Evidências Covid 19

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Como manejar pacientes com transtornos da tireóide durante a pandemia?

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Endocrinologia na época da COVID-19: Manejo do hipertireoidismo e do hipotireoidismo

PESSANHA, Katia Maria de Oliveira Gonçalves

BOELAERT, K.; et al. Endocrinology in the time of COVID-19: Management of hyperthyroidism and hypothyroidism. Eur J Endocrinol., v. 183, n.1, p. G33-G39, Jul. 2020. DOI: 10.1530/EJE-20-0445. Disponível em : https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32438340/

Desde a declaração da pandemia de Covid-10 houve uma readaptação de serviços resultando em dificuldades para revisões clínicas, diagnósticos e procedimentos terapêuticos. As doenças funcionais da tireoide são situações crônicas dependentes de avaliação ambulatorial e principalmente exames bioquímicos, de imagem e de Medicina Nuclear. Este manuscrito tem como objetivo fornecer aconselhamento consensual para o manejo seguro destes pacientes neste momento de afastamento, não se baseia em uma revisão sistemática ou meta-análise, mas em um rápido consenso de especialistas, nos trazendo observações científicas e orientações sobre condutas.

Os autores abordam a autoimunidade tireoidiana como a possível relação com Covid-19. Algumas infecções virais foram citadas como gatilhos ambientais, porém não houve evidência desta associação com a Covid-19, ou com desenvolvimento de formas graves. Ressalta-se que pacientes com oftalmopatia em tratamento imunossupressor poderiam desenvolver a forma grave de doença. Naqueles em uso de antitireoidianos (DATs) não está confirmada a relação com desenvolvimento ou agravamento da Covid-19, entretanto, os sintomas desta doença são indistinguíveis daqueles da neutropenia induzida por DAT, recomendando-se a retirada e investigação. É possível que este raro efeito colateral possa favorecer a progressão da Covid-19, possivelmente por meio de uma imunossupressão generalizada e de aumento do risco de infecções bacterianas coexistentes.

O hipotireoidismo não é uma preocupação durante esta pandemia, a menos que haja instabilidade clínica ou ganho ponderal, quando devem ser realizados exames. A triagem neonatal não deve ser interrompida. As pacientes hipotireoideas tratadas, que engravidam, devem aumentar a dosagem do medicamento no primeiro trimestre, mesmo sem exames. Em relação ao hipertireoidismo seria importante a análise laboratorial para que a menor dosagem de DAT fosse mantida. Outro ponto abordado foi a relação com a síndrome do T3 baixo associada a infecções graves respiratórias, sendo necessário avaliar o comprometimento hipofisário do Sars-CoV-2 com possível evolução para hipotireoidismo central posterior.

Alterações no controle tireoidiano não parecem aumentar o risco de contrair doenças virais, mas pode ser um fator de agravamento dessas doenças como no caso da tireotoxicose. Os autores avaliaram ainda que pacientes com cirurgias tireoidianas anteriores ou tratamento com I-131 não apresentam maior risco para Covid-19. Sobre os pacientes com hipertireoidismo, concluíram que o diagnóstico deve ser baseado em suspeita clínica e resultados bioquímicos, mas os métodos de imagem foram adiados à exceção da suspeita de câncer de alto risco. Pacientes com hipertireoidismo já tratados devem continuar sendo reavaliados, especialmente se houver alterações clínicas ou oculares. As cirurgias eletivas devem ser suspensas, excetuando-se as urgências para os hipertireoidismos não compensados, os que apresentaram efeitos adversos com DATs ou os casos de câncer confirmado. À exceção para os portadores de doença de Graves e necessidade de I-131 com urgência, o I-131 fica suspenso.

Este manuscrito orienta que as consultas sejam realizadas por telefone e vídeo, sendo presencias somente nos casos de pacientes com doença ocular de início recente ou com agravamento, aqueles com aumento do bócio causando sintomas de obstrução, e pacientes que não estão respondendo às medidas de tratamento instituídas. Em conclusão, os pacientes com hipotireoidismo ou hipertireoidismo graves devem ser priorizados no atendimento. A investigação etiológica do hipertireoidismo fica adiada, assim como os tratamentos específicos para os nódulos tóxicos. Priorizar o atendimento remoto pode ser uma prática mantida inclusive pós pandemia. Informações adicionais em sites de conselhos ou sociedades podem ainda auxiliar neste momento.

Qual o risco em relação à COVID-19 de pacientes com doenças da tireoide?

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Doença da Tireóide em época de COVID-19

PESSANHA, Katia Maria de Oliveira Gonçalves

DWORAKOWSKA, D. ; GROSSMAN, A. B. Thyroid disease in the time of COVID-19. Endocrine, v. 68, n. 3, p. 471-474, Jun. 2020. DOI: 10.1007/s12020-020-02364-8 . Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32507963/

A Covid-19, causada pelo SARS-Cov-2, mostrou que os grupos de risco mais acometidos seriam os idosos, gestantes e pessoas com comorbidades associadas, incluindo insuficiência cardíaca, diabetes, asma ou câncer; entretanto, não é mencionado até então o papel das doenças tireoidianas pré existentes ou a possibilidade de desenvolvimento posterior das mesmas em pacientes acometidos pela Covid-19.

Sendo as doenças autoimunes tireoidianas (AITD) bastante prevalentes na população, têm sido realizados estudos para avalições de risco ou de isolamento, e discussões sobre os medicamentos utilizados que causariam agranulocitose. A Sociedade Europeia de Endocrinologia recomenda proteger este paciente, testar para Covid-19 se foi exposto, evitar consultas presenciais e priorizá-las por telemedicina.

Neste estudo foi revisada a literatura atual sobre doenças da tireoide (excluindo câncer) e Covid-19, incluindo dados da pandemia anterior (SARS-CoV), que se apresentou de maneira semelhante e sobre a qual temos mais artigos publicados. Analogias foram também extraídas de experiências com doenças autoimunes reumatológicas. A doença tireoidiana autoimune pode estar ligada a doenças autoimunes sistêmicas com disfunção imunológica semelhante, e o fato da Artrite Reumatoide não ser considerada maior risco para Covid-19 nos sugere que o mesmo aconteça com a tireoide.

Em relação ao uso de antitireoidianos a indicação para os autores seria prudência, já que a neutropenia induzida por eles é rara, mas potencialmente fatal. Apresentam neutropenia grave dentro de várias semanas ou meses após a primeira exposição, com mortalidade de 5%. O mais usado é o metimazol, e a neutropenia é acompanhada de febre, calafrio, dor muscular/articular e dor na garganta. O diagnóstico é difícil em épocas de Covid-19, mas essencial para evitar um aumento da mortalidade.

Na pandemia de 2002 pelo SARS-CoV, da mesma família do coronavírus atual, várias revisões resumiram os mecanismos patogenéticos da disfunção tireoidiana, sendo o vírus encontrado em vários órgãos, incluindo adrenais e cérebro, mas não na tireoide. Os autores citam um estudo com pacientes recuperados da SARS, sem condições endócrinas pré-existentes, sugerindo hipofisite reversível ou efeito hipotalâmico direto causado pelo vírus, com relato de hipotireoidismo central ou primário, associado ou não ao hipocortisolismo, além de tireotoxicose subclínica transitória.

Relataram ainda baixos níveis séricos de triiodotironina e tiroxina em pacientes com SARS, constatando que níveis séricos de fT3 diminuem mais intensamente que de fT4, em qualquer fase da doença, o que se correlacionou a maior gravidade. A concentração sérica do hormônio estimulador da tireoide (TSH) em pacientes com SARS foi reduzida, sugerindo hipotireoidismo central, mas ficando dúvidas sobre dano epitelial folicular tireoidiano. Outros estudos levantaram a hipótese do eutireoidiano doente observada em pacientes gravemente enfermos, forma de adaptação fisiológica ou resposta patológica à doença aguda, e cujo tratamento com hormônios tireoidianos não parece trazer nenhum benefício.

Concluíram os autores que não há dados disponíveis atualmente que sugiram que pacientes com AITD permaneçam em maior risco de Covid-19. Embora os riscos dos medicamentos antitireoidianos permaneçam, eles provavelmente não são diretamente pertinentes a tais pacientes, que devem ser tratados da maneira usual. Na maioria dos pacientes, algum atraso nos exames de rotina não causaria preocupações, assim eles devem ser tranquilizados. Nos gravemente afetados por COVID-19, as alterações na função tireoidiana podem estar relacionadas a síndrome de ‘doença eutireoidiana’, mas outros danos podem existir que mereçam investigação. Até onde sabemos, não há artigos publicados até o momento especificamente sobre tireoide / AITD e COVID-19, sendo importante seu melhor estudo.