Evidências Covid 19

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Quais estratégias governamentais foram adotadas no Peru em relação à proliferação de desinformação?

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A abordagem adotada pelo Peru contra a infodemia sobre a COVID-19: insights e estratégias

DUARTE, Rosália Maria

ALVAREZ-RISCO, A. ; et al. The Peru Approach against the COVID-19 Infodemic: Insights and Strategies. Am J Trop Med Hyg., v.103, n. 2, p. 583-586, Aug. 2020. Doi: 10.4269/ajtmh.20-0536. Epub 2020 Jun 4. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32500853/

Os autores contextualizam o estudo informando que o Peru está entre os 15 países do mundo com mais casos de coronavírus, o segundo na América Latina. Com base em estudos publicados, argumentam que a crise causada pela pandemia, em si mesma, provoca altos níveis de estresse, ansiedade e outras formas de adoecimento mental, que podem ser agravadas pela proliferação de notícias falsas ou informações sem a devida base científica, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como infodemia. Esta foi acompanhada por manifestações racistas e pela difusão e promoção de tratamentos e de medicamentos não comprovados cientificamente. Os autores acreditam que o tempo livre provocado pelo isolamento social e a baixa taxa de alfabetização em saúde tenham contribuído para o agravamento do problema. Apresentam um esquema explicativo de ações envolvidas na decisão de compartilhar ou não notícias sem confiabilidade. E descrevem e analisam algumas das ações empreendidas pela política de saúde do Peru para combater a infodemia, a partir, principalmente, de três grandes “boatos” que circularam massivamente com potencial para comprometer o enfrentamento da doença no país: 1)  que a previsão de mortes até maio seria de mais de 120 mil, quando na verdade o número de mortos foi pouco superior a mil; 2)  que o ministro da Economia havia contraído a doença e estaria com sintomas visíveis; 3) que o Presidente teria sido hospitalizado com sintomas graves, em razão da doença.

Medidas tomadas pelas instituições governamentais para evitar a infodemia:

O Ministério dos Direitos Humanos anunciou pelo Twitter que as pessoas que criassem ou compartilhassem notícias falsas sobre a COVID-19 poderiam ser punidas com prisão, e que a pena seria aumentada caso a notícia causasse danos a terceiros. Segundo os autores, o Peru foi o primeiro país da América Latina a implementar sentenças de prisão por criar e divulgar notícias falsas.       

O Governo empreendeu esforços e pressões junto ao Twitter, para que contas que divulgassem notícias falsas sobre a pandemia fossem excluídas, e junto ao Ebay e à Amazon (plataformas de comércio eletrônico) para que anúncios de medicamentos para a COVID-19 sem comprovação científica fossem automaticamente apagados.

O Governo iniciou também a elaboração de um currículo específico, voltado para alfabetização científica nas escolas públicas.

Agências públicas de saúde do país foram instadas a abrir e manter perfis nas redes sociais, com postagem permanente de informações e dados científicos sobre a doença, e a participarem diretamente dos debates públicos nessas redes, questionando informações não verdadeiras ou sem comprovação.

Foram paralelamente implantadas abordagens de verificação e acompanhamento de postagens, por meio de programas de inteligência artificial, para detectar informações falsas e notificar a plataforma responsável pela publicação.

Os autores concluem que a ampliação da alfabetização em saúde é a principal medida preventiva contra a disseminação de informações falsas e sem base científica.

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