Evidências Covid 19

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Como mudaram os comportamentos alimentares dos adolescentes durante o confinamento na pandemia?

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified

Confinamento da Covid-19 e Mudanças nas Tendências Dietéticas de Adolescentes na Itália, Espanha, no Chile, Colômbia e Brasil

FAULHABER, Maria Cristina Brito

RUIZ-ROSO, M. B. et al. Covid-19 Confinement and Changes of Adolescent’s Dietary Trends in Italy, Spain, Chile, Colombia and Brazil. Nutrients, v. 12, n. 6,  p. 1807, Jun. 2020. Doi:10.3390/nu12061807. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32560550/

A Organização Mundial da Saúde define adolescência como período da vida que se inicia aos dez anos e termina aos dezenove anos completos. É um período essencial para adquirir bons hábitos alimentares que irão influenciar o estado de saúde na vida adulta, objetivando a prevenção de doenças como obesidade, patologias cardiovasculares, diabetes, etc. Sabe-se que o confinamento influencia o estilo de vida, principalmente a dieta e a atividade física.

O artigo avalia os efeitos das políticas de confinamento induzidos pela COVID-19 sobre mudanças de hábitos alimentares em adolescentes de 5 países: Espanha, Itália, Brasil, Chile e Colômbia, além de buscar identificar potenciais variáveis que possam ter influenciado essa mudança.

Trata-se de um estudo transversal que utilizou um questionário anônimo com mais de 30 perguntas, distribuído em redes sociais como Twitter, WhatsApp, Facebook e outras. Baseado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), o questionário avaliou aspectos sociodemográficos, características familiares e práticas alimentares antes e durante o confinamento, no período de 17 de abril a 25 de maio de 2020.  Os alimentos/grupos de alimentos analisados foram: legumes, verduras, frutas, doces, frituras, carne processada (hamburguer, salsicha, mortadela, salame, presunto, nuggets), bebidas adoçadas com açúcar (BAA) (do inglês SSB: sugar-sweetened beverages) e fast food.

A análise de dados foi realizada usando o teste estatístico t pareado e análise de variância (ANOVA), além do GraphPad Prism8 (versão 8.3.0) Software Inc., San Diego, CA, EUA, nas análises estatísticas.

O estudo está em acordo com os princípios éticos contidos nas resoluções de cada país.

 A idade média dos 820 adolescentes participantes foi 15 anos, 61,1% meninas; 43,3% das mães não tinha diploma universitário.

O consumo de legumes, verduras e frutas aumentou significativamente durante o confinamento; 43% consumiram verduras todos os dias versus 35,2% dos que o faziam antes. Apenas 25,5% dos adolescentes consumia pelo menos 1 fruta por dia em comparação com 33,2% durante. Houve uma drástica redução no consumo de fast food (44,6% antes e 64,0% após o confinamento). Por outro lado, houve um significativo aumento do consumo médio de frituras e alimentos doces (14% e 20,7% após).

Quanto ao gênero as meninas aumentaram um pouco o consumo de verduras (4,8% antes e 5,1% após) e frutas (4,0 e 4,4%). Os meninos também apresentaram aumento no consumo de verduras (4,0% antes e 4,4% após) e de carne processada (2,9% e 3%), mas não houve alteração no consumo de frutas. A diferença mais significativa na dieta entre meninos e meninas foi o aumento de BAA (42,9% e 57,2% respectivamente).

Os adolescentes brasileiros consumiram mais leguminosas do que os demais países; adolescentes colombianos tiveram menor consumo de frutas e verduras, apesar de terem aumentado significativamente o consumo de frutas durante o confinamento. O maior consumo de frutas ocorreu na Espanha e na Itália.

Adolescentes cujas mães tinham níveis superiores ao ensino médio mostraram aumento no consumo de frutas e verduras; e o consumo de BAA entre aqueles com mães com nível universitário foi menor.

Assistir TV durante as refeições foi relacionado com menor consumo de frutas e verduras, maior consumo de alimentos fritos, alimentos doces e BAA, demonstrando piora da qualidade da dieta entre os adolescentes.

O confinamento pode levar a padrões alimentares irregulares e lanches frequentes, por parte dos adolescentes, devido ao tédio e ao estresse.

A pandemia pela COVID-19 tornou visível e ampliou as desigualdades sociais, sendo as famílias mais pobres as mais afetadas.