Evidências Covid 19

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Como os nutrientes podem fortalecer a imunidade durante a COVID-19 ?

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Fortalecendo o sistema imune e reduzindo inflamação e estresse oxidativo através de dieta e nutrição: considerações durante a crise de COVID-19

COHEN, Larissa

IDDIR, M. ; et al. Strengthening the immune system and reducing inflammation and oxidative stress through diet and nutrition: considerations during the COVID-19 crisis. Nutrients, v.12, n.6, p.E1562, mai.2020. DOI:10.3390/nu12061562 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32471251/

As manifestações da COVID-19 podem ser assintomáticas, moderadas ou severas com complicações, como síndrome respiratória aguda, que se relacionam à tempestade de citocinas associada à hiper inflamação. Nesse contexto, conhecer nutrientes anti-inflamatórios e antioxidantes que promovam ótimo estado nutricional é relevante para fortalecer o sistema imunológico durante a crise de COVID-19.

O estado nutricional carente de macro e micronutrientes associa-se com maior inflamação e estresse oxidativo e torna o indivíduo suscetível às questões relacionadas ao sistema imunológico. Vitaminas A, C, D, E, carotenóides, polifenóis, fitoquímicos em geral, zinco, ferro, proteínas, ácidos graxos ômega-3, fibras dietéticas presentes na dieta baseada em plantas e que modulam a microbiota propiciam resposta imune adequada. Por exemplo, um baixo consumo proteico leva à reduzida produção de anticorpos. Assim, esta revisão destaca a importância de um status ideal de nutrientes para reduzir inflamação e estresse oxidativo, a fim de fortalecer o sistema imunológico no cenário da COVID-19.

O surto desta doença infecciosa emergente evoluiu rapidamente e foram implementadas políticas públicas para controlar a doença, sendo o auto-confinamento uma delas. Diante do estresse do isolamento social, os indivíduos modificaram seus padrões alimentares, e podem consumir menos alimentos naturais. Sabe-se que o consumo de nutrientes anti-inflamatórios provenientes de uma dieta baseada em vegetais é significativo na homeostase da inflamação e estresse oxidativo, antes e/ou durante a infecção. Dessa forma, a resposta imunológica ótima depende de uma dieta balanceada.

Foi realizada uma revisão da literatura sobre os papéis de vários constituintes alimentares na infecção, inflamação e estresse oxidativo. Os nutrientes estudados foram: proteínas, lipídios, fibras, vitaminas A, D, E, C, complexo B, zinco, ferro, selênio, polifenóis e carotenoides. Os autores selecionaram estudos em animais e estudos clínicos randomizados e metanálises feitos com humanos, que associaram a falta dos nutrientes mencionados a riscos e sintomas de infecções virais.

Os autores identificaram que, em humanos, baixos níveis séricos de albumina, pré-albumina, ferro e vitamina E levam a menores respostas à vacinação da influenza em idosos, apontando a interrelação entre vários nutrientes e a resposta imune.

A suplementação de ômega 3 pode ser interessante durante a tempestade de citocinas, assim como a suplementação de vitamina D demonstra efeitos de proteção contra infecções do trato respiratório por reduzir a entrada de partículas virais de SARS-CoV-2 nas células. No entanto, a suplementação dos demais micronutrientes analisados necessita de mais estudos sobre seu papel em infecções em humanos.

Observou-se também que refeições com alto índice glicêmico associaram-se a aumento imediato de citocinas inflamatórias. Em contrapartida, o consumo de carboidratos complexos, fontes de fibras prebióticas, é inversamente relacionado às doenças infecciosas por favorecer a adequada composição da microbiota intestinal (probióticos), que influencia na prevenção de infecções virais. Logo, modular o microbioma intestinal no contexto da COVID-19 através da dieta é um aspecto importante.

As evidências indicam que uma dieta com equilíbrio de nutrientes afeta positivamente a função imunológica, com destaque para a ação do microbioma intestinal modulado a partir de uma dieta baseada em vegetais.

Embora os constituintes alimentares anti-inflamatórios possam ser benéficos durante a hiper inflamação, como a tempestade de citocinas da COVID-19, os pesquisadores frisam que se deve ter atenção com altas doses de anti-inflamatórios isolados e/ou antioxidantes durante condições mais saudáveis, a fim de não suprimir excessivamente a inflamação e o sistema imunológico.

O artigo contextualiza as evidências disponíveis sobre nutrientes em relação à COVID-19 e ao sistema imunológico. Ademais, os autores elucidam que todos os aspectos abordados são interessantes também no manejo das inflamações crônicas de baixo grau relacionadas à obesidade, diabetes, doenças autoimunes e cardiovasculares.