Evidências Covid 19

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Qual a associação entre diabetes, inflamação crônica e COVID-19?

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Diabetes e síndrome metabólica como fatores de risco para COVID-19

PESSANHA, Katia Maria de Oliveira Gonçalves

Marhl, Marko; et al. Diabetes and metabolic syndrome as risk factors for COVID-19. Diabetes Metab Syndr., v. 14, n. 4; p. 671-677, Jul./aug. 2020. DOI: 10.1016/j.dsx.2020.05.013. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.dsx.2020.05.013

Baseado na observação clínica de que pacientes com Diabetes Mellitus (DM) têm maior risco de desenvolver COVID-19, o artigo apresenta um modelo de interligação com processos crônicos de adoecimento, abordando possíveis biomarcadores preditores de agravamento da doença viral.

Os autores objetivam demonstrar a existência de uma associação entre DM, síndrome metabólica (SM), processo inflamatório crônico e COVID-19. Propõem a utilização de quatro biomarcadores específicos para avaliação de pior desfecho nos pacientes: hipertensão arterial, diminuição da contagem de linfócitos, aumento da enzima hepática (ALT)  e aumento de interleucina 6 (IL-6).

O método utilizado foi a pesquisa de publicações no PubMed relacionadas a contextos fisiológicos comuns a Diabetes e COVID-19, utilizando a biblioteca Python Entrez, com seleção de 1.121.078 artigos. Destes foram extraídos gráficos específicos conectando Diabetes e COVID-19, nos quais 14 tópicos de interrelação foram observados e ressaltados os que demonstravam significância.

Os resultados revelaram três principais vias fisiopatológicas que ligam Diabetes e COVID-19: receptor ACE2, disfunção hepática e inflamação crônica. Deste modo a observância dos biomarcadores clínicos poderia prever a apresentação de complicações auxiliando nas decisões clínicas.

O receptor ACE2 foi identificado como ponto de entrada do vírus Sars-Cov2 na célula, e sua maior expressão em diabéticos e hipertensos, especialmente em pulmões e rins, demonstra a razão do maior acometimento destes órgãos na COVID-19. O ACE2 inativa a angiotensina II, responsável pela estimulação da resposta inflamatória, sendo a maior expressão  desses receptores um fator protetor. Porém, na presença de COVID-19,  esta expressão se torna um preditor de desfecho desfavorável, já que o vírus utiliza essa via para sua entrada e impede a inativação da angiotensina II.

 Os autores  analisaram gráficos cruzados demonstrando que a interseção em pacientes graves de hipertensão e COVID-19 é mais pronunciada que DM e COVID-19. Concluíram que a associação dessas doenças seria um importante fator de risco para morbidade e mortalidade em COVID-19, reconhecendo a hipertensão como biomarcador clínico mais importante.

No segundo eixo, a ALT foi identificada como biomarcador da fase inicial mais preditivo de evolução para síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). O estudo demonstra estreita relação entre síndrome metabólica, pré-Diabetes, Diabetes, distúrbios hepáticos e a presença de elevação leve da ALT, sugerindo sua utilização como preditor de evolução desfavorável da COVID-19. De acordo com as análises realizadas, o vínculo entre aumento isolado de ALT e COVID-19 sem a presença de uma doença metabólica prévia não pode ser considerado preditor de gravidade, uma vez que não caracteriza lesão hepática inflamatória crônica.

A inflamação seria o terceiro eixo estudado e um elo importante entre as doenças citadas. Neste ponto, dois biomarcadores se destacam na interrelação Diabetes, Inflamação crônica, idade e COVID-19: IL-6  e linfócitos. A tempestade inflamatória da COVID-19 exacerba a inflamação crônica preexistente. Além disso, o DM tipo 2 e a obesidade compartilham o maior número de genes desregulados nas infecções com a COVID-19, o que explicaria do ponto de vista genético esta interrelação idade/DM/COVID-19.

Os autores concluíram haver uma interligação COVID-19 e DM a partir dos 3 eixos citados, justificando a utilização de biomarcadores que podem ser aplicados diretamente na prática clínica (IL6, ALT e contagem de linfócitos). Enfatizam o papel da síndrome metabólica, obesidade e Diabetes, onde já existe o processo inflamatório crônico e a desregulação genética, na pior evolução da COVID-19. Relatam ainda preocupação com uma pandemia associada a uma epidemia já em curso de doenças metabólicas.