Evidências Covid 19

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Telessaúde ajuda durante a pandemia aos serviços de lentes de contato?

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A telessaúde pode ajudar oftalmologistas a adaptar serviços de lentes de contato durante a pandemia de COVID-19?

BISOL, Thiago

NAGRA, Manbir; VIANYA-ESTOPA, Marta; WOLFFSOHN, James S. Could telehealth help eye care practitioners adapt contact lens services during the COVID-19 pandemic? Contact Lens & Anterior Eye, v. 43, n. 3, p. 204-207, Jun. 2020. DOI: 10.1016/j.clae.2020.04.002. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32336578/

Devido ao possível risco de contágio através da lágrima e às restrições de contato social pela pandemia, os atendimentos pelos profissionais de saúde da área ocular têm se limitado às urgências e emergências, ficando proscrito o exame clínico presencial para os usuários de lentes de contato. Nesta especialidade, o exame é imprescindível para tomada de decisão, havendo poucos estudos sobre o uso da telemedicina. Os autores avaliam os aspectos relativos à adaptação de lentes de contato, ao acompanhamento dos usuários e o uso de teleatendimentos no contexto da pandemia.

O uso de questionários validados e entrevistas quanto a sintomas oculares pode auxiliar na triagem da necessidade ou não de um exame presencial na vigência de intercorrências com o usuário.

Alguns comportamentos que se relacionam com risco de complicações nos usuários de lentes de contato são afetados diretamente pela pandemia, porém nem todos de modo negativo. Por exemplo, o maior cuidado com a higiene é positivo; entretanto, o prazo de descarte das lentes pode ser prejudicado pela dificuldade na aquisição das mesmas.

Quanto à telemedicina, a avaliação da acuidade visual pelo próprio paciente com recursos de computador ou celular já pode ser realizada de forma confiável; entretanto, a refratometria (medição do grau) ainda não é fidedigna quando realizada remotamente. A captura de imagens oculares e sua transmissão em teleatendimentos vem se desenvolvendo consideravelmente com a evolução da qualidade das câmeras fotográficas dos smartphones e computadores, porém ainda são necessários recursos adicionais, como lentes de magnificação ou iluminação em fenda, para a análise adequada de detalhes. Somente alterações mais grosseiras (como presença ou ausência de pterígio ou de transplante de córnea, por exemplo) são evidenciáveis sem estes recursos, o que limita bastante o exame do paciente na identificação de ceratites, edema corneano, infiltrados inflamatórios, qualidade do filme lacrimal, etc.

Em especial no que se refere ao controle do usuário de lentes de contato, apesar de haver diversos aplicativos para controle do prazo de descarte e troca das mesmas, a avaliação da adaptação da lente no olho (posição e movimento) fica bastante prejudicada sem recursos acessórios no contexto do teleatendimento. Mesmo havendo correlação dos sintomas relacionados às lentes de contato com os achados objetivos, ainda assim é arriscada a análise da sua adaptação baseada em teleatendimento valendo-se de imagens que não ofereçam a qualidade necessária a um bom exame objetivo.

Em suma, apesar de alguns recursos tecnológicos estarem disponíveis para monitoramento remoto e telemedicina no exame ocular, a adaptação de lentes de contato e o exame dos seus usuários se encontra ainda comprometido em termos de segurança durante a vigência das medidas sanitárias devido à pandemia da COVID-19.

Os autores discutem de modo responsável os recursos de Telemedicina disponíveis para uso na adaptação e acompanhamento dos usuários de lentes de contato durante a pandemia, concluindo que os mesmos não se mostram suficientes para uma prática segura de atendimento remoto nesta área de atuação do profissional de saúde ocular.