Evidências Covid 19

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Como as mulheres estão sofrendo maior impacto psicológico durante a pandemia de COVID-19?

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O impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental das mulheres

SCHEINKMAN, Lilian

ALMEIDA, M. et al.  The impact of the COVID-19 pandemic on women’s mental health. Arch Womens Ment Health, v. 23, n. 6, p. 741-748, Dec. 2020. Doi: 10.1007/s00737-020-01092-2 Disponível em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7707813/

A infecção por COVID-19 foi inicialmente relatada em Wuhan, China, em dezembro de 2019 e rapidamente se tornou uma pandemia afetando todos os segmentos da sociedade. O artigo apresenta uma revisão narrativa dos efeitos da pandemia especificamente na saúde mental das mulheres.  A revisão foi feita a partir de artigos publicados até 30 de maio de 2020, nas bases de dados PubMed e Psych Info, em publicações de entidades de saúde representativas (Organização Mundial da Sáude, Center for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos e Nações Unidas) e em comunicados de imprensa.  Os termos utilizados na busca foram “novo coronavirus”, “coronavirus’, “SARS-CoV-2”, “COVID-19”, “violência de gênero”, “violência doméstica ” e “saúde mental”*, usados individualmente e em várias combinações e idiomas. Foram incluídos artigos avaliando como as mulheres são afetadas pela quarentena e isolamento social na pandemia em aspectos como preconcepção, gravidez, pós-parto e aleitamento, além das repercussões no aumento da incidência de violência doméstica.

Estudos da China encontraram aumento significativo de estresse, ansiedade, depressão e estresse pós traumático reportados em mulheres, em relação aos homens. As mulheres têm uma prevalência maior de fatores de risco que podem se intensificar durante a pandemia, incluindo sobrecarga ambiental crônica, transtornos depressivos e ansiosos prévios e violência doméstica.  Além das influências associadas ao papel das mulheres culturalmente, elas também vivenciam estressores relacionados à pandemia, no que diz respeito à reprodução e aos ciclos de vida da mulher, como menor acesso à contracepção, redução do horário de atendimentos médicos, receio de ir ao médico/hospital e cancelamento de procedimentos de pré-natal. Vários casais optaram por adiar os planos de gravidez, alguns suspendendo tratamentos de fertilização em andamento. 

Estudos de diferentes países apontam aumento de prevalência de depressão, ansiedade e uso de substâncias em mulheres grávidas em relação aos índices pré-pandemia  A gravidez e o primeiro ano pós-parto são períodos de maior vulnerabilidade para saúde mental.  Observou-se na revisão risco aumentado de ansiedade, depressão e sofrimento emocional, sobretudo em mulheres com gravidez de alto risco. Entre possíveis causas estariam: vulnerabilidade à infecção, receio de complicações, receio de transmissão fetal do vírus, estresse associado a decisões sobre ir ou não ao hospital para acompanhamento devido ao receio de contágio e redução dos atendimentos presenciais. Falta de diretrizes para o cuidado de mulheres grávidas na pandemia, pouco conhecimento quanto a complicações da infecção por COVID na gravidez e falta de dados definitivos sobre transmissão vertical do SARS-CoV-2 podem também contribuir para aumento do estresse materno.

No pós-parto, foram descritas preocupações como: vulnerabilidade do recém-nascido ao vírus, dúvidas quanto à proximidade segura mãe-bebê e quanto à transmissão viral através do aleitamento, dificuldades em ter ajuda de familiares no cuidado do bebê e receios financeiros nas  situações de desemprego. Nessa fase de alterações hormonais, privação do sono e ajustes na dinâmica familiar, as mulheres se encontram frequentemente sem ajuda familiar ou profissional, devido ao distanciamento social, tendo que lidar com múltiplas funções, por vezes com outros filhos em casa. Encontram-se ainda sem apoio social, importante fator de proteção em relação à depressão pós-parto, situação ainda mais difícil para mães solteiras e em situação de baixa renda. Embora não haja consenso absoluto quanto ao aleitamento, o CDC recomendou que as mulheres usem máscara e lavem as mãos com sabão antes de cada mamada. Em situações de aborto espontâneo, já frequentemente associadas a altos níveis de depressão, ansiedade e sintomas de estresse pós traumático, a decisão de evitar ir ao consultório ou ao hospital pelo receio de contágio pode levar a vários dias de sofrimento físico e mental, com reduzido apoio social.

Isolamento, fechamento de escolas, assumir o cuidado de crianças e idosos, desemprego, tentativas de conciliar trabalho remoto e ensino em casa, entre outros fatores, acrescentam às dificuldades vivenciadas, em alguns casos se traduzindo em maior risco de violência contra crianças. Estratégias recomendadas pelo American Psychological Association para diminuir esses conflitos são realçadas, além da importância da reorganização do tempo e das responsabilidades para prevenir exacerbação de desigualdades de gênero. Esse pode ser um momento também de comportamentos positivos e de aprofundar relações interpessoais desenvolvendo novas habilidades e competências.  Níveis de violência doméstica e taxas de feminicídio cresceram em diversos países, incluindo Brasil. Os números são provavelmente subestimados, pois muitas vítimas estão privadas do contato com o mundo externo por medo de retaliação. Vítimas de violência doméstica, geralmente mulheres, estão mais expostas aos agressores em uma época de enorme estresse psicológico e econômico, tendo menor acesso a locais seguros.  São enfatizados o valor essencial do apoio social, a importância de ajudar as mulheres no desenvolvimento de estratégias para lidar com os filhos e a necessidade de divulgar e manter linhas de atendimento telefônico e abrigos para assistência às mulheres vítimas de violência.   

Nessa excelente revisão, nosso olhar é direcionado para as desigualdades de gênero, acentuadas nesse momento de pandemia. Maior conhecimento das consequências psicológicas da pandemia em mulheres, que podem ser devastadoras, é essencial para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento.

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Quais os desafios dos pacientes em relação ao uso de telessaúde na pandemia?

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Alfabetização tecnológica (healthtech literacy) como uma barreira à telessaúde durante a COVID-19

MARTINHO, Alfredo

TRIANA, Austin J. ; et al. Technology Literacy as a Barrier to Telehealth During COVID-19. Telemed J E Health, May 2020. [publicado antes da impressão] Doi: 10.1089/tmj.2020.0155. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32429770/

Durante a pandemia em curso da COVID-19, ocorreram muitas mudanças fundamentais no sistema de saúde, uma das quais foi a rápida adoção da telessaúde (telemedicina).

Nos Estados Unidos, a utilização da telessaúde, apesar de ampla capacidade tecnológica, estava limitada em muitas áreas, pela regulamentação diferente em cada estado e por ser baixo o reembolso pago pelas seguradoras.

O distanciamento social foi necessário para proteção dos pacientes, modificando todo fluxo de trabalho tradicional na assistência à saúde.

Nesse artigo, uma instituição de saúde teve o número de visitas diárias aumentadas mais de 1000 vezes em poucas semanas.

Tanto os médicos quanto os pacientes foram submetidos a uma reorganização, que incluiu treinamentos dos médicos e identificação das diversas barreiras de acesso encontradas pelos pacientes.

As dificuldades de navegação, o acesso ao sistema virtual de atendimento, a conexão estável, todos esses fatores necessitaram de uma visão em larga escala para encaminhar soluções.

Foi efetuado um processo sistemático de recrutamento e apoio de jovens voluntários estudantes de medicina, treinados, que puderam oferecer um suporte operacional (para configuração e testes com os dispositivos), o que foi fundamental para encontrar as soluções. Dessa forma, um total de 135 estudantes de medicina conseguiu ajudar mais de 5000 pacientes.

Ao longo do caminho, vimos evoluir a oferta de uma ampla gama de confortos ao paciente com a tecnologia, avançando nossa compreensão da alfabetização tecnológica, não importando se eram pacientes já com uma experiência prévia ou sem nenhuma alfabetização de natureza tecnológica.

Além da própria tecnologia, os pacientes precisam saber o que esperar de suas consultas em telessaúde, devendo esses serem comunicados previamente sobre essas expectativas, além da combinação de um local privado apropriado para teleconsulta.

Estando o paciente no ambiente em que vive, é uma oportunidade de contextualizar suas experiências e utilizar melhor o modelo biopsicossocial que poderá ser oferecido.

Mesmo os estudantes de medicina, que cresceram imersos em tecnologia, viram a complexidade que é ter que ensinar a outras pessoas a utilizar essa tecnologia (smartphones, aplicativos, navegação na web) e as diferentes lacunas tecnológicas em várias populações de pacientes.

 Fora do contexto do atendimento direto ao paciente, a ampla adoção da telessaúde tem o potencial de melhorar a qualidade de vida e os resultados de saúde por meio de sinergias adicionais, embora muitos idosos percebam que os benefícios da tecnologia incluem as barreiras comuns como questões de autoeficácia, custo e privacidade.

Pesquisas anteriores mostraram que a adoção de tecnologia pode ser melhorada através da educação e, na medida em que os pacientes se sintam capacitados, podem exercer com desenvoltura o atendimento às suas demandas.

A melhoria permanente nos regulamentos e nas coberturas dos seguros refletirá na melhoria do acesso, abordando questões como distância, mobilidade e preocupações com a saúde.

Outros fatores, como o licenciamento além das fronteiras estaduais, continuam constituindo uma grande questão que pode afetar drasticamente o acesso de muitos pacientes.

A transição para a telessaúde requer tempo, paciência e recursos, um investimento crucial para os pacientes que correm o risco de serem deixados para trás.

Sua ideia central pode ser vista no vídeo

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