Evidências Covid 19

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Como as pessoas se comportaram buscando informação sobre COVID-19 na Internet?

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Comportamentos de Busca na Web e Atitudes Infodêmicas Relacionadas à COVID-19 na Itália: Estudo Infodemiológico

MONT'ALVÃO, Claúdia

ROVETTA A., BHAGAVATHULA A.S. COVID-19-Related Web Search Behaviors and Infodemic Attitudes in Italy: Infodemiological Study. Journal of Medical Internet Research Public Health and Surveillance, v. 6, n. 2, Apr.-Jun. 2020. DOI: 10.2196/19374. Disponível em: http://publichealth.jmir.org/2020/2/e19374/

O objetivo do artigo foi analisar o comportamento das buscas na internet relacionadas à COVID-19 na Itália, a partir dos “infodemic monikers” (ie., codinomes,  apelidos, que divulgam informações erradas que levam a interpretações errôneas, fake news, episódios de racismo, etc.).

A pesquisa foi realizada a partir da análise do Google Trends, a fim de explorar as atividades de busca relacionadas à COVID-19 entre 21 de janeiro e 24 de março de 2020. Para busca no Google Trends, foram utilizadas como palavras chave “Coronavirus” e “Coronavirus+” tanto em inglês, quanto em italiano. Na busca foram considerados títulos de artigos de jornais e websites governamentais, investigando as atitudes dos “infodemic monikers” em diferentes regiões e cidades da Itália, durante 5 dias.

Para caracterizar os infodemic monikers, foram consideradas atitudes de infodemia em quatro grupos:
1) Atitude superficial: o usuário adota palavras que podem gerar confusão desde que o tópico não seja especifico (p.ex., coronavírus);

2) Atitude de desinformação/divulgação de informação falsa: o usuário adota palavras que podem levar à dispersão de notícias falsas, as ‘fake news’ (como p. ex., 5G coronavírus);

3) Atitude racista: o usuário adota palavras que, voluntariamente ou não, geram ou acentuam episódios de racismo (p.ex., coronavírus chinês);

4) Atitude assertiva: o usuário adota os termos apropriados para uma identificação correta da questão (p.ex., COVID-19).

Como ilustrado por gráficos, os cinco principais termos infodêmicos e científicos em uso sobre a COVID-19, na Itália, a partir dos resultados do Google, foram ‘novo coronavírus’, ‘coronavírus chinês’, ‘COVID-19,” “2019-nCOV,” e “SARS-COV-2”. Os cinco principais termos de busca relacionados à saúde foram “máscaras faciais,” “amuchina” (desinfetante à base de cloro), “sintomas do novo coronavírus,” “boletim de saúde” e “vacinas para o coronavírus.”

Considerando as atitudes, a maior parte das informações sobre a COVID-19 que circulou nas regiões de Basilicata, Úmbria, e Emilia Romagna foram consideradas superficiais, e que não forneciam informação clara sobre a COVID-19. A desinformação/divulgação de noticias falsas foi mais disseminada na Úmbria e Basilicata. Uma vez que a COVID-19 foi disseminada pelo mundo a partir da China, muitas informações de cunho racista, como “coronavírus chinês,” “vírus chinês,” “coronavírus chinês,” e “vírus de Wuhan,” foram buscados nas regiões da Campania e Friuli Venezia Giulia.

Como principais achados da pesquisa, a busca na Internet sobre a COVID-19 foi verificada em níveis regionais e locais (cidades) em toda a Itália, e as buscas foram influenciadas pela tradição, por jornais eletrônicos, e pela cobertura da mídia impressa.

Os autores atribuem as atitudes verificadas às falhas das autoridades chinesas em lidar com o vírus em seus estágios iniciais, bem como da OMS, que em suas investigações iniciais, negou a possibilidade de transmissão humano-humano da COVID-19. Os autores assumem que esse tipo de desinformação pode ter levado aos resultados encontrados de conversas furiosas no ambiente online, entre os cidadãos italianos.

Os autores apontaram como limitação do estudo o fato de somente ter sido utilizada a ferramenta Google Trends, limitada à análise dos dados da ferramenta de busca Google. Os autores também não discutem os métodos e ferramentas da Google para a geração de dados de busca e seus algoritmos. As demais ferramentas de busca não foram consideradas.

Quais os possíveis benefícios de suplementos nutricionais no tratamento e na prevenção da COVID-19?

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Caçadores de mitos: suplementos dietéticos e COVID-19

COHEN, Larissa

Adams, K.K.; Baker, W. L.; Sobieraj, D. M. Myth Busters: dietary supplements and COVID-19. Annals of Pharmacotherapy, v. 54, n. 8, 2020. Doi:10.1177/1060028020928052. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32396382/

Recentemente, divulgou-se nas redes sociais informações sobre o uso de suplementos nutricionais no tratamento e na prevenção dos sintomas causados pelo novo coronavírus. Nesse contexto, percebe-se a importância em esclarecer, com base em referências científicas, verdades e contradições do uso de certos micronutrientes e fitoterápicos sugeridos para tais funções.

Durante a pandemia do novo coronavirus (COVID-19), os sistemas de saúde ficaram sobrecarregados e a população buscou informações médicas de tratamento e prevenção em fontes on-line. Realizou-se uma revisão sobre evidências relacionadas à eficácia e à segurança de suplementos selecionados no cenário de COVID-19, incluindo vitamina C, vitamina D, zinco, sabugueiro e prata coloidal.

Nas redes sociais, o anúncio de suplementos para evitar a contaminação com o vírus da COVID-19 e para auxiliar no tratamento agudo fez as vendas de alguns produtos dispararem. Por exemplo, suplementos à base de zinco e de sabugueiro aumentaram 415% e 255%, respectivamente, no período de 1 semana, no início de Março de 2020.

Foi realizada uma revisão da literatura sobre os suplementos usados para combater a COVID-19 mais anunciados nas redes sociais e nas agências de notícias. Utilizou-se recursos baseados em evidências para COVID-19 e suplementos alimentares provenientes de fontes como Centers for Disease Control and Prevention, ClinicalTrials.gov, Infectious Diseases Society of America e National Institutes of Health.

Há ensaios clínicos registrados em andamento, que examinam as doses de 250 a 500 mg por dia via oral até 24 g via intravenosa por dia de Vitamina C para prevenção e como coadjuvante de tratamento da COVID-19. Porém, ainda não há evidências para tais fins. É importante lembrar que altas doses de Vitamina C administradas via oral causam efeitos adversos em trato gastrointestinal e formação de cálculos renais.

Dados observacionais associaram baixos níveis séricos de vitamina D (<25ng/ml) com infecções agudas do trato respiratório. A ingestão de vitamina D entre 400 a 4000 UI/dia ou dosagens semanais reduzem esse risco. Há embasamento científico para a manutenção de níveis adequados de vitamina D, através de exposição solar segura, alimentos ou suplementação de vitamina D. A suplementação acima de 4000 UI por dia em longo prazo não é considerada segura e pode causar hipercalcemia.

O mineral zinco, o fitoterápico Sabugueiro (Sambucus nigra) e a prata coloidal, não apresentaram estudos com metodologias adequadas nem evidências conclusivas para tratamento e prevenção da COVID-19.

Apesar de fácil acesso, os suplementos nutricionais não devem ser opções de tratamento para COVID-19. Ademais, é importante frisar para a população que a forma correta de prevenção da transmissão é lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos ou utilizar sanitizante de mãos com 60% de álcool, evitar tocar no rosto antes de lavar as mãos, evitar exposição a ambientes e pessoas com vírus, respeitar o distanciamento social, utilizar máscaras em público, cobrir boca e nariz com cotovelo quando espirrar ou tossir, e desinfetar diariamente superfícies que sejam muito tocadas. Os farmacêuticos são os profissionais responsáveis por garantir que os pacientes tenham informações precisas sobre a eficácia desses suplementos em relação à COVID-19.

Em momentos de pandemia, profissionais da área da saúde como nutricionistas e médicos também estão aptos a buscar bases científicas para auxiliar a desmistificar assuntos polêmicos pertinentes à doença em questão e uso de suplementos que aparecem nas redes sociais e que podem induzir a população a erros de uso e riscos à saúde.

Como a desinformação pode afetar a Covid-19?

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Quando o medo e a desinformação se tornam virais: o papel dos farmacêuticos na prevenção da desinformação dos medicamentos durante a infodemia da COVID-19

Elaine Dias

Erku, D.A.; et al. When fear and misinformation go viral: Pharmacists’ role in deterring medication misinformation during the ‘infodemic’ surrounding COVID-19. Research in Social and Administrative Pharmacy, mai. 2020 [no prelo]. DOI:10.1016/j.sapharm.2020.04.032 Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32387230

O mundo enfrentou um desafio sem precedentes quando o coronavírus (COVID-19) surgiu como uma pandemia. Em meio ao crescente desafio dessa expansão da infecção, existem emergências paralelas que precisam ser combatidas simultaneamente como a proliferação de medicamentos falsos, notícias falsas e desinformação médica em torno da COVID-19.

Os farmacêuticos, por serem uma fonte relevante de informações precisas e confiáveis ​​para o público ou para outros profissionais da área da saúde, são os principais profissionais com habilidades e treinamento necessários para contribuir para a luta contra essas emergências, principalmente reduzindo a disseminação das informações erradas sobre os medicamentos.

Os autores discutem o papel dos farmacêuticos contra as emergências globais de saúde, usando o sistema australiano como exemplo e apresentam um resumo do papel potencial dos farmacêuticos no combate à desinformação sobre medicamentos e outros aspectos a respeito da COVID-19.

A pesquisa de vacinas e tratamentos para COVID-19 foi iniciada imediatamente após o surto, com o objetivo de prevenir a infecção, reduzir a transmissão e/ou gerenciar os graves resultados da doença. Apesar de muitos estudos pré-clínicos e clínicos sobre medicamentos contra a COVID-19, atualmente não há evidências para concluir a opção de tratamento mais segura e eficaz da doença.

A pandemia de COVID-19 provocou um aumento nas vendas de medicamentos “essenciais” falsos e de suprimentos médicos que prometem a cura. Depois que a hidroxicloroquina foi reivindicada como eficaz para o tratamento com COVID-19, houve um aumento na demanda por esse medicamento e um declínio no suprimento internacional, o que representa um risco de curto prazo, principalmente para quem depende do medicamento.

Outra emergência paralela é a sobrecarga de informações e desinformação sobre medicamentos em torno da COVID-19. A OMS descreveu que o surto e a resposta à doença “foram acompanhados por uma enorme infodemia” – uma abundância de informações em excesso em relação à COVID-19 (incluindo medidas ou curas de prevenção falsas) que apresentam preocupações tanto para o público ao distinguir fatos de ficção quanto para agências governamentais definirem políticas baseadas em evidências.

À medida que a COVID-19 se transforma em uma crise de saúde pública global, várias reivindicações infundadas sobre curas e transmissão e/ou exposição foram deflagradas na Internet e nas mídias sociais. Informações erradas sobre medicamentos, na ausência de validação científica, podem potencialmente espalhar medo e pânico desnecessários, minando a disposição do público de seguir conselhos legítimos de saúde pública e de tomar medidas de precaução comprovadas.

Segundo o estudo, os farmacêuticos vêm contribuindo significativamente para o controle da pandemia da COVID-19, através da mitigação da escassez de medicamentos e garantia da qualidade dos medicamentos bem como na disponibilização de informações atualizadas e confiáveis ​​sobre COVID-19 para a comunidade através de folhetos e plataformas de mídia social. No entanto, a COVID-19 apresenta ao mundo uma pandemia paralela de medicamentos “falsos”, suprimentos médicos e “infodemia” de desinformação, o que exige ainda mais esforços de colaboração entre os profissionais para combater essas pandemias.