso danifica vários tipos de células). Por tudo isso, e sabendo que a infecção pelo Coronavírus 2019 leva a uma tempestade de citocinas pró-inflamatórias, levando consequentemente a uma desregulação imune, a alimentação destaca-se como uma possível estratégia que possa auxiliar na prevenção e/ou no tratamento das formas leves da infecção pelo Coronavírus 2019.

Enquanto aguarda-se o desenvolvimento de vacinas que gerem proteção contra infeção pelo Coronavírus 2019, e/ou fármacos  antivirais eficazes (usados para neutralizar e eliminar o vírus do organismo humano), além de fármacos que possam controlar a tempestade de citocinas (com potencial imunomodulador), a alimentação desponta como um importante adjuvante na prevenção ou no combate a infeção pelo Coronavírus 2019. Os polifenóis dos alimentos vegetais apresentam efeitos imunomoduladores e ações anti-inflamatórias e antioxidantes, podendo por isso ajudar na prevenção da evolução negativa da doença, uma vez que melhora a resposta imune. No tratamento dos pacientes acometidos, podem colaborar como adjuvantes nas formas mais leves da infeção pelo Coronavírus 2019, uma vez que contribuem para reduzir a tempestade de citocinas.

A contribuição positiva do trabalho foi fazer a relação entre o potencial imunomodulador dos alimentos com a infecção pelo Coronavírus 2019. Já a limitação do mesmo foi trazer tópicos como disbiose intestinal, obesidade e diabetes mellitus tipo 2, na busca de relacioná-los como fatores de risco para a infecção pelo Coronavírus 2019, porém sem explicar os mecanismos, tornando o conteúdo mais superficial do que o proposto, podendo confundir quem lê o artigo.

Esta resenha pertence ao grupo sobre: