Evidências Covid 19

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Como a Covid-19 afeta neurologicamente?

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Manifestações neurológicas associadas a Covid-19

GIESTA, Monica Maria da Silva

 Leonardi M ; Padovani A ; McArthur J C. Neurological manifestations associated with COVID-19: a review and a call for action. J Neurol. v. 267, n. 6, p.1573-1576, jun. 2020 . Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7238392/

As manifestações neurológicas têm sido observadas desde o aparecimento da pandemia de COVID 19 e sua disseminação em nível mundial. O fato levou a descrições de acometimentos no Sistema Nervoso Central e Periférico, embora até o presente momento permaneçam interrogações sobre a severidade, frequência e gravidade do acometimento, assim como quais fatores possam predispor ao quadro neurológico.

Os autores realizaram uma revisão sistemática de publicações chinesas e italianas, após suas próprias observações de que um grande número de pacientes apresentava ausência ou diminuição do olfato, assim como outras alterações possíveis de acometimento do Sistema Nervoso, inclusive manifestações respiratórias de origem possivelmente neurológica.

A  metodologia usada foi a busca bibliográfica em língua inglesa através do Pubmed cruzando os termos COVID 19 ou correlatos ( novo COVID, n COV, COV2)  com termos relacionados a neurotropismo ou sintomas neurológicos. Dos 198 artigos resultantes da busca, apenas 29 foram avaliados na íntegra e os demais excluídos pelos seguintes motivos: dificuldade de acesso ao texto integral, análise dos resultados e assunto abordado no texto integral.

Os achados relacionados as manifestações neurológicas da COVID 19 foram divididos em três grandes categorias: Central, Periférica e Musculoesquelética. As ocorrências relativas ao Sistema Nervoso Central mais observadas foram perda da consciência, tonteira, Acidente Vascular Cerebral (AVC) por isquemia ou hemorragia, convulsões e movimentos desordenados como ataxia e inflamação cerebral. Em um dos sobreviventes de Wuhan citam ainda a ocorrência de hipoventilação de causa neurológica. Os autores destacam a presença de delírio em 22% dos pacientes chineses que evoluíram para óbito, enquanto a frequência foi apenas de 1% naqueles que se curaram nos pacientes chineses. Na Itália houve relato de Síndrome de Guillain-Barré.

 Os fenômenos relativos ao Sistema Nervoso Periférico foram alteração ou ausência de olfato em 5% dos pacientes, dormência e dor espontânea.

Os eventos relativos ao sistema musculoesquelético ocorreram em aproximadamente 10% dos pacientes chineses, constituindo-se de dor e lesões musculares.

Na discussão, o artigo chama a atenção para o acometimento do sistema nervoso em vários níveis, ressaltando a necessidade de melhor compreensão da frequência, severidade, mecanismo de ação e relação entre estes sintomas e a gravidade da evolução da doença. Fazem questionamentos em três linhas:
Estes achados são frequentes em outros países? A inflamação causada pelo vírus seria o fator desencadeante? O vírus teria afinidade por células do sistema nervoso?

A conclusão aponta para a necessidade de um estudo mais bem elaborado e estruturado para estas respostas e, entendendo a limitação de sua própria revisão, os autores clamam a comunidade científica para a contribuição e notificação das evidências.