Evidências Covid 19

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Como praticar meditação e/ou Yoga pode trazer benefícios à saúde física e mental, colaborando na proteção psicocorporal relativa à pandemia da COVID-19 ?

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Práticas de meditação e Yoga como potencial tratamento adjuvante da infecção por SARS-CoV-2 e COVID-19: uma breve visão geral de assuntos chave

FERREIRA, Andre Luis do Nascimento

BUSHELL, W.; et al. Meditation and Yoga Practices as Potential Adjunctive Treatment of SARS-CoV-2 Infection and COVID-19: A Brief Overview of Key Subjects. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, v. 26, n. 7, p. 547-556, Jul. 2020. DOI: 10.1089/acm.2020.0177. Disponível em: https://www.liebertpub.com/doi/full/10.1089/acm.2020.0177.

Este artigo traz uma revisão narrativa da literatura objetivando discutir aspectos imunológicos sobre meditação e yoga que podem ser aplicados de forma adjuvante ao tratamento e à prevenção da infecção por Covid-19. Foram analisados 145 artigos abordando diferentes aspectos da evidência disponível.

Yoga, meditação e práticas correlatas apresentam propriedades antiestresse e anti-inflamatórias documentadas em literatura científica. A importância deste trabalho está em demonstrar as interseções de pesquisas relacionadas aos efeitos dessas práticas na regulação sistêmica de citocinas.

Entre os efeitos observados, pode-se destacar uma redução das atividades de células NK (Natural Killer) e da produção de citocinas por células NK e T do sistema imune. Nesse aspecto, há observações de inibição da transcrição de um compósito de 19 genes pró-inflamatórios e de uma redução significativa da atividade do fator de transcrição NF-kB. Há também um incremento na atividade de receptores de glicocorticoides anti-inflamatórios e do fator de transcrição IFN-I, que vem sendo associado ao tratamento de Covid-19. Estudos relatam ainda decréscimo nos níveis circulatórios de IL-12 e acréscimo nos níveis de IL-10 (interleucinas). Alguns desses efeitos são associados à redução na ativação do sistema nervoso simpático, observada através da redução nos níveis séricos de adrenalina e noradrenalina.

Além disso, há evidência de que a prática de yoga por 90 minutos é capaz de elevar a expressão de β-defensinas nas células do epitélio respiratório. Yoga é capaz ainda de inibir os receptores de citocinas TNF-RII e IL-1RA, bem como PCR. Em associação com meditação, a prática de yoga também regula os níveis da citocina TNF-α e o metabolismo da proteína amiloide-β.

Não obstante, também é documentada a influência de yoga e meditação no nível de atividade da melatonina. Este hormônio realiza ações diversas no organismo, inclusive com impacto anti-inflamatório, antioxidante e fortalecedor do sistema imunológico. Estudos demonstram, por um lado, a possibilidade de redução do nível de melatonina durante a execução de práticas meditativas e de respiração, mas, por outro, um incremento nos níveis séricos do hormônio em praticantes frequentes.

Outro ponto relevante à epidemia de Covid-19 é a influência de práticas integrativas na mitigação de componentes estressores psicossociais, tais como o isolamento social e o estresse pós-traumático. Tais estressores são capazes não apenas de enfraquecer a defesa imune contra patógenos como também de potencializar a resposta inflamatória do organismo até o ponto em que se gera dano tecidual e complicações que podem levar à morte. Literatura acadêmica associando meditação a benefícios à saúde mental é ampla. No que tange à yoga, também há descobertas relevantes, ainda que de forma menos consistente.

A revisão apresenta evidência de que práticas meditativas e yoga possuem impacto na modulação do estresse e da inflamação, bem como no sistema imune humano, podendo contribuir para contrabalançar o impacto de agentes infecciosos. Tais práticas podem gerar benefícios de curto e/ou longo prazo no combate a condições associadas à pandemia, tais como fatores inflamatórios ou estressores psicossociais.

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Como os nutrientes podem fortalecer a imunidade durante a COVID-19 ?

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Fortalecendo o sistema imune e reduzindo inflamação e estresse oxidativo através de dieta e nutrição: considerações durante a crise de COVID-19

COHEN, Larissa

IDDIR, M. ; et al. Strengthening the immune system and reducing inflammation and oxidative stress through diet and nutrition: considerations during the COVID-19 crisis. Nutrients, v.12, n.6, p.E1562, mai.2020. DOI:10.3390/nu12061562 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32471251/

As manifestações da COVID-19 podem ser assintomáticas, moderadas ou severas com complicações, como síndrome respiratória aguda, que se relacionam à tempestade de citocinas associada à hiper inflamação. Nesse contexto, conhecer nutrientes anti-inflamatórios e antioxidantes que promovam ótimo estado nutricional é relevante para fortalecer o sistema imunológico durante a crise de COVID-19.

O estado nutricional carente de macro e micronutrientes associa-se com maior inflamação e estresse oxidativo e torna o indivíduo suscetível às questões relacionadas ao sistema imunológico. Vitaminas A, C, D, E, carotenóides, polifenóis, fitoquímicos em geral, zinco, ferro, proteínas, ácidos graxos ômega-3, fibras dietéticas presentes na dieta baseada em plantas e que modulam a microbiota propiciam resposta imune adequada. Por exemplo, um baixo consumo proteico leva à reduzida produção de anticorpos. Assim, esta revisão destaca a importância de um status ideal de nutrientes para reduzir inflamação e estresse oxidativo, a fim de fortalecer o sistema imunológico no cenário da COVID-19.

O surto desta doença infecciosa emergente evoluiu rapidamente e foram implementadas políticas públicas para controlar a doença, sendo o auto-confinamento uma delas. Diante do estresse do isolamento social, os indivíduos modificaram seus padrões alimentares, e podem consumir menos alimentos naturais. Sabe-se que o consumo de nutrientes anti-inflamatórios provenientes de uma dieta baseada em vegetais é significativo na homeostase da inflamação e estresse oxidativo, antes e/ou durante a infecção. Dessa forma, a resposta imunológica ótima depende de uma dieta balanceada.

Foi realizada uma revisão da literatura sobre os papéis de vários constituintes alimentares na infecção, inflamação e estresse oxidativo. Os nutrientes estudados foram: proteínas, lipídios, fibras, vitaminas A, D, E, C, complexo B, zinco, ferro, selênio, polifenóis e carotenoides. Os autores selecionaram estudos em animais e estudos clínicos randomizados e metanálises feitos com humanos, que associaram a falta dos nutrientes mencionados a riscos e sintomas de infecções virais.

Os autores identificaram que, em humanos, baixos níveis séricos de albumina, pré-albumina, ferro e vitamina E levam a menores respostas à vacinação da influenza em idosos, apontando a interrelação entre vários nutrientes e a resposta imune.

A suplementação de ômega 3 pode ser interessante durante a tempestade de citocinas, assim como a suplementação de vitamina D demonstra efeitos de proteção contra infecções do trato respiratório por reduzir a entrada de partículas virais de SARS-CoV-2 nas células. No entanto, a suplementação dos demais micronutrientes analisados necessita de mais estudos sobre seu papel em infecções em humanos.

Observou-se também que refeições com alto índice glicêmico associaram-se a aumento imediato de citocinas inflamatórias. Em contrapartida, o consumo de carboidratos complexos, fontes de fibras prebióticas, é inversamente relacionado às doenças infecciosas por favorecer a adequada composição da microbiota intestinal (probióticos), que influencia na prevenção de infecções virais. Logo, modular o microbioma intestinal no contexto da COVID-19 através da dieta é um aspecto importante.

As evidências indicam que uma dieta com equilíbrio de nutrientes afeta positivamente a função imunológica, com destaque para a ação do microbioma intestinal modulado a partir de uma dieta baseada em vegetais.

Embora os constituintes alimentares anti-inflamatórios possam ser benéficos durante a hiper inflamação, como a tempestade de citocinas da COVID-19, os pesquisadores frisam que se deve ter atenção com altas doses de anti-inflamatórios isolados e/ou antioxidantes durante condições mais saudáveis, a fim de não suprimir excessivamente a inflamação e o sistema imunológico.

O artigo contextualiza as evidências disponíveis sobre nutrientes em relação à COVID-19 e ao sistema imunológico. Ademais, os autores elucidam que todos os aspectos abordados são interessantes também no manejo das inflamações crônicas de baixo grau relacionadas à obesidade, diabetes, doenças autoimunes e cardiovasculares.

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